MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 31 de maio de 2014

Gestão do PT alimentou o maior esquema de corrupção da história do Brasil na Petrobras, revela revista.



O imenso acervo das investigações da Lava Jato contém as provas inéditas que demonstram essa dimensão. A Polícia Federal encontrou as principais evidências quando fez apreensões num dos escritórios de Youssef e, especialmente, na casa de Arianna Bachmann, uma das filhas de Paulo Roberto. No caso dela, as provas estavam num notebook escondido no porta-malas do carro. Arianna era a principal funcionária de Paulo Roberto. Registrava em detalhes os negócios da família. Num dos escritórios de Youssef em São Paulo, a PF encontrou um arquivo com milhares de papéis. Eles trazem indícios de dezenas de episódios de corrupção, em muitos Estados e órgãos públicos. Eles se espelham perfeitamente com os registros sobre a Petrobras encontrados no computador de Arianna. Esses arquivos secretos revelam, entre outras coisas, que:

• Paulo Roberto chegou a ter 81 contratos, todos com fornecedores da Petrobras, quando saiu da estatal e montou sua empresa de consultoria. Há provas de que ele recebeu milhões de 23 empreiteiras, na maior parte das vezes sem prestar, segundo sugerem os documentos, qualquer serviço;

• o principal cliente de Paulo Roberto, segundo as provas da PF, era a empreiteira Camargo Corrêa. Ela liderava o principal consórcio das obras de R$ 20 bilhões da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Paulo Roberto comandara essas obras e presidia o Conselho de Abreu e Lima. Grande parte dos clientes que repassaram dinheiro à empresa dele trabalhava nessas obras;

• Paulo Roberto recebeu, em dinheiro vivo segundo a PF, o equivalente a R$ 6,4 milhões de Youssef e R$ 2,4 milhões do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, em reais, dólares e euros. Baiano o ajudava a fechar negócios com as empreiteiras e a manter boas relações com parlamentares do consórcio que o mantinha na Petrobras; e

• Youssef, o sócio de Paulo Roberto, mantinha uma subconta na Suíça em nome da principal subcontratada pela Camargo Corrêa para serviços na Abreu e Lima, a Sanko. Outra subconta de Youssef na Suíça recebia milhões de subsidiárias internacionais de empreiteiras brasileiras, entre elas a OAS.

Todas essas provas foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal há dez dias, logo após o ministro Teori Zavascki suspender as investigações da Lava Jato e mandar soltar Paulo Roberto. Não se sabe quando os ministros do Supremo decidirão o que fazer com o caso. Quanto mais tempo demorar, menores as chances de que delegados e procuradores avancem nas investigações. Paulo Roberto, é bom lembrar, foi preso porque sua família foi flagrada tentando destruir provas. Antes que os processos, que corriam no Paraná, fossem suspensos, Youssef e ele já eram réus, acusados de lavar dinheiro desviado, segundo denúncia do MPF, do contrato do consórcio da Camargo Corrêa em Abreu e Lima. Nesta semana, o Congresso finalmente criou uma CPI mista para investigar a Petrobras. As provas da Lava Jato oferecem aos parlamentares um bom roteiro de trabalho.
Num dos arquivos do computador de Arianna, a PF encontrou notas fiscais da Costa Global, empresa de consultoria da família, emitidas entre outubro de 2012 e fevereiro deste ano. Somam R$ 7,5 milhões, divididos entre duas dezenas de empresas – quase todas empreiteiras. A maior parte do dinheiro foi paga pela Camargo Corrêa: R$ 3,1 milhões. A Camargo fazia pagamentos mensais de R$ 100 mil. Em dezembro de 2013, fez o último e maior depósito: R$ 2,2 milhões. A Camargo diz que contratava a Costa Global para “fazer estudos”.

Arianna mantinha planilhas atualizadas com os contratos da Costa Global. Continham nomes de contatos e valores a receber. Se a Costa Global chegou a ter 81 clientes, por que há notas fiscais de apenas 23? Como Paulo Roberto recebia pelos demais? Era o que a PF tentava descobrir. A investigação traz evidências de que Paulo Roberto, como qualquer lobista, recebia um percentual do negócio obtido para seus clientes, conhecido como “taxa de sucesso”, do inglês “success fee”, um eufemismo para aquilo que todos conhecemos como propina. O caso da Camargo, segundo os registros da filha de Paulo Roberto, resume bem a situação: “O success fee será negociado separadamente para cada negócio”.
O estranho, segundo os investigadores, é a existência de contratos que não previam taxa de sucesso. Sem essa cláusula, o trabalho de lobby não faz sentido. Cruzando os nomes das empreiteiras que fizeram contratos nesses moldes com as anotações de Paulo Roberto, a PF chegou à suspeita de que eles se referiam, na verdade, à propina dos tempos em que ele ainda era diretor da Petrobras. Há indícios de que se referiam a acertos de contas. É o caso de contratos com empreiteiras como Engevix, Iesa, Queiroz Galvão e, num dos casos, também da Camargo. No caso da Queiroz, uma anotação da agenda de Paulo Roberto menciona o pagamento de R$ 600 mil. Metade para ele; a outra metade para o “partido”. Em março de 2013, meses depois dessa anotação, a Queiroz Galvão fechou um contrato de seis meses com a Costa Global para pagar R$ 100 mil mensalmente – mesmo valor anotado à mão na agenda de Paulo Roberto.

Num dos escritórios de Youssef em São Paulo, a PF apreendeu extratos de uma conta controlada por ele no banco PKB,  na Suíça. O PKB é um banco conhecido por aceitar qualquer tipo de cliente – de traficantes a políticos condenados por corrupção. Entre outras transações consideradas suspeitas pela PF, os extratos revelam que, em 2013, a OAS African Investments, empresa internacional do grupo OAS, sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, transferiu US$ 4,8 milhões para a conta de Youssef no PKB. Foram três depósitos de US$ 1,6 milhão, entre maio e julho.

Os documentos revelam que Youssef abrira, por meio de laranjas, uma subconta no mesmo PKB em nome da Sanko, empresa que mais recebera da Camargo por serviços nas obras da Abreu e Lima. Essa subconta tinha limite de US$ 1,4 milhão. Entre janeiro e fevereiro de 2014, ela recebeu cerca de US$ 1,1 milhão. Não há informação sobre quem depositou o dinheiro. Em seguida, Youssef transferiu grande parte dos recursos para contas em Hong Kong, também controladas por laranjas. Foram tantos os documentos da Sanko apreendidos com Youssef que os investigadores suspeitam que ele seja o dono da empresa. Entre 2009 e 2013, a Sanko recebeu R$ 113 milhões do Consórcio CNCC, liderado pela Camargo, por “serviços” em Abreu e Lima. E repassou R$ 32 milhões a uma empresa de Youssef.

As contabilidades de Youssef e Paulo Roberto são siamesas. Se Youssef registrava um pagamento a Paulo Roberto, Paulo Roberto registrava um depósito de Youssef. Em 8 de agosto de 2012, as planilhas dos dois trazem um pagamento de R$ 450 mil a Paulo Roberto. Dez dias depois, Paulo Roberto depositou R$ 120 mil, em espécie, na conta do advogado Eduardo Gouvêa. Gouvêa, dizem os papéis, é parceiro de negócios de Paulo Roberto.

No mesmo período, em 13 de agosto de 2012, Youssef anotou ter recebido R$ 1 milhão associado ao nome “Refap”, correspondente à décima e à décima primeira prestação de um total de 20 parcelas de R$ 500 mil – ou R$ 10 milhões. Duas semanas antes, a Petrobras oficializara a compra da Refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, conhecida como Refap. Até então, a Refap era uma sociedade entre a Petrobras e a espanhola Repsol. Em dezembro de 2010, quando Paulo Roberto ainda era diretor de Abastecimento, a Petrobras comprara a parte da Repsol por US$ 850 milhões. “Para a Petrobras, isso é importante porque não tínhamos possibilidade de ter uma sinergia completa entre a Refap e o sistema Petrobras, porque, sendo um consórcio, tinha uma posição diferente dentro da estrutura gerencial da empresa. Voltando a ser 100% da Petrobras, isso se refletirá em benefícios grandes para nós, em termos de atendimento do mercado e de colocação de petróleo nacional”, disse Paulo Roberto na ocasião. As duas parcelas de R$ 500 mil da “Refap” foram registradas como “entradas” de Youssef na planilha de Paulo Roberto. A PF suspeita que se trate de propina.

O advogado Gouvêa afirmou que recebeu o depósito de R$ 120 mil em dinheiro porque vendeu um barco, “por acaso”, a Paulo Roberto Costa. “Ele me confirmou o depósito na conta, e emiti o documento de venda dessa embarcação. Nem imaginava que tinha sido feito em dinheiro”, diz Gouvêa. Reuniões com Gouvêa são mencionadas na agenda de Paulo Roberto. Ele afirma que é amigo de Humberto Mesquita, ou Beto, genro que cuida da contabilidade de Paulo Roberto. “Conheço eles desde 1997, fui ao casamento dele (Humberto) com a filha do Paulo Roberto”, diz Gouvêa. “A gente fazia muita reunião, e às vezes Paulo Roberto estava presente. Humberto me pedia auxílio na área da advocacia. Mas era um auxílio assim, vamos dizer, de amigo. Porque nunca efetivamente cobrei nada pelos serviços que prestei a ele. Nunca tive uma relação contratual.” Gouvêa afirma não ter “relação próxima” com o lobista Fernando Baiano: “Fernando Baiano... Conheço de nome”.
As negativas das empreiteiras são abundantes. Muitas admitem ter firmado contratos com Paulo Roberto. Dentre elas, todas afirmam que nada deu certo, e o respectivo contrato foi logo desfeito. A acreditar no que dizem, Paulo Roberto era um fracasso como lobista, embora recebesse milhões pelos contratos.

Em nota, a Camargo Corrêa afirma que a Costa Global foi contratada para “desenvolver estudos nas áreas de óleo e gás, dentro da mais absoluta legalidade”. Não quis informar valores nem datas de pagamentos. O consórcio CNCC, controlado pela Camargo e responsável pelas obras em Abreu e Lima, afirma que “não tem e jamais teve qualquer relação com essas pessoas ou empresas citadas”.

A Sanko-Sider diz, também em nota, que “não tem nem nunca teve conta no exterior”. Admite ter contratado a Costa Global “para a prestação de serviços de consultoria relacionados à venda de projetos”, embora não informe quanto pagou a Paulo Roberto. “O contrato foi rompido de forma amigável após curto período, tendo em vista a inexistência de resultados”, diz a Sanko. “Os contratos das empresas do grupo Sanko são estritamente legais e comerciais.”

A Iesa admite ter pagado R$ 300 mil à Costa Global. “Foram realizadas diversas reuniões com a Costa Global e com empresa de engenharia conceitual, e identificados potenciais parceiros fornecedores de tecnologia para o fornecimento de minirrefinarias modulares”, diz a Iesa, sem mencionar se os negócios deram certo. A GDK é a única empreiteira que confirma ter contratado Paulo Roberto para obter negócios e ter se disposto a pagar taxas de sucesso. Forneceu detalhes dos pagamentos à Costa Global. Diz que nenhum negócio prosperou e, diante disso, resolveu cancelar o contrato. “A GDK solicita que seja mencionada sua perplexidade com a associação do seu nome à referida Operação Lava Jato”, afirma. E nega qualquer irregularidade.

A Engevix afirma apenas que teve contrato com a Costa Global, sem dar maiores explicações. O lobista Fernando Baiano e as empreiteiras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão – as duas cujos diretores, segundo os papéis da PF, mantinham relações próximas com Baiano – preferiram não se manifestar. O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo, afirma que seu cliente não tem qualquer vínculo com empreiteiras, não recebeu dinheiro delas e não tem contas no exterior. O advogado de Paulo Roberto não respondeu ao pedido de entrevista de ÉPOCA até a publicação desta reportagem.
BLOG DO CORONEL

NPS e SNPS: sopa de letrinhas bolivarianas



 Ari Cunha – Visto, lido e ouvidoCorreio Braziliense – 31/05/2014
Ao contrário do que sempre acontece quando o governo federal anuncia algumas de suas grandes ideias, desta vez não houve festa. A coisa foi feita meio na surdina, para não despertar muita atenção e curiosidade geral.
Foram instituídos em 23 de maio, sob a forma de decreto (nº 8.243), a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS).
O que a presidente Dilma busca, bem ao modo petista de governar, é um “atalho” para a chamada “democracia direta”, alijando do processo a participação do Poder Legislativo. Logo em seu  artigo 1º, o governo afirma, em linguagem que parece saída de documento do partido, que o objetivo do decreto é “fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”.
O que que o governo busca com essa lei é que os “movimentos sociais institucionalizados ou não, participem ativamente na administração pública federal direta e indireta, bem como nas agências reguladoras.
Na prática, são criados mecanismos à semelhança dos comitês dos trabalhadores da era stalinista, para que os movimentos sociais, na grande maioria controlados e bancados pelo próprio governo, participem na gestão do país, abrindo caminho, assim, para o fortalecimento institucional do Poder Executivo.
Impedido de estabelecer, de uma só vez, o controle institucional do Estado, o atual governo vem, de longa data, tentando adotar pequenas medidas, pretensamente legais, como o controle social da mídia, o financiamento público de campanhas e em listas fechadas e outras aberrações jurídicas presentes em países como a Venezuela e Cuba, para criar condições de perpetuação no poder.
Não bastasse a nação ter de engolir que o Estado seja retaliado pela miríade de partidos fisiológicos famintos de cargos, agora vem o governo querendo ceder parte da máquina pública para os “coletivos” de si próprio.

AS ESCOLAS DE ANTIGAMENTE



Vou falar das Escolas que cursamos no passado. No meu caso, das militares, da Escola Preparatória de Porto Alegre (EPPA) e da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira
Nelas, tivemos os exemplos de bons instrutores e monitores, de Tenentes dedicados, todos de conduta ilibada e por vezes mais severos do que gostaria a nossa juventude.
Olhávamos com respeito, os Capitães, os superiores, e, até com certo temor as maiores autoridades, os Coronéis, e principalmente, os Generais. Com maior razão o General Comandante da AMAN.
E eles nos ensinavam os assuntos militares e os morais e cívicos, pregavam a obediência a princípios fundamentais, falam sobre valores, e sublinhavam o respeito aos subordinados.
Em geral apregoavam a máxima de “não faças aos outros, o que não desejas que façam contigo”.
Acordávamos cedo e lá estavam eles, exigiam o traquejo na farda e lá estavam eles, impecáveis, destacavam a importância da disciplina e do cumprimento da hierarquia.
E assim, durante anos naqueles bancos escolares eles passaram por nós, Oficiais, Sargentos e Praças, em decorrência das transferências; mas mudava o homem e não a tônica do exemplo e da dedicação.
A qualquer momento lá estavam eles, nas instruções, nas provas, e mesmo nas dificuldades em apoio aos necessitados.
Ah, nas escolas de antigamente aprendemos ensinamentos maravilhosos, tantos que de certa forma a sua influência faz parte de nosso caráter.
Somos gratos.
Contudo, hoje é flagrante que cometeram “falhas imperdoáveis”, pois não nos ensinaram a ser patifes, calhordas, cretinos, nem desonestos, nem falsos, nem bandidos, nem a conviver com estes tipos de indivíduos, e, o pior, nem a combatê-los.
Hoje, reclamamos e tornamos público a nossa falta de capacidade e despreparo para engolir o que assistimos: a ganância, a corrupção, o apogeu da mentira e a enganação.
“Incompetentes” instrutores e monitores que não nos prepararam para conviver sob a égide dos “fins justificando os meios, e de que tudo vale em beneficio de seus interesses”, que nos moldaram sob as premissas da virtude, e a preservação da honra e da dignidade, a qualquer custo.
Mas, na certeza de que não agiram de má fé, desculpamos a sua inocência ou a sua boa intenção de esconder-nos que lá fora, um dia, nesta Terra predominaria a falta de caráter, a impunidade, e que o mérito seria um nauseabundo defunto diante dos interesses pessoais.
Infelizmente, sob o peso dos anos, nós que frequentamos as escolas de antigamente, não temos mais tempo nem saco de apreendermos a arte da patifaria e, por isso, vez por outra, indignados por assistir a tantas falsidades, ao ver florescer o escárnio e a injustiça, reclamamos, denunciamos.
Mas é um grito inútil, pois os tempos são outros, a escolas de antigamente foram substituídas, e sabe-se lá o que os novos mestres ensinam, neste caso, em preparação dos jovens para se saírem bem entre os demais patifes. Nós, infeliz ou felizmente, deste tema, nada aprendemos.
Evidentemente, a História da Humanidade tem nas suas linhas uma infindável lista de indivíduos de baixíssimo padrão moral, pessoas sem escrúpulos.  E assim será, agora e sempre.
Porém, o duro é testemunhar no Brasil, que aqui, quanto mais cretino melhor, como comprovamos no nosso dia a dia.
Mas é tarde para voltar aos bancos escolares, e mais difícil viver nestes novos tempos sem reclamar daqueles antigos Mestres, que não nos prepararam para viver nesta fedorenta esbórnia.
A grande dúvida é se diante de tantos patifes, a História da Pátria poderia perdoar-nos se liderássemos uma revolução que sob a desculpa do “paredón” eliminasse sem piedade, os abomináveis detratores da honra e da grandeza do Brasil.                                         
Brasília, DF, 31 de maio de 2014
Cadete do último ano do Curso de Infantaria da AMAN, sob o Comando do inesquecível General Emílio Garrastazu Médici, em 31 de março de 1964.

Decreto agride democracia representativa



 EDITORIAL
O GLOBO - 31/05/2014
É no Congresso que se criam mecanismos de participação da sociedade em decisões de governo. Criar esses instrumentos na base da canetada é golpe de gabinete

A democracia representativa, com a escolha dos representantes da sociedade pelo voto direto, bem como a independência entre os Poderes, é alvo prioritário do autoritarismo político. A desmontagem do regime representativo costuma começar pela criação de mecanismos de “democracia direta”, para reduzir o peso do Congresso na condução do país.
É por este ângulo que deve ser analisado o surpreendente decreto nº 8.243, baixado na sexta-feira da semana passada pela presidente Dilma, para criar a “Política Nacional de Participação Social — PNPS". O objetivo é subtrair espaço do Legislativo por meio de comissões, conselhos, ouvidorias, “mesas de diálogo”, conferências nacionais, várias novas instâncias a serem criadas junto à administração direta e até estatais, sempre em nome da participação social. Sintomático que a PNPS esteja subordinada ao ministro secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, representante dos ditos “movimentos sociais” no Planalto. Há várias surpresas no ousado ato. A primeira, rever o regime de democracia representativa por decreto.
Mecanismos de participação do cidadão em decisões de governo são um tema em debate no mundo, para se aperfeiçoar a democracia representativa. Plebiscitos e referendos têm sido usados com frequência em democracias maduras como a americana. Os próprios avanços tecnológicos no mundo digital são ferramenta importante para aproximar a sociedade do Estado. Mas não se avança nesta direção por decreto, algo como um golpe de Estado na base da canetada.
Outra surpresa, até pela ousadia, é que o decreto formaliza em lei a estratégia antiga de aparelhamento da máquina pública por aliados político-ideológicos do PT. Pois não é difícil imaginar os critérios pelos quais serão escolhidos os representantes da “sociedade civil” para participar de comissões, fóruns, mesas etc. Um dos resultados desta infiltração de partidos e grupos no Estado tem sido, cabe lembrar, casos de corrupção e desmandos, como os denunciados na Petrobras.
O sentido autoritário do decreto denuncia sua origem. Ele sai dos mesmos laboratórios petistas que engendraram a "assembleia constituinte exclusiva" a fim de fazer a reforma política — atalho para se mudar a Constituição ao bel-prazer de minorias militantes —, surge das mesmas cabeças que tentaram controlar o conteúdo da produção audiovisual do país via Ancinav, bem como patrulhar os jornalistas profissionais por meio de um conselho paraestatal. Tem a mesma origem dos idealizadores da “regulação da mídia”.
Além de tudo, a PNPS tornará ainda mais impenetrável a burocracia pública, já uma enorme barreira à retomada de investimentos. Ou seja, também na economia, o decreto vai na contramão de tudo o que o país necessita.
O assunto precisa ser discutido com urgência no Congresso e levado ao Supremo pelo Ministério Público e/ou instituições da sociedade.

FALSO PARTIDO


Aileda de Mattos Oliveira
O PT não age como um partido político regular; movem-no outros interesses. É um núcleo onde se concentram cabeças comprometidas com o processo de sufocamento do Estado, pelo método da falência moral das instituições fundamentais que o sustentam: a Família, a Escola, a Igreja.
Esses três pilares já estão minados nas suas bases, sem que pais, professores e sacerdotes saiam na defesa de suas fundações. A acomodação é gêmea da covardia.
Não há como negar que esse suposto partido seja um centro onde se desenvolvem e se determinam maquiavélicas medidas de prostituição dos Órgãos que dinamizam a vida do País, como obstáculos a seu natural avanço em direção aos planos intelectual, ético, tecnológico e científico, forçando-o a manter-se no marasmo de um gigante apedeuta.
A demolição do Estado, por vias do esfacelamento institucional, torna-se aparente paradoxo, quando se sabe que o objetivo é centralizar nas mãos desse núcleo o poder absoluto, tendo em vista que a velha ideologia de esquerda se aliou à filosofia de fragmentação do Sistema para consolidar a concentração do poder. Jacques Derrida* não me deixa mentir.
Temos que nos lembrar de que o PT já pôs em execução, como norma legal do partido, a anarquia, que institui a negação de qualquer princípio de autoridade, principalmente, o referente às Forças de Segurança.
É no seio da filosofia da negação dos valores; da Constituição; da hierarquia; mas, pela manutenção da impunidade; do código penal em desacordo com o alto grau de delinquência, e da permissividade dos atos de vandalismo, que foram criadas as diretrizes desse centro antinacional para a tomada do poder. Portanto, o paradoxo não existe.
A prática dos ‘cubanoides’ contra a Nação brasileira, apesar de conhecida, tenta, pela reiteração de seus atos, de suas mentiras, fazer crer à população soterrada de benesses populistas que, se há repetição, há verdade. Prática alimentada pela ‘oposição’ prevaricadora.
Para quem vive da produção de filhos, mantendo-se à custa do contribuinte, de posse de um cartão social com o nome fantasia de “bolsa-família”, desde que não tenha que ir à luta para devolver aos cofres públicos o que foi desviado do coletivo para favorecê-lo, pouco importa de que lado esteja a verdade dos fatos.
Foco de traidores; de corrupção da linguagem, marca do travamento intelectual de seus agentes; de repúdio às datas magnas; do apagamento de qualquer vestígio de ligação ao passado, remoto ou recente; esse centro deve ser destruído nas suas bases como um dever que cabe a todo brasileiro digno que não se deixou contaminar pelos excrementos doutrinários e filosóficos dessa máfia de escroques sadomasoquistas.
É dever de todos os que estejam enquadrados nessa faixa de conscientização política e de respeito ao País, unirem-se em favor desta Pátria já nos últimos estertores.
O PT não é um partido, é um centro de manipulação de consciências que torna inviável a salvação da geração que está chegando, por encontrar não um País que a acolherá, mas um território devastado pela corrupção, doença inoculada no Estado, sem ainda um antídoto eficaz, mas conhecida como meritocracia petista.
*Filósofo desconstrutivista, idos de 1960.

O Diálogo Interamericano e as Forças Armadas dos Países Periféricos



 Carlos I. S. Azambuja
 Isso estaria acontecendo no Brasil?
                       “Se tudo isso falhar, abolir as Forças Armadas”.(Samuel Huntington)
Desde algum tempo, referências vêm sendo feitas por publicações diversas, nacionais e internacionais, ao Diálogo Interamericano. Todavia, somente poucas pessoas têm conhecimento pleno do que venha a ser isso.
Sem a pretensão de querer esgotar o assunto, é interessante conhecer um breve resumo do que se convencionou denominar Diálogo Interamericano.
Aproveitando o aparente caos político e institucional na América Latina em seguida à guerra das Malvinas e à crise da dívida externa, ambas em 1982, interesses internacionais moveram-se rapidamente buscando manter seu domínio político e econômico na região. Desse esforço surgiu o que se convencionou chamar Diálogo Interamericano.
Em junho, julho e agosto de 1982 foram organizados três seminários para debater as repercussões da guerra das Malvinas nas relações interamericanas, sob os auspícios do Centro Woodrow Wilson, uma espécie de banco de cérebros, com sede em Washington. O Centro Woodrow Wilson foi criado em 1968 pelo Congresso dos EUA, como “um centro privado de investigação e documentação política”. O Centro é dirigido por uma junta composta por 8 funcionários oficiais, dentre os quais o Secretário de Estado, e outras 11 personalidades do setor privado, porém nomeadas pelo governo. Entre essas personalidades figuram luminares das finanças, como John Reed, presidente do Citibank, Max Kampelman, presidente honorário da Liga Antidifamação B’nai B’rith, e Dwayne O. Andreas, presidente do gigantesco cartel graneleiro Archer Daniels Midland.
No primeiro dos três seminários realizados após o término da guerra das Malvinas, Heraldo Muñoz, então professor da Universidade do Chile, argumentou que o intento de recuperar a soberania sobre as ilhas Malvinas “só foi possível porque não havia um governo democrático na Argentina”. Muñoz, posteriormente, foi nomeado embaixador do Chile perante a OEA (Organização dos Estados Americanos).
No segundo seminário, Viron Varky, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, e Nicolas Ardito Barleta, arquiteto do sistema financeiro do Panamá e então vice-presidente do Banco Mundial, chegaram à conclusão que a crise oferecia a oportunidade de se criar “um sistema de governo hemisférico mais forte”.
No terceiro seminário, o ex-embaixador norte-americano William Luers opinou ser necessária uma maior comunicação entre os EUA e a América Latina.
Desses seminários surgiu a idéia do Diálogo Intermaricano e, de outubro de 1982 a março de 1983, o Centro Woodrow Wilson patrocinou uma série de reuniões já dentro dessa idéia, nas quais 48 delegados da América Latina e dos EUA, a título pessoal, debateram um longo temário. Todavia, é certo que o apoio oficial do governo norte-americano a esse esforço foi mais além dos auspícios do Centro Woodrow Wilson, considerando-se que a reunião de fundação do Diálogo, em 15 de outubro de 1982, contou com a presença do então Secretário de Estado George Shultz e do Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, Thomas Enders.
A fundação do Diálogo Interamericano reuniu a nata do establishment norte-americano. Membros da Comissão Trilateral eram maioria no grupo que fundou o Diálogo (a Comissão Trilateral é uma entidade fundada em 1973 por David Rockefeller, Zbigniew Brzezinski e cerca de 200 personalidades do setor econômico, principalmente banqueiros, dos EUA, Europa Ocidental e Japão, intitulada “uma iniciativa provada da América do Norte, Europa e Japão para assuntos de interesse comum”).
A partir de 1973 e até a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, e o desaparecimento da União Soviética, em dezembro de 1991, viu-se um Primeiro Mundo unido em torno da Comissão Trilateral, um Segundo Mundo agrupado em torno da falida ideologia socialista e um Terceiro Mundo subdesenvolvido, praticamente à mercê dos ditames dos outros dois mundos no que diz respeito à proliferação da energia nuclear, terrorismo, direitos humanos, desmatamento e venda de armas convencionais.
Abraham Lowental, do Centro Woodrow Wilson, é uma espécie de diretor-executivo do Diálogo Interamericano. Desde sua fundação, o Diálogo passou a propor a criação de estruturas supranacionais para monitorar as atividades militares no hemisfério. Em um de seus primeiros documentos, “As Américas na Encruzilhada”, foi apresentada a proposta de encarregar a OEA da vigilância de ditas atividades militares, e que os direitos humanos servissem de pretexto para a intervenção da Organização dos Estados Americanos, adiantando-se ao que viria a se transformar em uma campanha que vem sendo desenvolvida nos bastidores da ONU.
O documento “As Américas na Encruzilhada” afirmava que a “a ação multilateral cuidadosamente considerada, para proteger direitos humanos fundamentais, não é uma intervenção e sim uma obrigação internacional”. O documento instava também a um diálogo dos governos de El Salvador, Nicarágua e Guatemala com os respectivos “movimentos de oposição” (expressão usada para denominar a guerrilha e a luta armada nesses países) para encontrar uma forma de resolver as “controvérsias” sobre uma base que reconhecesse “os interesses vitais de cada parte”, ou seja, dos governos e da guerrilha, definindo a luta armada como “uma controvérsia”.
Em abril de 1986 o Diálogo emitiu um novo documento, descrevendo os três temas principais possíveis de controlar os acontecimentos políticos no hemisfério:
- que se formalizasse o “direito” da União Soviética - já em estado terminal - de expressar-se nos assuntos do hemisfério;
- que as drogas estupefacientes fossem legalizadas;
- que se construísse uma “rede democrática” com poderes suficientes para opor-se “aos comunistas e aos militares”, colocados, assim, em pé de igualdade.
Para lograr este último objetivo, o documento do Diálogo considerou ser urgente reduzir a participação militar em “assuntos civis”.
Em fins desse ano de 1986, o Diálogo pôs em marcha um projeto que culminou com a publicação, em 1990, do chamado “Manual Bush”, uma obra anti-militar editada em espanhol com o título “Los Militares y la Democracia: El Futuro de las Relaciones Cívico-Militares en América Latina”, que sugeria o desencadeamento de uma guerra econômica contra os militares latino-americanos, assinalando que “o nível de recursos a ser destinado aos militares”  deveria ser questionado e mudado, como uma das formas mais efetivas de “conter a influência das Forças Armadas dos países ao sul do Rio Bravo”. O flanco econômico transformar-se-ia, assim, rapidamente, no ponto forte da guerra contra os militares da América Latina.
Em 17 de junho de 1990, o “Jornal de Brasília” publicou matéria segundo a qual, em Washington, a Comissão Trilateral, em uma reunião, defendera a substituição das Forças Armadas dos países subdesenvolvidos, notadamente da América Latina, por forças regionais de defesa, uma Força Interamericana de Defesa. Na mesma reunião, o expert espanhol Julio Feo condenou o excessivo crescimento populacional nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, pois “o excesso populacional agride a natureza e provoca o aquecimento da Terra”. Foram também recomendados pactos mundiais para forçar as nações atrasadas ao cumprimento de rigorosas medidas protecionistas do meio ambiente, em troca da promessa de redução de suas dívidas externas.
Ao propor a criação de forças regionais de defesa, foi assinalado que a Guerra Fria acabara e que não havia mais riscos de comunismo na América Latina. Sobre a eliminação das Forças Armadas nacionais, a conclusão da Trilateral é a de que em muitos países da América Latina elas tendem a “ser promotoras institucionais vigorosas de comportamentos nacionalistas”.
Por fim, a reunião da Comissão Trilateral apontou outra vantagem para a substituição das Forças Armadas tradicionais por uma Força Regional de Defesa: os militares da América Latina teriam uma ocupação “mais útil, reduzindo-se sua propensão histórica ao envolvimento nos assuntos políticos de seus países”.
Em dezembro de 1990, durante uma visita ao Cone Sul, o então presidente George Bush batizou esse projeto global da era pós-Guerra Fria (o Muro de Berlim já havia caído, em 9 de novembro do ano anterior) com o pomposo nome de “Nova Ordem Mundial”, projeto que deveria ser imposto através da democracia. Aduziu, todavia, que esse “novo amanhecer” não surgiria sem uma quota de sofrimento: “A mudança não será fácil. As economias que agora dependem da proteção e da regulamentação do Estado deverão abrir-se à competitividade. Por um tempo a transição será penosa (...) Tais mudanças ajudarão a eliminar as falsas distinções entre o Primeiro Mundo e o Terceiro Mundo, que por demasiado tempo já limitaram as relações políticas e econômicas nas Américas”.
Recorde-se que nesse mesmo mês, em 4 de dezembro, um dia após a revolta militar na Argentina comandada pelo coronel Mohamed Ali Seineldin, o embaixador da Argentina no Brasil, José Manoel de La Sota, propôs a formação de “uma aliança no Cone Sul em defesa da democracia”, a qual utilizaria sanções econômicas e, inclusive, intervenções armadas contra qualquer país-membro que não mantenha “um sistema democrático”. Essa proposta foi formulada em um almoço onde se encontravam o então presidente Collor e 21 embaixadores latino-americanos, durante uma visita do presidente Bush ao Brasil. O “Financial Times”, de Londres, de 11 de janeiro de 1991, referindo-se a esse fato, expressou que o Ministro da Fazenda argentino Domingo Cavallo, “está tratando de interessar seus vizinhos em um pacto de segurança regional que manterá os generais fora da política e ocupados com deveres não ameaçadores, como proteger o meio ambiente e erradicar o narcotráfico”.
Prosseguindo, em 15 de abril de 1991, Luigi Einaudi, então homem-chave do Departamento de Estado no projeto anti-militar denominado “Manual Bush”, e na época também embaixador dos EUA junto à OEA, disse, em um seminário sobre “O Futuro da OEA e a Segurança Hemisférica”, realizado no Centro Woodrow Wilson, que as atuais estruturas da OEA e da Junta Interamericana de Defesa (JID) “são inadequadas para garantir a segurança hemisférica”. Expressou sua “grande frustração pela incapacidade de reunir a OEA e a JID - a autoridade política e a autoridade militar institucional -. Está claro que é hora de que traduzamos a solidariedade democrática que temos logrado no hemisfério em uma definição e papel para os militares”.
Posteriormente, ainda em abril de 1991, um dos membros fundadores do Diálogo Interamericano, o ex-Secretártio de Defesa dos EUA, Robert McNamara, em discurso durante a reunião anual do Banco Mundial, entidade da qual foi presidente, exigiu que as instituições financeiras internacionais condicionassem suas ajudas a drásticas reduções dos orçamentos militares das nações que recebiam ditos benefícios. Essas reduções, segundo McNamara, acelerariam o processo de substituição das instituições militares nacionais por forças supranacionais da ONU. A doutrina de segurança da Nova Ordem Mundial deveria ser a “ação coletiva” de conformidade com a intervenção da ONU no Iraque. McNamara instou que a OEA também se transformasse: “Um acordo do Conselho de Segurança da ONU de que os conflitos regionais que coloquem em perigo a integridade territorial sejam enfrentados com a aplicação de sanções econômicas e, se necessário, ações militares impostas por decisões coletivas e utilizando forças multinacionais (...) Um mundo assim necessitaria de um líder e não vejo alternativa a que o papel de liderança seja cumprido pelos EUA (...) Organizações como a OEA e a Organização de Unidade Africana (OUA) devem funcionar como braços regionais do Conselho de Segurança”.
Em fins de novembro de 1991, Guillermo Kenning Voss, importante empresário boliviano, na época presidente da Corte Eleitoral de Santa Cruz de la Sierra, definiu que a Bolívia já não precisava de Forças Armadas. Logo em seguida, em 1 de dezembro, o jornal boliviano “Última Hora”, analisando essa declaração, transcreveu trechos do “Manual Bush”.
Quando ficou claro que os militares e civis bolivianos levavam a sério a existência desse Manual, a embaixada dos EUA em La Paz difundiu, em 7 de dezembro, um comunicado à imprensa esclarecendo que o chamado “Manual Bush” é o livro “Os Militares e a Democracia”, mas que ele, todavia, “não tem qualquer relação com o governo norte-americano”, o que não é verdade, pois o prefácio do livro assinala que o governo dos EUA custeou o projeto e que o Exército, o Departamento de Defesa e o Departamento de Estado deram assessoria e apoio logístico para realizá-lo.
Em maio de 1992, os uruguaios Juan Rial e Carina Perelli, membros de uma sociedade de análise política uruguaia, denominada “PEITHO”, considerada o braço latino-americano do Diálogo, entrevistados no programa de rádio “En Perspectiva”, entrevista posteriormente publicada na revista “Círculo Militar”, do Uruguai, argumentaram que as mudanças nas Forças Armadas são necessárias; disseram que as nações necessitam de Forças Armadas, mas elas devem ser “reestruturadas” segundo as normas fixadas pela “Nova Ordem Mundial”: cortes orçamentários, redução de efetivos, abandono da missão histórica de defender o Estado Nacional, participação em forças multinacionais, etc. “As Forças Armadas terão que aceitar que as coisas não podem continuar como até agora; que certas mudanças terão que ser feitas, porque há uma mudança muito forte em nível mundial que indica que as grandes organizações de tipo estatal estão em crise (...) As Forças Armadas, como uma instituição estatal, sofrem o mesmo destino que todos os demais organismos do Estado: perdem poder, perdem dinheiro e perdem lugar”. Perguntados sobre qual o papel das Forças Armadas latino-americanas, hoje, Juan Rial e Carina Perelli responderam: “Fundamentalmente, sobreviver”.
Posteriormente, em um simpósio de três dias realizado no Centro Woodrow Wilson, em Washington, no período de 19 a 21 de outubro de 1992, sob o título “Ensinamentos da Experiência Venezuelana”, dedicado a analisar as conseqüências, tanto na Venezuela como em toda a região, do levante militar ocorrido naquele país em 4 de fevereiro de 1992 contra o então presidente Carlos Andrés Perez, os participantes foram mais francos do que de costume e apontaram os militares como um dos grandes fatores que mantêm viva na América Latina “a cultura do nacionalismo econômico” e, com isso, as possibilidades de rebelião.
Registre-se que, nesse seminário, o analista militar brasileiro Alexandre Barros - foi assessor do comando da Escola Superior de Guerra em 1973 e 1974 e posteriormente passou a preparar análises de risco para investidores estrangeiros no Brasil -. Em 30 de outubro de 1988, em uma dessas análises de risco, declarou ao jornal “O Estado de São Paulo” que o Brasil “está caminhando para um golpe de Estado”, pois o governo Sarney “é fraco, hesitante e indeciso, portanto perigoso para o capital estrangeiro”. Encabeçou os ataques contra os militares, jactando-se, com arrogância, de que o desmoronamento de seus salários e do seu prestígio criaram uma “profunda crise de identidade entre os militares no continente”, assegurou que “está crescendo a brecha entre gerações novas e velhas” na instituição militar, e que “a geração mais jovem está imbuída do ponto de vista da sociedade civil (..) Ao ir-se ajustando as novas democracias ao neoliberalismo, os militares tendem a uma visão retrospectiva de buscar o nacionalismo e de regressar à política antiga. Porém, isso mudará, pois a profissão de militar está a ponto de converter-se em uma profissão como qualquer outra”.
Em 14 de dezembro de 1992, o boletim do FMI, “IMF Survey”, referiu-se a um Foro realizado na sede do órgão, em Washington, para discutir o tema de se as instituições financeiras internacionais “têm responsabilidade e recursos para pressionar os países (...) a reduzir o nível de seus gastos militares”.
Nesse Foro, Russel Kincaid, então chefe da Divisão de Facilidades e Emissões Especiais do FMI, fazendo eco da tese central do discurso de McNamara, em 1991, argumentou que o objetivo a ser buscado é “a segurança coletiva (...) que suplante os mecanismos de segurança individual”, acrescentando que alguém ainda terá que “fazer o papel de gendarme mundial”.
O projeto anti-militar busca, sem dúvida, implementar mudanças na Carta da OEA, como já foi exposto. Foram propostas duas mudanças principais: a primeira, objetivando estabelecer mecanismos para suspender ou expulsar da OEA qualquer país cujo governo seja considerado “não-democrático”; a segunda, colocar a Junta Interamericana de Defesa sob a autoridade direta da OEA. Atualmente as atividades da JID limitam-se às de um corpo consultivo dos representantes dos Estados-membros. Caso a Carta da OEA venha a ser emendada, a JID poderia ser transformada em uma força militar supranacional dirigida pela OEA, da mesma forma que são os capacetes azuis da ONU.
Em 27 de outubro de 1992, em uma teleconferência sobre o tema “Relações Cívico-Militares”, organizada pelo Serviço de Informações dos EUA (USIA), o general John Galvin, ex-comandante do Comando Sul dos EUA, explicou que uma aliança como a OTAN, neste hemisfério, poderia levar à redução do tamanho das forças militares: “Poderíamos evitar a necessidade de pensar em uma Força Aérea, Naval e Exército tão grandes para proteger-nos de países vizinhos”.
Robert Pastor Jr., assessor para assuntos de América Latina do Conselho de Segurança Nacional do ex-presidente Jimmy Carter e assessor da equipe de transição do presidente Bill Clinton, escreveu um artigo na influente revista trimestral “Foreign Policy”, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, no outono de 1992, apontando quatro motivos para a criação de uma força militar regional: a necessidade de “uma força da OEA contra o narcotráfico; uma força para supervisionar as tréguas; uma força de paz internacional para restaurar a democracia; e o emprego de “uma pequena força interamericana” para defender o Canal do Panamá, agora que o Panamá já não tem Forças Armadas. Pastor propôs ainda que se estabelecesse na região “um centro independente com autoridade para reunir informação detalhada sobre todas as vendas de armas, dando-se o prazo de um ano aos governos para planejar reduções de 50% em suas compras de armas e gastos de defesa, com exceção dos EUA, que tem responsabilidades globais”. Observou que haveria resistência das lideranças militares, “mas isso poderia ser contido, porque a melhor forma de incentivá-los na nova ordem democrática é empregá-los, em forma moderna e legítima, como guardiões da paz internacional”, ou seja, integrando Forças de Paz da ONU. Segundo Pastor, as disputas fronteiriças deveriam também ser submetidas a um controle supranacional, enumerando as disputas territoriais entre El Salvador e Honduras, Peru e Equador, Bolívia e seus vizinhos do Pacífico, e Venezuela e Colômbia, entre outras.
Outro perigoso movimento destinado a fragmentar as nações latino-americanas é o chamado “Movimento pelos Direitos Indígenas”, grupos que operam em quase todos os países do continente. Onde não há indígenas nativos, missionários e antropólogos estrangeiros os constituem ou reconstituem. Esse movimento é financiado, dirigido e promovido desde o exterior como uma força dirigida explicitamente contra o Estado Nacional. Observe-se que em fevereiro de 1993, o Diálogo Interamericano constituiu um grupo de trabalho encarregado de “Divisões Étnicas e a Consolidação da Democracia nas Américas”, com o objetivo expresso de “estimular o debate entre os povos do hemisfério sobre a relação entre os governos e os povos indígenas” e se propôs emitir aos governos da região “recomendações programáticas práticas” sobre a matéria.
Finalmente, nos dias 24, 25 e 26 de julho de 1995, em Williamsburg, Virgínia, EUA, foi realizada uma conferência com a presença dos Ministros da Defesa dos países da América, à exceção de Cuba. A agenda dessa conferência foi a seguinte: transparência e medidas de confiança mútua; cooperação defensiva pós-Guerra Fria; Forças Armadas nas democracias do século XXI. O jornal “Gazeta Mercantil” de 25 de julho, comentando a conferência, escreveu que “os Exércitos das Américas receberão uma lição coletiva e interativa sobre os direitos humanos na primeira reunião da história dos ministros da Defesa da região (...) uma disciplina que o Pentágono introduziu recentemente na controvertida Escola das Américas, em Fort Benning, Geórgia”.
Essas foram, em resumo, as proposições de personalidades, organizações governamentais e não-governamentais dos países do chamado Primeiro Mundo, após o fim da Guerra Fria e do socialismo real, para a estruturação de uma Nova Ordem Mundial que preencha o vazio deixado pelo fim das preocupações estratégicas de lideranças de todo o mundo, das contradições Leste-Oeste, e anteponha-se a antigos problemas que, embora dados como sepultados, ressurgem, como o racismo, o nacionalismo extremado e a religião como fatores aglutinadores de povos, redefinindo unilateralmente conceitos de segurança, estabilidade, ordem e democracia, invadindo áreas da exclusiva competência dos Estados nacionais, notadamente na América Latina, como o tamanho e a finalidade das Forças Armadas, definidas pelas constituições de cada Estado Nacional soberano.
Finalmente, observamos, então, que a Comissão Trilateral e o Diálogo Interamericano buscam os seguintes objetivos:
- manter a hegemonia econômica, militar, política e social dos EUA no mundo;
- evitar o desgaste dos chamados países centrais, seja pela concorrência entre si, seja por intromissão em áreas de influência alheias;
- impor aos países em desenvolvimento e ao chamado Terceiro Mundo um sistema de divisão de trabalho, onde lhes caiba fornecer produtos agrícolas, matérias-primas e mão-de-obra de baixo custo;
- garantir o fluxo de matérias-primas e insumos energéticos - especialmente petróleo - para os países centrais;
- agir no sentido de que, no futuro, as fontes de energia do planeta estejam sobre o controle exclusivo dos países centrais;
- impedir que os países periféricos consigam dominar o ciclo completo de geração de energia nuclear, utilizando para isso o argumento da não-proliferação de armas nucleares;
- manter algumas áreas, ricas em matérias-primas e minerais, sob controle internacional, para uma futura exploração, em benefício próprio;
- estrangular economicamente os países periféricos que se recusarem a aceitar a divisão de trabalho estabelecida;
- intervir militarmente nas áreas onde houver o que for considerado uma grave ameaça aos interesses dos países centrais, rateando entre si os ônus financeiros dessas atividades.
As Forças Armadas e os Órgãos de Inteligência dos países-alvo são encarados, como revelam os dados aqui transcritos, “os maiores inimigos dessas atividades” e, portanto, devem ser desmantelados, desmoralizados, oprimidos economicamente, transformados em órgãos policialescos e, se necessário, eliminados. Recordamos a intensa campanha desenvolvida em passado recente por determinados órgãos da mídia visando ridicularizar os membros dos Órgãos de Inteligência - “arapongas” - , minimizar a importância das Forças Armadas e desmantelar a indústria bélica “numa era em que a ameaça comunista deixou de existir”.
Esta matéria é concluída com um trecho do livro “A Terceira Onda - A Democracia no Final do Século XX”, de Samuel Huntington, considerado o ideólogo da Comissão Trilateral, professor da Universidade de Harvard, especialista em assuntos de segurança e governo desde 1957:
“Deve-se reduzir drasticamente o número de tropas sediadas na capital e arredores. Elas devem ser deslocadas para as fronteiras e outros lugares despovoados e relativamente remotos.
Deve-se dar-lhes brinquedos. Isto é, proporcionar-lhes tanques novos e bonitos, aviões, veículos blindados, artilharia e equipamentos eletrônicos sofisticados. O equipamento novo os manterá contentes e ocupados, tratando de aprender a manejá-lo (...) Os militares devem ser advertidos de que só continuarão recebendo seus brinquedos se tiverem bom comportamento, porque os legisladores norte-americanos não vêem com bons olhos a intervenção dos militares na política.
Já que aos militares lhes encanta o reconhecimento (...) assistir às cerimônias militares, outorgando-lhes medalhas (...) Alcançar e manter um grau de organização política capaz de mobilizar apoio nas ruas da capital, em caso de tentativa de golpe militar.
Se tudo isso falhar, abolir as Forças Armadas”.
Dados Bibliográficos:
- “El Complot para Aniquilar a las Fuerzas Armadas y a las Naciones de Iberoamérica”, de autoria de Executive Intelligence Review, Washington, 1993
- noticiário da imprensa nacional e internacional.

Ame-o e vá de jegue!



PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA
CORREIO BRAZILIENSE - 31/05
Sem sucesso, petistas e blogueiros chapas-brancas provocam a oposição para que entre num jogo em que ela só tem a perder: o de se declarar contrária à Copa ou a de torcer contra a Seleção. Nos protestos de rua, até agora, o que se vê são sobretudo articulações de sindicalistas, como a de professores que cercaram o ônibus da Seleção Brasileira no Rio.
Na terça-feira, em plena capital da República, um confronto que assombrou o mundo: índios de arco e flecha enfrentando balas de borracha e bombas de gás disparadas por policiais. Em São Paulo, um escândalo que - em tempos de forte oposição ao governo - sacudiria o país passou quase despercebido: a polícia disse ter flagrado um deputado do PT participando de uma reunião com membros do PCC para incendiar uma greve de ônibus em São Paulo. No entanto, praticamente ninguém se escandalizou com o episódio.
Nas rede sociais, observo, trava-se um verdadeiro ame-o ou deixe-o, com os petistas no papel verde-oliva. Da parte da população, muita indignação com o gasto de recursos públicos para erigir estádios monumentais, quando nunca na história do país se viu tamanha disposição em construir escolas e hospitais de boa qualidade. Há também muitos comentários contra as manifestações violentas. Pondera-se que já não há mais o que se possa fazer a essa altura dos fatos.
Sim, é verdade: quando se anunciou que a competição seria no país, em 2007, todo mundo comemorou. Afinal, havia a promessa de que as arenas seriam construídas com verba da iniciativa privada. E que haveria para a população em geral um vasto legado, como VLTs, metrôs e até trem-bala. Infraestrutura de primeiro mundo. A realidade, porém, revelou-se bem diferente. Exigir metrô até os estádios, disse Lula, é babaquice. Trem-bala, então, nem sonhar. Daí as gigantescas manifestações populares em junho de 2013. Mas o movimento pacífico acabou envenenado pela violência de black blocs e da polícia, para alívio dos corruptos, um dos principais alvos dos protestos.

Esperança, Fé, Vida...



É dez vezes mais fácil culpar o outro pelo fracasso do que assumir o próprio erro.
A consciência é o próprio sentimento de justiça que está presente em cada um de nós, visando orientar e entender os comportamentos e ações cometidos na particularidade do ser.
O verdadeiro amor é construído dentro daquele que vê além das falsas realidades.
Se tiver razão permaneça calado, se não tem razão mantenha-se no silêncio constante.
Perder a lucidez é algo triste, mas ao mesmo tempo é um processo doloroso de redescobrir o presente como um momento único, um contexto de dor, exílio e muito sofrimento
O contexto social que nos circunda é uma droga letal, poucos são os sobreviventes.
Riqueza é poder ajudar outro sem perguntar até quando, e ser feliz em ajudar.
O segredo do sucesso é fazer tudo com amor. Utilizemos o amor como elemento principal da nossa receita do bem viver.
Trabalhemos em prol da humanidade, difundindo a paz na imensidão desse vasto planeta.
Procuremos a liberdade a qualquer preço, sem provocar a morte de inocentes.
Viver é uma arte que se renova todos os dias.




Dhiogo José Caetano

Juízes baianos reclamam da falta de condições de trabalho

Yuri Silva
A TARDE
  • Margarida Neide | Ag. A TARDE
    Assembleia realizada na sexta-feira, 30, por juízes do primeiro grau
Segundo dados da Associação dos Magistrados da Bahia (Amab), um terço dos 538 juízes baianos que atuam na primeira instância não têm assessores ou servidores.

Ainda conforme a entidade, o Judiciário estadual tem 1,5 milhão de processos acumulados, só no primeiro grau da jurisdição. São cerca de 2.800 processos por ano para cada juiz, aponta a Amab.

Para tentar reverter estas estatísticas e cobrar melhores condições de trabalho ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), gestor do Poder Judiciário estadual, cerca de 100 juízes de primeiro grau aprovaram ontem, em assembleia que aconteceu no Salão do Juri do Fórum Ruy Barbosa,
a criação de uma campanha de valorização da categoria.

Eles reclamam da falta de servidores, da grande demanda de processos, da precariedade do sistema informatizado, entre outros problemas estruturais.

Por meio de nota, a assessoria de comunicação do TJ-BA afirma que "a presidência do tribunal, em pouco mais de três meses da nova administração, vem promovendo ações para prestar melhor serviço ao cidadão".

"A presidência considera o interesse dos juízes como um benefício para o avanço da luta em defesa de um Poder Judiciário vigoroso, pleno e fortemente vinculado aos princípios da democracia e da República, levando em alta conta o conceito de 'direitos e deveres iguais para todos'", diz trecho do texto.

De acordo com Marielza Franco, presidente da Amab, a principal crítica dos magistrados é ao "benefício" dado pelo TJ ao segundo grau. Conforme a juíza, as medidas em prol da moral adotadas pela gestão do presidente Eserval Rocha são aplaudidas pelos magistrados. "Os problemas dos quais reclamamos são os estruturais. Concordamos com as medidas moralizantes", especifica Marielza.

Mobilização

Segundo a juíza substituta Carla Ceará, que coordena a idealização da campanha de valorização dos magistrados junto a uma agência de publicidade, o objetivo é sensibilizar a população. "Precisamos da população como aliada, até porque ela não nos vê com bons olhos", considera.

O slogan da campanha, "A Justiça pede socorro", tem o objetivo de chocar, afirma a juíza. Em breve, segundo a Amab, veículos de TV, rádio e outdoors estarão estampando o apelo da categoria.

No dia 23 de julho, os juízes organizarão um evento na frente do Fórum Ruy Barbosa, onde darão orientação jurídica à população. "Será um serviço de informação sobre varas do Consumidor, Infância, de Família, Criminal", detalha a presidente da Amab.

A data, chamada de "dia de mobilização" pela associação, "visa tornar público a situação vivida pelo Judiciário", afirma a juíza Carla Ceará.

Presidência do TJ-BA destaca 35 medidas já adotadas

Um documento enviado pela assessoria de comunicação do TJ-BA ao A TARDE lista 35 medidas de melhorias tomadas pelo presidente da Corte, Eserval Rocha.
Entre elas estão muitas de contenção de gastos, como bloqueio de 92 linhas telefônicas corporativas, redução do número de carros de serviço, estabelecimento de meta de redução de 30% de cargos comissionados, decreto regulamentando gestão de gastos com pessoal, além de 20 reformas ou construção de fóruns e tribunais no interior do estado, incluindo a estrutura da Câmara do Oeste.

Resolução

A resolução nº 194/2014 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu, em maio, a Política Nacional de Atenção Prioritária ao Primeiro Grau de Jurisdição, que  tem como objetivo “desenvolver, em caráter permanente, iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento da qualidade, celeridade, eficiência, eficácia e efetividade dos serviços judiciários da primeira instância dos tribunais brasileiros”.

Este é o principal argumento utilizado pela Associação dos Magistrados para cobrar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) as reivindicações apresentadas.

Das medidas expostas pelo TJ-BA,  parte é criticada pelos magistrados filiados à Amab. Segundo a presidente da entidade, Marielza Franco, a construção da Câmara do Oeste, por exemplo, será alvo de uma Ação de Inconstitucionalidade (Adin), a ser entregue no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não somos contra a câmara, mas ela não é prioridade neste momento. Além da criação da câmara, extingue 34 varas de 1ª instância na capital e cria 34 varas no 2º grau”, reclamou a juíza.

Aluguel no São João chega a triplicar renda no interior

Fábio Bittencourt
A TARDE
  • Luiz Tito | Ag. A TARDE
    Placas estão em bares, lojas e até em postes
Se o São João é esperado com ansiedade por quem pensa em curtir os festejos juninos ao lado de amigos e familiares no interior, imagina para os moradores que veem no evento a oportunidade de ganhar um dinheiro extra - entre R$ 500 e R$ 6 mil - alugando a casa onde moram no período.

A reportagem de A TARDE apurou que os valores, referentes ao período de quatro a sete dias, representam o dobro, às vezes o triplo, da renda mensal percebida pela maioria dos proprietários desses imóveis.

Caso da motorista de van escolar Antônia Queiroz, 41, residente no município de São Gonçalo dos Campos (a 108 km de Salvador), que fatura cerca de R$ 3 mil ao mês fazendo transporte escolar, mas nesta época do ano chega a ganhar R$ 6 mil com o aluguel do sobrado de quatro quartos e vaga para cinco veículos na garagem.

"A casa fica praticamente dentro da festa. A prefeitura já confirmou atrações como Luan Santana, Limão com Mel, Léo Santana e Thiaguinho. Alugamos a nossa casa anterior umas três vezes, e esta, como é nova, será a primeira. Com o dinheiro a gente pensa em instalar portão eletrônico na garagem e grades de segurança", conta ela, que diz se refugiar na casa de uma sobrinha durante os dias.

Ganhando menos de um salário mínimo como operadora em uma indústria calçadista (a remuneração é por hora trabalhada) e dona de um imóvel de três quatros, em Amargosa (a 235 km da capital), Rita Correia diz que os R$ 1.400 esperados pelo aluguel vão servir para a reforma da casa e compra de alguns eletrodomésticos, como som ou geladeira.

"É muito importante (o dinheiro), ajuda muito. A gente batalha o mês inteiro para ganhar menos da metade disso. O São João vem sempre em uma boa hora", afirma ela.

De um modo geral, segundo corretores e proprietários, a maioria dos imóveis é alugada mobiliada; o pagamento é feito com 50% do valor adiantado e o restante no dia da chegada à casa; e quase em nenhum dos casos é especificado o número máximo de inquilinos (hóspedes). "Vai da consciência de cada um", diz Rita Correia.

Destinos mais procurados

Segundo a reportagem apurou, as oportunidades vão de casas de um a quatro quartos até fazendas (chácaras) - para um período de cinco ou seis dias (19 a 25 de junho). E os destinos mais procurados - distantes até 230 km da capital - são Cachoeira, Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Cruz das Almas e São Gonçalo dos Campos.

A estimativa da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transporte Público e Comunicações (Agerba) é que 241 mil passageiros deixem a capital via rodoviária, que contará com nada menos que 1.800 ônibus extras, dos atuais 540. Já a Internacional Marítima, empresa que opera o sistema ferryboat, informou que só vai divulgar estimativa na véspera do São João.

"O São João agrega muito, principalmente onde a festa tem bastante tradição. Em 2012, por exemplo, ficamos, quatro casais, em uma casa de quatro quartos, em Piritiba, com piscina e ar-condicionado por R$ 4 mil. Ou seja, R$ 1 mil para cada par. Este ano, com mais feriados, vai render mais, e os corretores vão se dar bem", diz o vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis da Bahia, Márcio Bulhões.

Para o sócio da Novoendereço Imóveis, Manoel Teixeira, é preciso, porém, que inquilinos e proprietários se cerquem de cuidados para que a festa não termine em dor de cabeça.

Ele destaca, para tanto, a exigência de um caução - prevendo algum dano material -, bem como a confecção de um contrato de aluguel relacionando os itens deixados na casa e seu estado de conservação. "As medidas protegem o dono do imóvel, em um primeiro momento, e o contratante, no segundo. É a segurança da formalização do negócio".

Para quem viaja em grupos menores, porém, uma alternativa de hospedagem são os estabelecimentos cadastrados no chamado programa Cama e Café. Lançado em 2013 pelo governo do estado em parceria com o Sebrae, o projeto já capacitou cerca de 80 empreendedores em cidades como Santo Antônio de Jesus, Cachoeira, Cruz das Almas e Amargosa.

"São casas simples, em que os moradores abrem suas portas e destinam até três quartos para o turismo, oferecendo pernoite e café da manhã, sem a impessoalidade de um hotel. As diárias variam de R$ 40 a R$ 100", diz o técnico do Sebrae André Gustavo de Araújo.

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Condições A maioria
dos imóveis é alugada mobiliada; o pagamento é feito com 50% do valor adiantado e o restante no dia da chegada à casa; e quase em nenhum dos casos é especificado o número máximo de inquilinos (hóspedes)
Cidades mais procuradas
Os destinos mais procurados – a até 230 km de Salvador – são Cachoeira, Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Cruz das Almas e São Gonçalo dos Campos
Disponibilidade
Há casas de um a quatro quartos até fazendas (chácaras) – para um período de até sete dias (19 a 25 de junho)

Quase 90% dos brasileiros fumantes lamentam ter consumido 1º cigarro


por
Agência Brasil

A maioria dos brasileiros fumantes (85% - 89%) lamenta ter dado início ao hábito. Os dados fazem parte da Pesquisa Internacional de Tabagismo (ITC, na sigla em inglês), apresentado nesta sexta (30), em razão do Dia Mundial sem Tabaco, lembrado neste sábado (31).
A militar aposentada Vânia Cristina da Costa, 55 anos, é uma das brasileiras que compõem essa estatística. Ela diz que começou a fumar aos 15 anos, por modismo, que se arrepende da decisão e tem medo das consequências.
"Cigarro é minha válvula de escape. Se eu estou estressada ou tenho um problema grave eu fumo e me acalmo. Aos 15 anos, quando comecei, era moda adolescente. Hoje me arrependo de ter começado a fumar, principalmente, por trabalhar na área de saúde. E tenho receio de ter um câncer de pulmão ou algo assim", lamenta.
De acordo com a pesquisa, 54% dos brasileiros relatam um alto grau de dependência à nicotina. Os dados mostram que mais de dois terços dos brasileiros fumantes têm uma opinião negativa em relação ao tabagismo e que 80% deles já tentaram parar de fumar.
Ainda de acordo com a pesquisa, a maioria dos fumantes brasileiros não quer fumar, mas está presa pela dependência e apoia o fortalecimento de ações de combate ao tabagismo.
Apesar das dificuldades de largar o cigarro, o engenheiro de sistemas Cleto Praia, 63 anos, mostra que é possível parar. "Comecei a fumar na adolescência parei e voltei a fumar várias vezes. Agora já tem nove anos que não fumo e não sinto vontade. Pode fumar do meu lado que não me incomodo”, disse.
“Depois que parei de fumar, tudo melhorou. Se eu não tivesse parado estaria morto, eu tinha muitos problemas respiratórios, fumava três maços num só dia e agora caminho duas horas por dia", conta.
O estudo foi coordenado pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e desenvolvida em 20 países. No Brasil, foram ouvidas 1.830 pessoas de três capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Evite jogar no lixo os remédios vencidos


por
Rayllanna Lima
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
Foto: SXC/Creative Commons
O único local correto para o descarte de medicamento vencido é em farmácias que possuam o Programa de Descarte
O único local correto para o descarte de medicamento vencido é em farmácias que possuam o Programa de Descarte
Você sabe o que deve ser feito com medicamentos vencidos? Essa é uma questão que não costuma passar pela cabeça da população. O descarte inadequado de medicamentos vencidos podem causar danos tanto para a saúde quanto para o meio ambiente.
O lixo doméstico ou o vaso sanitário não são o destino recomendado para esses produtos. Mas então, o que fazer com esses medicamentos quando eles não são consumidos e perdem o prazo de validade?
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estima-se que de 5 mil a 34 mil toneladas de medicamentos são geradas anualmente no país.
De acordo com a farmacêutica da Secretária Municipal de Saúde Salvador (SMS) Maria Fernanda Barros, o melhor destino para esses remédios é em farmácias.
“O único local correto para o descarte de medicamento vencido é em farmácias que possuam o Programa de Descarte. Quando medicamentos são jogados em lixo domiciliar, esgoto ou vaso sanitário pode causar danos ambientais e danos para a saúde da população. Como dano ambiental pode ter contaminação da água, do solo e de animais. Como danos à saúde podemos citar intoxicação por medicamento”, explica Maria Fernanda.
Ainda de acordo com a farmacêutica, existe na capital baiana um grupo de estudo sobre descarte de medicamentos vencidos ligado ao Conselho Regional de Farmácia, onde farmacêuticos e outros setores da comunidade estão envolvidos, que possui relação direta com o Ministério Público e Secretaria Municipal de Saúde. “O próximo passo do grupo é realizar campanhas educativas para orientar a população e capacitar multiplicadores”, afirma.
Orientações sobre o descarte correto de remédios que já passaram da validade também são passadas em campanhas feitas por universitários. É o que afirma a formanda em Farmácia na Faculdade de Tecnologia e Ciências, Daiane Bastos. “Lutamos para que o descarte correto seja feito. Em 2013 fizemos uma campanha em um colégio no Bairro da Paz, onde tentamos conscientizar às pessoas para não misturar esses tipos de medicamentos com o lixo comum, e levarem aos postos”, disse.
De acordo com Daiane, além das farmácias preparadas para receber tais medicamentos, as universidades que possuem o curso de Farmácia também são uma opção para descarte correto.
Graças ao programa Descarte Consciente, os soteropolitanos podem evitar que remédios vencidos causem intoxicação ou contaminem solos e cursos d’água com substâncias químicas. A ação do programa envolve um sistema de recolhimento e destinação correta de medicamentos vencidos ou em desuso.
Criada pela Brasil Health Service (BHS), empresa de tecnologia e inovação em saúde, a iniciativa tem validação da Anvisa e é promovida em parceria com integrantes da cadeia produtiva farmacêutica.
A Farmácia-Escola da Universidade Federal da Bahia (UFBA) (Farmácia Popular do Brasil) participa deste projeto, contando com um preservômetro, que é uma estação coletora que foi desenvolvida com alta tecnologia e segurança visando a atender às exigências sanitárias e facilitar o descarte adequado de seus medicamentos.
Além da Farmácia Popular do Brasil, outros pontos de coleta no estado da Bahia são as farmácias: Apoio, A Fórmula, Bompreço, Santana, Pague Menos e Drogasil.
O que fazer
1. Separa em sua casa Verifique na sua casa a data de vencimento de seus medicamentos. Separe os vencidos e aqueles que você sabe que não serão mais usados.
2. Descarte corretamente - Leve-os com suas respectivas caixas a uma das farmácias participantes. Na estação coletora, siga a orientação de registro, separação, inutilização das embalagens e deposite separadamente nos locais indicados.

Segredos das pessoas que não adoecem


por
Ciclo Vivo
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
Foto: Divulgação
Ter uma vida saudável traz benefícios visíveis, mas exige um esforço e dedicação que nem todos estão dispostos a enfrentar. Exaustivamente, o assunto é tema de livros, reportagens, palestras, cursos, uma vez que público não falta.
A escritora norte-americana Gene Stone lançou o livro “Os segredos das pessoas que nunca ficam doentes”. Um ponto interessante da publicação é que ela menciona as populações que dificilmente ficavam doentes. Os cinco locais que abrigam povos mais saudáveis são: a Barbagia, na Itália; Okinawa, no Japão; a comunidade dos Adventistas do Sétimo Dia, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha grega de Ikaria.
Ao longo do livro ela fala sobre técnicas que se mostraram eficientes na cura de doenças. Já o norte-americano Dan Buettner escreveu o livro “Blue Zones: lições de pessoas que viveram muito para quem quer viver mais”, que virou best-seller.
Baseados neste livros, a Revista Viva Saúde reuniu as 50 dicas mais eficazes para evitar doenças. A seleção é comentada por 21 especialistas brasileiros. Veja abaixo dez destes segredos:
- Beber bastante água (mesmo se não tiver sede);
- Trocar o café pelo chá-verde;
- Eliminar os alimentos com gorduras trans e gorduras saturadas;
- Ir ao dentista regularmente (muitas doenças podem ser detectadas na consulta);
- Aproveitar o contato com a natureza;
- Reduzir o consumo de carnes vermelhas;
- Dormir bem;
- Ter tempo para família e brincar com crianças;
- Evitar o consumo de sal, condimentos, pratos prontos, embutidos e enlatados;
- Estudar sempre para exercitar o cérebro.

Dinheiro traz felicidade?


por
iG São Paulo

Possivelmente não há um só adulto na face da Terra que não tenha se perguntado em algum momento se, afinal, dinheiro traz ou não felicidade. Por um lado, o dinheiro facilita a vida e a realização dos mais diversos desejos. No entanto, não é raro ver pessoas que trocaram a prosperidade de uma vida estável para buscar a verdadeira felicidade em outras atividades e profissões.
Para a pergunta polêmica, a resposta é simples: traz sim, desde que seja na medida. Dinheiro quando é de menos cria problemas e quando é demais, pode acreditar, também pode estragar a felicidade. Duro mesmo é acertar quanto dinheiro cada um precisa para se manter dentro do equilíbrio.
Angus Deaton e o psicólogo dono de um Nobel em Economia, Daniel Kahneman, chegaram a um valor médio. Um estudo feito pela dupla na Universidade de Priceton apontou um salário ótimo de US$ 75 mil anuais, ou R$ 165 mil em 12 meses.
Foram pesquisados 450 mil americanos ao longo de dois anos para chegar a este valor, mas será que você deve buscar incessantemente os R$ 13,7 mil mensais? Não necessariamente. “Tem gente que precisa de muito mais que isso e há quem precise de muito menos, isso é apenas uma média que norteia o pensamento sobre o assunto”, comenta o educador financeiro André Massaro.
Os males da escassez de dinheiro não são difíceis de imaginar. Dívidas, falta de acesso a saúde, à boa alimentação e à moradia adequada são exemplos claros do limite da pobreza. A extrema riqueza também traz seus percalços: seguranças por todos os lados, pessoas interesseiras ao redor e uma montanha de ativos para administrar também não parece bom.
É nas tonalidades entre uma ponta e outra que fica a larga maioria de pessoas; aquelas que sempre pensam que, com um dinheirinho a mais, a vida ficaria muito mais feliz.
Quem não consegue ganhar o suficiente para atender suas reais necessidades – que nem sempre são só as básicas – sofre com o desconforto, mas o que dói mesmo é o desejo de ascensão. “Muitas pessoas gastam mais do que ganham, isso acaba virando um ciclo muito ruim porque gera outras angústias também relacionadas ao dinheiro”, diz Aline Rabelo, coordenadora do Investmania.
Aí vem o endividamento e a o desejo de ascensão vira sensação de inferioridade, depois angústia pela impossibilidade de pagar as dívidas, e por aí vai. “O ideal é adequar seu padrão de vida à sua capacidade financeira. O que não pode é ficar vivendo em função do dinheiro.”
A mesma regra é válida no sentido oposto. O dinheiro é uma ferramenta para uso e não para autodeterminação. “O problema é quando o dinheiro sai da posição de utilidade e vira ferramenta de medição de sucesso financeiro”, sinaliza André Massaro. Principalmente por que é difícil encontrar alguma necessidade que um bilionário possa pagar e um milionário não. “A diferença de qualidade de vida é muito pequena e o incômodo é sempre ascendente.”
Calcule o seu ponto ótimo de equilíbrio financeiro
Adequar o estilo de vida ao salário evita que os problemas de ordem prática surjam. No entanto, não significa que você não deva buscar melhores rendimentos.
Quanto dinheiro você precisa para ser feliz vai depender dos seus valores. “É importante descobrir qual o significado do dinheiro e quais sentimentos estão relacionados a ele”, comenta a psicóloga Beatriz Bernardi. “Cada pessoa vai identificar de uma forma diferente.”
Daí para frente, Massaro sugere uma profunda reflexão para chegar a uma resposta mais palpável. É um exercício mental que dá muito trabalho, mas é compensador. Pergunte-se o que você realmente quer.
“Quando paramos para pensar nisso percebemos que há um monte de coisas que queremos porque os outros enfiaram na nossa cabeça que deveríamos querer”, explica o educador financeiro. “Se tudo for muito importante, é provável que você esteja se deixando levar.”
A partir daí, o planejamento é simples: faça as contas. Inclua quanto dinheiro você gastaria com lazer, com conforto e tudo mais que for realmente importante – não só a primeira necessidade. Persiga esse valor – e não a política do quanto mais, melhor.
Lembre-se de revisitar seus planos sempre. “A gente tem de encarar planejamento financeiro como exames médicos. Não é agradável, mas é necessário”, diz Massaro. “Quando entra no automático, a gente nem sente mais a chatice.”

Maio teve paralisação de ônibus em 11 capitais; veja motivos e resultados


Quatro capitais tiveram protestos liderados por dissidentes de sindicatos.
Benefícios são pontuais; alguns casos foram considerados abusivos.

Do G1, em São Paulo
Rio greve ônibus circulam (Foto: Jose Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo)Ônibus ficam lotados durante paralisação no Rio (Foto: Jose Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo)
As greves de ônibus atingiram 11 capitais brasileiras neste mês de maio. Os rodoviários cruzaram os braços e reivindicaram reajuste salarial, benefícios e melhores condições de trabalho, como o fim da dupla jornada de motoristas que acumulam a função de cobradores. Em alguns casos, funcionários obtiveram benefícios pontuais. Em outros, houve greves consideradas abusivas pela Justiça. Em algumas cidades, a greve ainda continua.
Belém, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Manaus, São Luís e Teresina tiveram as greves lideradas pelos sindicatos locais; já em Goiânia, Salvador, São Paulo e no Rio de Janeiro, grupos de rodoviários dissidentes que não concordaram com o acordo firmado entre sindicato e patrões começaram a paralisação. Veja, abaixo, como foi cada movimento grevista e os resultados:
Amazonas


Quem fez a greve: trabalhadores de quatro empresas do transporte público de Manaus, liderados pelo sindicato dos rodoviários.
Dezenas de coletivos ficaram parados no terminal por mais de uma hora no Centro de Manaus (Foto: TV Amazonas/Reprodução)Dezenas de coletivos ficaram parados no terminal
no Centro de Manaus
(Foto: TV Amazonas/Reprodução)
Motivo: retaliação da categoria contra o desconto em folha de pagamento em decorrência de uma greve que ocorreu no dia 1º de junho de 2013. Além do desconto, eles cobravam ainda pagamento de vale alimentação do primeiro turno, pagamento de férias, entrega de folha de ponto e contracheque, repasse do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Duração: a paralisação começou no dia 7 de maio e terminou no dia 8, após uma liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) ser expedida pedindo o afastamento de toda a diretoria do sindicato dos rodoviários.
Resultado: nenhum acordo foi fechado e nenhuma reivindicação foi atendida. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), um novo acordo é negociado há dois meses com os trabalhadores, mas ainda sem sucesso. O sindicato das empresas alega que aguarda os sindicalistas entrarem com o Dissídio Coletivo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para a convenção 2014/2015. As propostas para a convenção são de 6% de reajuste salarial, 7,18% na cesta básica, 10% no vale refeição e 16,67% no lanche, o que resultou uma proposta de reajuste médio de 9,96%.
Bahia


Quem fez a greve: grupo dissidente do sindicato dos rodoviários de Salvador.
Ônibus coletivos não deixaram garagens na manhã desta quarta-feira (28) (Foto: Reprodução/TV Bahia)Ônibus coletivos não deixaram garagens na manhã
desta quarta-feira, 28 (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Motivo: trabalhadores discordaram da decisão do sindicato, que aceitou uma proposta feita por empresários. Os patrões ofereceram  9% de reajuste, com aumento de também 9% do vale alimentação sem discussão sobre a jornada. Já os dissidentes queriam 12% de reajuste salarial, R$ 17 no vale alimentação e jornada de 6 horas e 40 minutos, com mais 20 minutos de descanso.
Duração: a paralisação começou no dia 26 de maio e terminou no dia 28.
Resultado: após o início da greve e 100% da frota ficar parada, o sindicato voltou atrás e decidiu apoiar os dissidentes e a paralisação. Uma nova assembleia foi realizada e rodoviários e patrões chegaram a um acordo: reajuste de 9% no salário, aumento de R$ 12,23 para R$ 14 no vale alimentação e a redução da jornada de trabalho de 7 horas para 6 horas e 40 minutos, com um intervalo de 20 minutos. A categoria definiu a formação de uma comissão permanente de negociação para tratar da implantação de um plano de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e também do desconto incidido para os trabalhadores referente ao vale alimentação.
Ceará


Quem fez a greve: Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE), em Fortaleza.
Motivo: motoristas e cobradores fizeram paralisação em protesto contra a violência. A manifestação começou após os trabalhadores serem informados de que um motorista e um cobrador haviam sido esfaqueados durante um assalto na noite de quarta-feira (28). Segundo o presidente do sindicato, a categoria espera uma providência dos órgãos de segurança para conter os casos de violência.
Duração: a paralisação começou no dia 29 de maio e ainda segue neste sábado (31).
Resultado: na noite de sexta-feira (30), o sindicato decidiu que fará assembleia neste sábado (31) para apresentar propostas de reajuste salarial aos empresários do setor de transporte público.
Goiás


Quem fez a greve: motoristas do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo), que não representa legalmente a categoria na capital.
Motoristas impedem saída de ônibus para terminais da Grande Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Motoristas impedem saída de ônibus para
terminais em Goiânia (Foto: Reprodução/
TV Anhanguera)
Motivo: dissidentes não concordavam com o aumento de 7% no salário, de R$ 60 no vale alimentação e afirmavam que o Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Passageiros de Goiânia (Setransp) não convidou a categoria para discutir o reajuste. Eles queriam aumento de 15% no salário e de R$ 125 no vale alimentação.
Duração: a paralisação começou no dia 15 de maio e terminou no dia 17, após uma audiência de conciliação.
Resultado: Em audiência no Tribunal Regional do Trabalho, os representantes do Sindicoletivo, Setransp e Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Goiás (Sindittransporte), representante legal dos motoristas, não chegaram a um acordo. Uma nova reunião foi marcada para o dia 4 de junho, para que seja estabelecido um novo acordo entre empresas e sindicatos.
Mato Grosso


Quem fez a greve: Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Coletivo (Stett) de Cuiabá.
Greve de motoristas de ônibus de Cuiabá e Várzea Grande. (Foto: Reprodução/ TVCA)Greve de motoristas de ônibus atingiu Cuiabá e
Várzea Grande. (Foto: Reprodução/ TVCA)
Motivo: rodoviários queriam um novo piso salarial de R$ 1.800, ao invés de R$ 1.680, além de aumento no valor da gratificação paga juntamente com o salário, de R$ 220 para R$ 250. Empresários ofereciam apenas reajuste salarial, para R$ 1.758
Duração: a paralisação começou no dia 20 de maio e terminou no dia 24 após uma assembleia.
Resultado: eles tiveram o aumento salarial de 7,15%, chegando ao piso de R$ 1.800, além dos empresários se comprometerem a aumentar a comissão salarial de R$ 220 para R$ 230 a partir de janeiro de 2015. Os motoristas também vão ganhar protetor solar, terão os demais benefícios mantidos, além de vale alimentação no valor de R$ 100 a partir de julho deste ano.
Os profissionais não tiveram o salário descontado nos dias em que ficaram em greve, mas o sindicato foi multado em R$ 30 mil pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) por descumprir a liminar que determinava que pelo menos 70% da frota deveria circular na capital.
Maranhão


Quem fez a greve: Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Maranhão (Sttrema) de São Luís.
GNews - Greve de rodoviários no Maranhão (Foto: globonews)Greve de rodoviários no Maranhão
(Foto: reprodução/ GloboNews)
Motivo: inicialmente os rodoviários pediram 16% de reajuste salarial, além aumento do vale alimentação para R$ 500 por mês, inclusão de um dependente no plano de saúde e implantação de plano odontológico. Na primeira reunião realizada com os empresários, eles diminuíram o percentual de reajuste para 11%, mantendo os pedidos de benefícios, mas nada foi acordado. Durante as negociações, o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) não apresentou propostas.
Duração: a paralisação começou no dia 22 de maio e ainda segue neste sábado (31). Apesar da mediação do Ministério Público do Trabalho, não houve consenso sobre o percentual de reajuste solicitado pelos rodoviários.
Resultado: após assembleia do sindicato realizada na tarde de quinta-feira (29), os rodoviários mantiveram a paralisação de 100% da frota de ônibus em São Luís, até que saia a decisão do Tribunal Regional do Trabalho no Maranhão.
Na quarta-feira (28), a primeira audiência do dissídio coletivo instaurada pela Justiça, a pedido dos rodoviários, acabou sem acordo no TRT-MA. No início da reunião, a desembargadora Solange Passos Cordeiro ouviu os dois sindicatos e o município - foram três horas de negociação, sem consenso. Agora, será realizada uma audiência de instrução pelo Tribunal Regional do Trabalho, ainda sem previsão para ocorrer.
Pará


Quem fez a greve: Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários do Estado do Pará em Belém.
Ônibus seguiram em comboio para o Tribunal Regional do Trabalho. Belém (Foto: Reprodução/ TV Liberal)Ônibus foram em comboio para o Tribunal
Regional do Trabalho (Foto: Reprodução/
TV Liberal)
Motivo: os rodoviários queriam reajuste de 12% no salário e vale alimentação no valor de R$ 500. Já os empresários propuseram aumento de 7% dos salários, além de aumento no vale alimentação de R$ 385 para R$ 425.
Duração: a paralisação começou na noite de 7 de maio e terminou na tarde de 8 de maio, após uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho.
Resultado: trabalhadores decidiram aceitar a proposta dos empresários de 7% de reajuste salarial, além do vale alimentação no valor R$ 425. Com o acordo, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém se comprometeu a não descontar o dia de paralisação da folha de pagamentos dos trabalhadores.
Piauí


Quem fez a greve: Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Transportes Rodoviários (Sintetro) em Teresina.
Motoristas em greve protestam e obrigam passageiros a sair de ônibus em Teresina (Foto: Catarina Costa/G1)Motoristas em greve protestam e obrigam
passageiros a sair de ônibus em Teresina
(Foto: Catarina Costa/G1)
Motivo: motoristas e cobradores pediam 10% de reajuste salarial e mudança da data-base de maio para janeiro. Já os empresários propuseram 7,5% de reajuste.
Duração: a paralisação começou no dia 23 de maio e terminou no dia 26 de maio, após o Tribunal Regional do Trabalho determinar que 50% da frota circulasse durante a greve sob pena de multa de R$ 10 mil por dia em caso de desobediência.
Resultado: categoria aceitou a proposta feita pelos empresários de 7,5% de reajuste e conseguiu ainda alterar a data-base para janeiro. A pedido dos trabalhadores, serão retiradas as multas de trânsito aplicadas pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) durante o movimento grevista. O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) também prometeu abonar as faltas dos trabalhadores durante os dias parados.
Rio de Janeiro


Quem fez a greve: rodoviários dissidentes do Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Sintraturb) do Rio de Janeiro.
GNews - Greve de ônibus no Rio (Foto: globonews)Greve de ônibus no Rio de Janeiro
(Foto: Reprodução/ GloboNews)
Motivo: grupo dissidente rejeitou o acordo firmado em março entre o Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Sintraturb) e o Rio Ônibus (representante das empresas), que estabeleceu aumento de 10% no salário retroativo a abril, além do salário-base do motorista passar para R$ 1.950. Os rodoviários dissidentes pedem aumento de 40% – passariam a receber quase R$ 2,5 mil – e cesta básica no valor de R$ 400 – era de R$ 100 e subiu para R$ 140. Outra reivindicação é o fim da dupla função, onde motoristas também trabalham como trocadores.
Duração: a paralisação de quarta-feira (28) foi a terceira no mês. A primeira vez foi de surpresa, no dia 8, por 24 horas. Menos de uma semana depois, os grevistas fizeram paralisação de 48 horas, nos dias 13 e 14.
Resultado: em audiência de conciliação realizada na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), no dia 12 de maio, as partes não chegaram a um acordo, determinando o prosseguimento da ação, com abertura de prazo para manifestação das partes e do Ministério Público do Trabalho.
No dia 13 de maio, a desembargadora Maria das Graças Cabral Viegas Paranhos concedeu liminar que determinava a manutenção em serviço de pelo menos 70% do efetivo total do quadro de rodoviários do município do Rio de Janeiro, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, em caso de descumprimento, contra o sindicato dos trabalhadores.
A sessão de julgamento da greve interposto pelo Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) contra o Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros foi então marcada para a próxima segunda-feira (2).
São Paulo


Quem fez a greve: grupo de rodoviários dissidentes do Sindicado dos Motoristas e Cobradores de São Paulo.
Terminal Parque D. Pedro com filas de ônibus parados, na região central de São Paulo, nesta quarta-feira (21) (Foto: Robson Fernandjes/Estadão Conteúdo)Terminal Parque D. Pedro com filas de ônibus
parados na quarta-feira (21)
(Foto: Robson Fernandjes/Estadão Conteúdo)
Motivo: trabalhadores questionavam o acordo feito entre o sindicato e as empresas de ônibus, que foi de 10% de reajuste salarial, vale mensal de R$ 445,50 e participação nos lucros e produtividade de R$ 850, entre outros benefícios.Os dissidentes queriam ao menos 30% de reajuste, R$ 25 de vale refeição ao dia e R$ 1.600 de participação nos lucros.
Duração: a paralisação começou no dia 20 e terminou no dia 22 de maio.
Resultado: acordo entre o sindicato e as empresas de ônibus foi mantido e o reajuste será de 10%. O Tribunal Regional do Trabalho multou sindicatos das empresas e dos motoristas e cobradores em R$ 200 mil. Além da multa, os dias não trabalhados devem ser compensados pelos funcionários.
Santa Catarina


Quem fez a greve: Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano, Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis (Sintraturb).
Ticen permaneceu fechado durante todo o dia (Foto: Beatriz Bucciano/RBS TV)Terminal de Florianópolis permaneceu fechado
durante toda a quarta-feira, 28
(Foto: Beatriz Bucciano/RBS TV)
Motivo: segundo o sindicato, a mobilização ocorre pela manutenção de posto de trabalho, pois cerca de 350 cobradores das nove empresas seriam induzidos a demissão voluntária, devido à automatização das catracas. A prefeitura garantiu que não haveria demissões, mas o sindicato quis ter outras garantias e optou pela greve.
Duração: a paralisação foi de 24 horas no dia 28 de maio.
Resultado: uma audiência de conciliação entre as partes envolvidas foi marcada para a próxima segunda-feira (2), às 15h, na sede do Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina.