quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Pesquisa revela desafios e oportunidades nos conselhos empresariais

 


Estudo feito pela Wide mostra que a necessidade de profissionalização da gestão é um dos maiores impulsos para a área

A criação ou ampliação de um conselho representa, para 50% das empresas brasileiras, uma resposta à necessidade de profissionalizar a gestão, como alavanca de estruturação, sustentação e direcionamento do negócio. Essa foi a principal constatação da pesquisa "A Governança em Evolução: a visão de Conselheiros e Empresários sobre o próximo ciclo das empresas", desenvolvida pela Wide, boutique de recrutamento executiva focado em posições de alta e média gestão, em parceria com a ABC3, Associação Brasileira de Conselheiros Consultivos.      

Realizada entre abril e julho de 2026, o estudo ouviu 178 profissionais, sendo 121 conselheiros e 57 empresários. A amostra conta com empresas de diferentes portes e segmentos, sendo liderada por companhias B2B (26%), Indústria/Manufatura (13%) e Construção/Infraestrutura (11%). Mais de 60% contam com até 200 colaboradores, 55% estão concentradas no Sudeste e 33% têm faturamento superior a R$ 500 milhões/ano.  

A principal prioridade estratégica das empresas ao consolidar um conselho é o crescimento (80%), seguida pelo ganho de eficiência (67%). Em menor proporção, aparecem objetivos como sucessão (17%) e estruturação da governança (13%). 

Quando observada a evolução da governança, percebe-se que a maioria das empresas ainda mantém as decisões concentradas nos fundadores (53%), enquanto em 32% das companhias a liderança já passa a conduzir esse tema com maior autonomia. Sob a perspectiva de acionistas e empresários, as principais carências percebidas nos Conselhos estão relacionadas à ausência de direcionamento estratégico (55%) e à falta de uma visão mais robusta sobre tecnologia e transformação digital (45%) — lacunas que tendem a ganhar relevância à medida que as empresas crescem, se tornam mais complexas e ampliam suas agendas de transformação. 

O principal motivo para a criação ou ampliação de um conselho é, justamente, a necessidade de profissionalização da gestão (50%), seguida pela busca de apoio à estratégia (41%) e, obviamente, o crescimento e expansão (32%). "Muito mais do que representar uma mudança na composição da liderança, o conselho envolve a busca por uma maior qualidade na dinâmica das decisões, apoio às prioridades estratégias e uma visão mais estruturada sobre a gestão, de maneira que cresçam e se tornem mais competitivas", destaca Thiago Xavier, headhunter e sócio da Wide. 

Há um potencial relevante de mercado para a atuação como Conselheiro e, diante da crescente demanda por esses profissionais, torna-se fundamental compreender como essa trajetória se constrói e como as oportunidades surgem. Trata-se de uma carreira que amadurece gradualmente e tende a ganhar tração ao longo do tempo. 

Entre os Conselheiros ouvidos, 39% têm entre 55 e 64 anos, refletindo um perfil predominantemente associado a trajetórias executivas mais seniores. Mais de 60% já ocuparam posições de Diretor/Head e/ou C-level, enquanto 17% tiveram experiência como CEO. 

Nos primeiros cinco anos de atuação como Conselheiro, é mais comum a participação em um ou dois conselhos. Com o avanço da experiência, essa presença tende a se ampliar, com profissionais passando a atuar simultaneamente em diferentes Conselhos. Nesse processo, o networking exerce papel central: mais de 82% dos convites têm origem na própria rede de relacionamentos dos Conselheiros. 

Na remuneração, entretanto, ainda não há um padrão claramente consolidado, refletindo a coexistência de diferentes modelos de atuação. Entre os Conselheiros ouvidos, 33% recebem remuneração fixa, enquanto 30% não são remunerados. 

Esse cenário reforça a percepção de que a atuação em Conselhos passa por um processo de amadurecimento e profissionalização, mas ainda distante de um modelo plenamente institucionalizado. Como sintetiza a análise: “os dados evidenciam um sinal claro de amadurecimento em curso, mesmo que ainda distante de um modelo plenamente institucionalizado.” 

Na visão dos Conselheiros, os principais entraves para uma atuação mais efetiva estão relacionados à falta de estrutura de gestão (45%), à baixa clareza sobre papéis e responsabilidades (42%) e à ausência ou insuficiência de indicadores (40%). 

Além desses fatores, questões societárias — como abertura dos sócios ao papel do Conselho e conflitos entre as partes — também podem limitar a qualidade das discussões e a fluidez da tomada de decisão. O desafio, portanto, está em criar as condições necessárias para que o Conselho opere com clareza de mandato, acesso à informação e maior efetividade na geração de valor para o negócio. 

Os insights colhidos no estudo evidenciam que a governança deixou de ser apenas uma estrutura institucional para se tornar um instrumento prático de crescimento, qualidade de ações e sustentação da perpetuidade corporativa. "É justamente aqui que o conselho ganha destaque, sendo mais buscado a fim de profissionalizar essa gestão e, com isso, tornar as decisões mais estratégicas a fim de alavancar a competitividade das empresas. Se trata de uma evolução gradual, mas que já é vista e compreendida como essencial para corrigir os gaps internos e, com isso, projetar um futuro cada vez mais sustentável para as companhias", finaliza. 

 

Sobre a Wide:       

https://wide.works/       

Com mais de 70 anos de experiência combinada, a Wide é especialista em recrutamento executivo alinhado às necessidades e objetivos de cada empresa. Seu foco é fortalecer a governança corporativa, com atendimento exclusivo e processos ágeis e assertivos, conduzidos pela expertise de seus sócios. 



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Nathália Bellintani


Tel: +55 (11) 9848-4042

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