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Recentemente, a civilização ocidental passou a viver um momento em que o construtivismo social ressurgiu, agora sob o nome de “progressismo”. Porém, mesmo com um novo nome, o progressismo nada mais é do que uma tentativa construtivista de refundação da sociedade. Artur Ceolin para o Instituto Mises:
No
ensaio Egalitarianism and the Elites, publicado em 1995 na Review of
Austrian Economics, um dos insights mais brilhantes de Murray Rothbard
foi que mesmo a implementação de uma sociedade igualitária requer
liderança. Como a queda de um sistema para a implantação de um novo
modelo de sociedade não pode surgir do nada, alguém deve comandar e
liderar esse processo. E naturalmente, esses líderes ocuparão cargos de
poder.
Com
efeito, a afirmação de Rothbard demonstra como a existência humana é
desigual e como alguns são naturalmente mais qualificados para conduzir
os processos sociais. Em uma sociedade de livre mercado, os líderes são
os empresários. Com sua capacidade de prever necessidades futuras, geram
novas soluções e criam arranjos produtivos. Como consequência, eles
criam lucro para si mesmos e valor para seus clientes.
Por
outro lado, em uma sociedade centrada no Estado, naturalmente alguém se
destacará e comandará a conquista e manutenção do poder. Nesse sentido,
há muitos arranjos possíveis, pois há uma grande variedade de situações
nas quais os líderes podem estar envolvidos.
Recentemente,
a civilização ocidental vive um momento em que o construtivismo social
ressurgiu, agora sob o nome de “progressismo”. Porém, mesmo com um novo
nome, o progressismo nada mais é do que uma tentativa construtivista de
refundação da sociedade.
Para
aqueles mais preocupados com as falhas do construtivismo, Ludwig von
Mises em seu livro Teoria e História já explicou por que o
construtivismo é arbitrário, em contraste com o complexo processo social
espontâneo no qual os indivíduos estão envolvidos. Assim, movimentos
construtivistas (como Black Lives Matter, por exemplo) nada mais são do
que instrumentos utilizados por pessoas que querem alcançar o poder e
determinar os rumos da sociedade.
Eles
não apenas negam o processo social de desenvolvimento institucional. Os
líderes desses movimentos, usando a desculpa da necessidade de criar
uma nova sociedade, querem criar um novo cenário em que eles dão as
cartas. Se as instituições atuais não permitem que eles estejam no
poder, eles querem acabar com as instituições atuais e criar outras que
possam controlar.
Na
verdade, os líderes desses movimentos estão focados no poder político,
que os recompensará com poder e riqueza. As melhorias na sociedade como
um todo não importa para eles: eles estão preocupados apenas com as
melhorias para o grupo que comanda a massa. E todos esses movimentos
“sociais”, geralmente alinhados com a esquerda progressista radical
tentam resolver todo e qualquer problema por meio da intervenção do
Estado.
Cada
problema da vida privada torna-se uma questão pública e, com o tempo, o
Leviatã se expande cada vez mais, tanto em termos de renda quanto de
influência. Aliados ao governo e ao establishment, os líderes desses
movimentos ganham assim relevância no debate público, ocupando cargos e
sendo pagos para nada produzir.
Eles
são o oposto dos empreendedores: ao invés de produzir bem-estar e
melhorar a vida das pessoas, eles disseminam o caos para colher
recompensas institucionais enquanto aniquilam as instituições. A
família, a religião e a ética do mercado estão cada vez mais sob ataque,
e esses movimentos sociais estão trabalhando para substituir esses
arranjos privados pela influência do Estado e pela engenharia social.
Também
é crucial notar que esses tipos de movimentos são legitimados na esfera
pública. Em geral, a grande imprensa os trata como verdadeiros
representantes de determinados segmentos de nossa sociedade. Além disso,
a mídia apresenta os líderes desses movimentos como especialistas em
determinados assuntos, mascarando os reais interesses de suas
organizações.
Rothbard
não poderia estar mais certo. No movimento progressista woke, existem
elites que na realidade não estão preocupadas com a agenda que dizem
defender (por exemplo, igualdade racial e de gênero). De fato, esses
movimentos geralmente acabam envolvidos na política e parasitam o
Estado, enquanto a grande massa é enganada e recebe apenas decepções e
piores condições materiais.
Aconteceu
no socialismo do século XX, que promoveu os maiores assassinatos em
massa da história, em países como China, União Soviética e Cuba. E
acontecerá novamente sob o socialismo progressista woke do século XXI:
seus líderes querem ser novos reis e usam as massas como infantaria a
serem sacrificadas nos campos de batalha.
Postado há 1 week ago por Orlando Tambosi

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