domingo, 25 de setembro de 2022

Lula não ganhou um só voto por faltar aos debates, resta saber quantos poderá ter perdido

 


O debate foi muito chato, porque falou demais em corrupção

Carlos Newton

O penúltimo debate entre os candidatos, no pool liderado por SBT e CNN, repetiu o anterior, transmitido pela Band e TV Cultura. Mais um vez o tema principal foi a corrupção, sem que houvesse discussões sobre os respectivos programas de governo. A diferença é que neste sábado o candidato Lula da Silva fugiu na raia, como se diz no linguajar turfista, e acabou levando pancada de tudo quanto é lado.

Interessante notar que, como acontece nos hipódromos, na disputa presidencial os candidatos também correram em dobradinha. O surpreendente Padre Kelmon, do PTB, fez dupla com Jair Bolsonaro, do PL, defendendo o presidente de todas as maneiras possíveis e imagináveis.

OUTRAS DOBRADINHAS – Também correram em faixa   os candidatos Ciro Gomes, do PDT, e Felipe d’Ávila, do Novo, que se apresentaram um elogiando o outro, embora Ciro seja do centro democrático e d´Ávila esteja mais à direita, especialmente no tocante à privatização, tema que nem foi aprofundado.

Por fim, defenderam as mesmas teclas as candidatas Simone Tebet, do MDB, e Soraya Thronicke, do União Brasil, que são amigas pessoais, ambas senadores pelo Mato Grosso do Sul, com um detalhe curioso: Simone foi professora de Soraya na Faculdade de Direito.

E as três duplas se esmeraram em bater no ausente Lula, que justificou a ausência dizendo que estava ocupada fazendo campanha no Sudeste.

ADVOGADO DO DIABO – O mais interessante e curioso foi o Padre Kelmon, que não é da Igreja Ortodoxa russa, grega, polonesa ou brasileira, pois se diz membro da Igreja Ortodoxa do Peru, vejam que figuraça o gozador Roberto Jefferson encontrou para representar o PTB na sucessão.

O fiel e piedoso Kelmon tem um problema com o cronômetro, fala pelos cotovelos e perdeu o tempo em todas as respostas, tornando-se um personagem folclórico, sempre pronto a defender preferencialmente Bolsonaro, e depois “Deus, Pátria, Família, Liberdade e Vida”, ao estender o velho slogan fascista que o humorista Barão de Itararé modificou para “Adeus, Pátria e Família”.

É pena, mas o Padre Kelmon não deve ser convidado para o debate na TV Globo, na quinta-feira, porque a Vênus Platinada quer trabalhar com apenas seis candidatos e Lula já confirmou participação. O sacerdote do Peru é contra o aborto e tem um veio humorístico que precisa ser valorizado na TV.

BOLSONARO RESISTE – Quanto ao atual presidente, que se referia a Lula como “presidiário”, ladrão” e “maior corrupto do mundo”, ele mostrou que está se acostumando aos debates, virou cascudo e adotou o estilo Maluf. Quando alguém dirigia uma acusação pesada, Bolsonaro respondia citando alguma realização, uma estratégia que dá bons resultados em debates e entrevistas.

Em suma, a terceira via já está mais do que descartada, por falta de união entre os candidatos do centro democrático, e a polarização vai mesmo se concretizar, porque é movida pelo fanatismo.

A única dúvida é saber se haverá segundo turno. Pessoalmente, eu acredito que Lula não chegará à vitória no primeiro turno, porque o velho sentimento antipetista que emergiu em 2018 ainda é muito forte.


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