Coluna de Alexandre Garcia, publicada pela Gazeta do Povo:
Se você costuma trafegar em rodovias federais ou é caminhoneiro tenho
uma boa notícia para você. O presidente da República determinou que os
radares móveis da Polícia Rodoviária Federal não funcionem, fiquem
parados.
Ele recebeu muita queixa de caminhoneiro dizendo que os radares estão
sendo uma indústria da multa. Por exemplo, em uma longa descida um
caminhão pesado correndo inevitavelmente vai passar do limite de
velocidade.
O radar móvel está sendo retirado. Provavelmente vai sair um aviso
oficial – hoje ou amanhã. Mas é a notícia que eu tenho a dar para vocês
que trafegam em rodovias federais, nas BRs.
Uma viagem de sopetão
Aliás, tem rodovias estaduais que não têm mais isso também, porque o
governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mandou tirar. O presidente e Caiado
combinaram isso juntos diante de caminhoneiros.
O presidente resolveu do dia para a noite ir a Goiânia na
sexta-feira. Ele resolveu na quinta. Foi uma correria para preparar a
viagem. Pegou um helicóptero e foi – foi acompanhado do ministro da
Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que é um excelente ministro.
Ele também foi a um encontro da igreja evangélica – Assembleia de
Deus, se não me engano – e depois entrou em um posto de gasolina
naqueles restaurantes de beira de estrada e foi almoçar com os
caminhoneiros e conversou com eles sobre os radares móveis.
Princípios religiosos
Antes, o presidente da República havia conversado com o pessoal da
igreja evangélica. Eles reclamaram que o Supremo Tribunal Federal está
toda hora passando por cima daquilo que está na Constituição de que
todos são iguais perante a lei. Ou seja, homens e mulheres são iguais,
preto e branco são iguais, amarelo é igual, verde é igual. Tá escrito
lá, todos são iguais perante a lei independentemente de diferenças de
qualquer natureza.
Mas estão fazendo legislação que, inclusive, contraria princípios
religiosos. Se a própria Constituição fala em respeito aos valores
religiosos, eles reclamaram que o Supremo não está respeitando esses
valores.
Por esse motivo o presidente disse que está precisando ter um
ministro do Supremo que seja religioso – que seja evangélico, que seja
lá de que religião for – para dar um contrapeso nisso aí. Isso não
significa que vai ser o próximo, porque ainda devem sair os ministros
Marco Aurélio e Celso de Mello. Quando isso acontecer o presidente da
República vai indicar para o Senado os novos nomes. A gente não sabe
quem são esses nomes.
Aí fica a bola de cristal funcionando: “O Sergio Moro não é
evangélico?” Olha, esqueçam isso, ainda há mais de ano para passar.
Muita água vai passar por debaixo da ponte.
Vai haver reação
O presidente também disse para os caminhoneiros que a profissão deles
está incluída nas profissões de risco que têm direito ao porte de arma
para dissuadir os assaltantes na estrada. Quando os assaltantes souberem
que vai haver reação, as coisas podem mudar.
Aproximações
Houve convenções do DEM e do PSDB. Nas duas convenções saíram
manifestações favoráveis à reforma da Previdência. O DEM anunciou que
não faz parte do centrão – o centrão ficou muito com essa pecha de
fisiologismo.
O PSDB elegeu um novo presidente, Bruno Araújo, que é muito simpático
ao governo. Ele disse inclusive que vai reunir a bancada com o relator
Samuel Moreira – que é do PSDB – para fazer a reforma da Previdência
mesmo. Isso aproxima muito.
Outra coisa: por anos a gente pensou que a polarização era entre PSDB
e PT – e não é, né? Isso é a mesma coisa que dizer que a Pepsi-Cola e a
Coca-Cola são concorrentes, quando têm o mesmo sobrenome.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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