Foto: Ze Carlos Barretta/Folhapress
Líderes afirmaram que fala do presidente sobre 'velhas práticas' acirra embate entre Legislativo e Executivo
Lideranças do Congresso minimizaram os efeitos das
manifestações de domingo, 26, e avaliaram que as declarações do
presidente Jair Bolsonaro sobre as “velhas práticas” da política acirram
ainda mais o embate entre o Planalto e os parlamentares. Entre os
manifestantes que foram às ruas para defender o governo, houve críticas
contra o Congresso, especialmente direcionadas ao Centrão e ao
presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “De efeito prático das
manifestações no Congresso, zero, nada”, comentou o líder do PRB na
Câmara, Lafayette Andrada (MG), ao Estadão/Broadcast. Para ele, a pauta
foi “superficial” e o Congresso acabou sendo alvo de um “sentimento
difuso” contra a classe política. “É um sentimento contra as classes
políticas, contra os dirigentes, é o povo reclamando que as coisas não
estão boas, reclamando dos políticos, então no sentimento difuso isso
cai contra o Congresso”. No domingo, Bolsonaro afirmou que as
manifestações eram um recado às “velhas práticas” que não deixaram o
povo se “libertar”. A declaração irritou parlamentares, entre eles o
líder do PRB. “Isso não é bom, não é positivo. Ele fica surfando nessa
onda que existe e que aproveitou muito na eleição, um sentimento contra a
classe política, e fica botando gasolina na fogueira. Para ele, é
burrice”, disse Andrada. Outros líderes do Centrão também avaliaram que
as declarações do presidente em meio às manifestações atrapalham a
relação com o Congresso. “A situação só vai se complicando na medida que
o presidente não tem relação com o Congresso e ataca a política todo
dia”, disse o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o
Paulinho da Força. “As manifestações não serviram de muita coisa, isso
só isola mais o governo. O Rodrigo Maia (presidente da Câmara) é o único
que sustenta o governo ainda hoje. Ataque a ele é um tiro na testa, e
não no pé”, disse o deputado federal. Já líder do DEM na Câmara, Elmar
Nascimento (BA), divulgou nota condenando o “radicalismo e a
beligerância” e afirmou que “ninguém governa sozinho”. A avaliação de
que os ataques contra o Congresso não vão causar consequências no
parlamento também foi feita pelo presidente do PSL, partido de Jair
Bolsonaro, Luciano Bivar. “As pessoas que fizeram ataques não estavam no
propósito da manifestação”, disse Bivar, que ocupa uma cadeira na
Câmara dos Deputados. “Absolutamente nenhuma (consequência). A
manifestação foi muito ordeira. Houve alguns casos isolados que falaram
isso, mas não eram a base da manifestação.” Ao comentar a declaração de
Bolsonaro, Bivar afirmou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e os
partidos do Centrão estão preocupados em aprovar reformas. “O presidente
não quer dizer que velhas praticas seja o Centrão, velhas práticas não
têm nada a ver com o Centrão. O Centrão está preocupado em fazer uma
pauta positiva para o Brasil.”. Para o líder do MDB no Senado, Eduardo
Braga (AM), o presidente erra quando insinua que o Congresso está
impedindo o avanço de pautas importantes para o País. “Ele tem que dizer
que práticas são essas porque nós não temos nenhum prática em relação a
esse governo ou a qualquer outra coisa, nós estamos tentando ajudar o
Brasil”, declarou Braga, que também minimizou a presença de apoiadores
de Bolsonaro nas ruas: “Não vi o País mobilizado como em outros
momentos”, afirmou, citando as manifestações contra cortes nas
universidades no último dia 15.
Estadão
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