As filas eram ao ar livre e se chovesse, haveria o caos
Tenho convicção de que o povo brasileiro gosta de votar. Dia de eleição é sempre movimentadíssimo, com trânsito pesado e engarrafamento para todo lado. Mesmo assim, é um dia alegre, em que as pessoas se mostram felizes. Aqui no Rio de Janeiro, na minha sessão eleitoral, instalada no Instituto Nacional de Educação de Surdos, as filas eram pavorosas. Os voluntários da Justiça Eleitoral se desdobravam, tentando colocar as coisas em ordem, mas a votação transcorria lentamente.
O motivo foi a ordem do Tribunal Superior Eleitoral para que as urnas biométricas fosse testadas por todos os eleitores que tivessem carteira de identidade emitida pelo Detran, que é feita com a impressão digital de todos os dedos.
REGISTRO BIOMÉTRICO – A ideia não é ruim, porque objetiva dispensar a ida do eleitor à Junta Eleitoral para fazer o registro biométrico. Como esse registro já existe no Detran, que concentra a emissão de carteiras de identidade, a inscrição dos eleitores estaria dispensada.
Mas as autoridades não contaram com a hipótese de que a atividade extra de conferir a biometria de todos os eleitores fosse retardar de tal maneira a operação de cada voto. Somente no meio da tarde, quando as filas de alongaram ainda mais é que veio a contraordem de parar de conferir a biometria de todos os eleitores.
Quando enfim eu consegui votar, às 15h47m, os mesários já aventavam a possibilidade de distribuir senhas, porque a votação deveria ultrapassar o prazo legal das 17 horas.
De todo modo, ficou patente a civilidade dos eleitores. Nas filas, não se ouvia ninguém reclamando. Todos esperavam pacientemente o momento de exercer o mais democrático dos direitos. Ou seja, o brasileiro é gente boa, o que atrapalha são os políticos e as autoridades.
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