segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Desta vez, não foi a economia, estúpido!


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Charge do Oliveira (Humor Político)
Lauro Jardim
O Globo
Jair Bolsonaro capturou corações e mentes de 49 milhões brasileiros em um país enredado em violenta crise econômica, com 12,7 milhões de desempregados. O triunfo eleitoral do capitão, contudo, passou ao largo de propor soluções para a retomada do crescimento ou para o drama fiscal. Ou ainda para a urgente reforma da Previdência.
Apesar do desemprego nas alturas, pareceram importar muito mais ao eleitor a corrupção, a segurança pública e os valores familiares.
FIM DO MANTRA – Bolsonaro sepultou o mantra consagrado por James Carville, o estrategista de Bill Clinton, para quem o que define o voto nas democracias ocidentais é a situação econômica do país (“É a economia, estúpido”).
Sua campanha tornou hegemônicos outros temas. E surfou neles com inegável sucesso. O que esteve em jogo, ao menos até aqui, foram os valores que Jair Bolsonaro encarna — e foram eles os vencedores do primeiro turno.
São os princípios mais retrógrados na área da segurança pública (“bandido bom é bandido morto”). São também anacrônicos na esfera do comportamento e valores familiares. Mas foi a bordo dessa caravana de preconceitos e atrasos que Bolsonaro capturou o seu eleitor.
APOIO DO MERCADO – O Posto Ipiranga deu um lustro ao campo econômico do candidato. Paulo Guedes serviu para acalmar o mercado financeiro, ainda que seus agentes não tenham confiança absoluta na súbita conversão de Bolsonaro ao liberalismo. Não importa — a aversão ao PT é maior do que uma eventual dúvida sobre as reais intenções de Bolsonaro nesta seara.
A economia, contudo, nunca foi o que mais importou para a grande massa dos eleitores do capitão. A pauta econômica foi sequestrada pela ideia da pistola nas mãos do “cidadão de bem”, pela luta antiaborto e o combate ao kit gay, pela defesa do antipoliticamente correto e da “família tradicional”. E pelo antipetismo, claro. Bolsonaro é o pastor desses brasileiros.
Henrique Meirelles pensou que, por causa da economia, iriam chamá-lo. Só que o eleitor preferiu chamar o guarda.
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