A esquerda, em geral, é
contra a liberdade em quase tudo, só defendendo "a liberdade para
abortar e para os homossexuais se casarem, porque quer destruir a
família tradicional". Isto vale em Portugal em também no Brasil.
Acompanhe artigo de João Marques de Almeida, publicado pelo Observador:
O ataque à família
tradicional é a maior causa do Bloco de Esquerda. A propósito de quase
tudo, do aborto ao casamento entre homossexuais e à eutanásia, passaram
os últimos vinte anos a atacar a visão da sociedade assente na família
tradicional. Alguém acha que o Bloco de Esquerda se preocupa
genuinamente com a liberdade de escolha das mulheres e dos homossexuais?
São contra a liberdade de escolha sobre o modo como educamos os nossos
filhos, como tratamos os nossos doentes, como gastamos o nosso dinheiro,
como usamos a nossa propriedade, e até como recebemos os turistas. Ou
seja, são contra a liberdade em quase tudo. Só defendem a liberdade para
abortar e para os homossexuais se casarem porque querem destruir a
família tradicional. Esta estratégia é inteligente porque torna muito
mais difícil defender a ideia de família tradicional. Hoje, queremos
todos ser modernos e olhar para tudo como igual. Além disso, a defesa
dessas causas deu a um bloco, geneticamente totalitário, a imagem de um
partido a favor das liberdades individuais. Eis uma das maiores farsas
da democracia portuguesa.
Não sou contra a
união civil entre homossexuais. Nem sequer sou contra a adopção de
crianças por homossexuais. Muitas delas terão uma vida melhor do que
teriam se não fossem adoptadas. E, parece-me, que o critério da
qualidade da vida das crianças, deve ser o mais importante de todos. Mas
um casal de homossexuais não é o mesmo que um casal de heterossexuais e
uma família com mães (oupais) de mesmo sexo não é o mesmo que uma
família com mãe e pai. Dois pais não substituem uma mãe e duas mães não
substituem um pai. Tudo isto me parece tão óbvio que até é estranho
escrevê-lo. O facto de me sentir obrigado a escrever esta crónica mostra
o sucesso do Bloco de Esquerda. Aqueles que defendem a família
tradicional não devem ter medo de o fazer. Não é reacionário, nem
anti-moderno.É fundamental para uma sociedade educada, forte e livre.
Também sei muito bem
que as famílias tradicionais estão longe de serem perfeitas. Sou
divorciado, por isso sei do que falo. Mas mesmo uma mãe e um pai
divorciados têm como principal obrigação educar os seus filhos e, não
juntos, mas em conjunto. Além disso, continuam a ser um pai e uma mãe.
As mulheres e os homens não são simplesmente diferentes, são
complementares. Nos afectos, nas emoções, na inteligência, no carácter,
nada substitui uma mãe e um pai. Isto não é uma questão académica ou
teórica. É um facto da vida.
Um país com políticas
públicas para proteger a família tradicional, por exemplo que reforcem a
igualdade profissional entre as mães e os pais, ou que promovam a
natalidade, será um país com uma sociedade mais forte e com maior coesão
social. Tocqueville descrevia a família como a “a instituição onde se
aprendem os primeiros hábitos do coração.” ‘Hábitos do coração’, para
Tocqueville, significava a capacidade de partilhar, de ajudar, de
resistir aos excessos de individualismo, a responsabilidade individual. É
na família que se aprendem muitas das virtudes que mais tarde fazem de
nós cidadãos responsáveis. Por isso, até um pensador de esquerda, como
Anthony Giddens, reconhece que a família é a “fonte de responsabilidade
cívica.”
A educação da
família, e aqui incluo a família alargada, sobretudo os avós e os tios,
também é fundamental para criar cidadãos preparados para lutarem pela
sua liberdade e para resistirem aos abusos arbitrários dos poderes
políticos. Uma sociedade livre necessita de instituições intermédias
fortes. A família é uma das principais instituições que se encontra
entre o individuo e o Estado. Por isso, os caminhos para os
totalitarismos começam pelos ataques à família. Um conjunto de
indivíduos isolados e perdidos é o terreno fértil dos poderes
totalitários, como Hannah Arendt (“As Origens do Totalitarismo”)tão bem
explica.
Finalmente, a família
extensa é essencial para transmitir a humildade suficiente para impedir
que nos tornemos absolutamente centrados em nós próprios, como se
fossemos o princípio e o fim de tudo. Mais do que qualquer outra
instituição, a família mostra que quase nada começou connosco e que
muito continuará depois de nós. Os avós, os pais, os filhos e os netos
ilustram o modo como Edmund Burke definiu a sociedade: “um contrato
entre os vivos, os mortos e os que estão por nascer.” Se algumas
esquerdas atacam esta visão de sociedade, compete às direitas
defendê-la. Se não o fizerem, estão a demitir-se de uma das suas
principais obrigações. Sobretudo nunca devem ter medo de o fazer, porque
também estão a defender a liberdade individual.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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