"O tempo passou e não há
um nome sequer do centro que não seja nanico. Até Alckmin: quatro vezes
governador de São Paulo, uma vez, em 2006, candidato à Presidência
(tomou uma surra de Lula, após garantir que os tucanos eram contra as
privatizações ─ justo eles, que privatizaram com sucesso a Vale e a
telefonia), até agora não conseguiu tornar-se conhecido do Nordeste.
Perde em São Paulo, sua base eleitoral, reduto dos tucanos, para Jair
Bolsonaro". Coluna dominical de Carlos Brickmann:
Meryl Streep,
obrigada pelos nazistas a decidir qual de seus dois filhos iria morrer
(e, caso ela não o escolhesse, ambos seriam mortos), ganhou o Oscar pelo
filme “A Escolha de Sofia”. Os eleitores brasileiros, obrigados a
escolher entre dois candidatos que se destacam pelo radicalismo, também
serão premiados: receberão o prêmio que Luzia ganhou atrás da horta.
É difícil para o
eleitor anticomunista votar num candidato que, quando Hugo Chávez chegou
ao poder na Venezuela, elogiou-o (“uma esperança para a América
Latina”) e comparou-se a ele. Disse que Chávez não era anticomunista e
ele, Bolsonaro, também não era. “Não há nada mais próximo do comunismo
do que o meio militar”.
É difícil para o
eleitor petista que vai ao delírio só de ver o retrato de Lula ser
obrigado a votar num laranja confesso, que troca seu nome de família,
aquele que seus pais utilizam, para, como o Chefe, usar o sobrenome de
Lula (e não é só o sobrenome: faz-se chamar de Luís Fernando Lula
Haddad). Usa máscaras de Lula para induzir eleitores a votar em seu
nome. E confessa não ter a menor ideia do que fará sem viajar a Curitiba
para visitar o Chefe na cadeia. Cafezinho com açúcar ou adoçante? É
Lula que sabe.
Jaques Wagner,
lulista entre os lulistas, rejeitou o papel subalterno que lhe queriam
atribuir, de boneco de ventríloquo. Haddad se rebaixou, feliz.
Tudo atrasado
Fernando Henrique, a
16 dias da eleição, propôs aos candidatos de centro que se unam para
evitar que o segundo turno seja disputado pelo homem da bala e o laranja
de Lula. Boa ideia ─ mas agora, quando não dá mais tempo? E imaginemos
que houvesse tempo: somar Alckmin, Marina, Álvaro Dias, Meirelles,
Amoêdo é como juntar moedinhas para enfrentar o volume de dinheiro e
joias do vice-presidente da Guiné Equatorial. Uma candidatura se
articula ao longo do tempo. O tempo passou e não há um nome sequer do
centro que não seja nanico. Até Alckmin: quatro vezes governador de São
Paulo, uma vez, em 2006, candidato à Presidência (tomou uma surra de
Lula, após garantir que os tucanos eram contra as privatizações ─ justo
eles, que privatizaram com sucesso a Vale e a telefonia), até agora não
conseguiu tornar-se conhecido do Nordeste. Perde em São Paulo, sua base
eleitoral, reduto dos tucanos, para Jair Bolsonaro.
Ciro, talvez
Ciro Gomes, que se
mantém vivo na disputa, poderia ser a solução para o centro. Já foi da
Arena Jovem, já foi ministro de Itamar Franco (concluiu a implantação do
Plano Real). Mas qual dos outros candidatos o aceitaria?
Meio tarde
Fernando Henrique,
conversando com Bernardo Mello Franco, de O Globo, concordou que seu
apelo tem poucas chances de ser ouvido. “Mas temos de fazer algum
esforço. Não sei se algo vai acontecer”. Não, não vai.
Fale o que eu quero
Paulo Guedes, que
deve ser ministro da Economia se Bolsonaro for eleito, conhecido como
Posto Ipiranga, já sabe de seus limites: foi só falar na volta da CPMF, o
Imposto do Cheque, para tomar uma chamada do candidato. Bolsonaro
deixou claro que quer eliminar impostos, não criar novos. Guedes
explicou que o novo imposto iria substituir cinco ou seis impostos
federais, mas Bolsonaro não gostou. “Não é a CPMF, seria um imposto
único”, disse Guedes. Não adiantou: o Brasil já experimentou o Imposto
Único, e descobriu que o Imposto Único era apenas mais um.
É demais
Bolsonaro acompanhou
também as declarações de seu vice, general Hamílton Mourão, sobre uma
Constituição redigida por pessoas não eleitas e o papel de mães e avós,
que sem ter o pai e o avô em casa, não impediriam o recrutamento das
crianças pelo tráfico. Mourão foi contido por Bolsonaro: nada de propor
temas ainda não discutidos com ele.
Doce prêmio
A Chocolat du Jour,
excelente chocolateria paulistana, acaba de ganhar dois prêmios
internacionais (e pelo quarto ano consecutivo): o International
Chocolate Awards, medalha de ouro, pelo bombom de paçoca recoberto de
chocolate ao leite, e o ICA, medalha de prata, pela Choco Pops, pipoca
com chocolate ao leite. Além de fabricar ótimos chocolates, que seriam
ótimos na Bélgica ou na Suíça, a Chocolat du Jour foi criada por uma
amiga deste colunista, Cláudia Landmann, que estudou chocolateria em
Bruxelas.
Adoniran na cabeça
Adoniran Barbosa
recebe amanhã, em memória, o título de Cidadão Paulistano. A festa será
no Farol Santander, às 19 h, na rua João Brícola, 24. Lá estará a
adorável Maria Helena Rubinato Rodrigues de Souza, filha de Adoniran e
colunista do Chumbo Gordo.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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