BLOG DO BENÉ
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Mariana Benedito –
Psicanalista em formação; MBA Executivo em Negócios; Pós-Graduada em
Administração Mercadológica; Consultora de Projetos da AM3–Consultoria e
Assessoria.
E-mail: mari.benedito@outlook.com
Amor-próprio. Substantivo masculino.
Sentimento de dignidade, estima ou respeito que cada um tem por si.
Assim define o Dicionário Aurélio. Particularmente, acrescentaria a
compaixão e acolhimento com os nossos próprios defeitos, falhas, faltas,
lacunas, dores, medos; e, mais além, a capacidade de dizer não àquilo
que vai contra – ou de encontro – ao que acreditamos, à nossa verdade,
ao nosso equilíbrio.
Uma das maiores questões que rondam
os dilemas psíquicos é justamente a dificuldade que muitos encontram em
defender seus pontos de vista, desejos, interesses, o que lhe é bom e
saudável em detrimento do que o outro esperaria como seu comportamento.
Assim, vamos nos anulando, diminuindo, perdendo o brilho. E isso se dá,
em grande parcela, devido ao fato de já termos, intrínseca e
inconscientemente, uma ideia ilusória de que não somos capazes,
suficientes, bons, talentosos, merecedores.
Existe uma gama de pensamentos
negativos que alimentam e influenciam a sensação de não pertencimento,
de não acolhimento, de não valorização. Mas o que precisamos observar é
que o ponto em comum entre todas essas sensações está na importância que
damos à opinião do outro. O que os demais pensam, dizem ou sentem sobre
nós e que nos causa incerteza, a consequente insegurança que nos mantém
em estado de alerta e na defensiva: ora esperando que o pior aconteça,
ora nos moldando e pisando em ovos para não “desagradar”; a comparação
excessiva da nossa complexa realidade com a realidade superficial do
outro, o que faz com que nos sintamos insatisfeitos, infelizes, com
sentimentos de inadequação e, consequentemente, com baixa autoestima;
debilitando e enfraquecendo cada vez mais o sentimento de amor-próprio.
Só que chega um momento de nossas
vidas em que esse enquadramento, a comparação, a submissão, se diminuir
para caber no espaço do outro – ou que foi delimitado pelo outro –
começa a ficar apertado, a incomodar, não nos cabe mais ali. É
fundamental percebermos que é importante para nossa saúde física,
emocional e psíquica tomarmos em nossas mãos as rédeas de nossas vidas.
Ter amor-próprio não significa ser inconsequente, passar por cima de
tudo e de todos. Ter amor-próprio é ter consciência de que é preciso
saber o que é melhor para cada um de nós; é poder dizer não quando algo
nos viola, violenta, deturpa.
Amor-próprio é se colocar em primeiro lugar. Não! Isso não é egoísmo. Egoísmo é outra coisa.
Quem sabe seja tema de uma próxima análise...
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