O robô tem como analisar mais de dois milhões de notas fiscais de forma automática para detectar uso abusivo da cota parlamentar. Numa maratona de análise computacional e humana na semana passada, a força-tarefa, financiada por um crowdfunding, contestou o reembolso de R$ 378.844 desde 2011. Foram 629 denúncias contra 216 deputados à Câmara –sendo dois candidatos à presidência da Casa.
A ação recebeu o nome de “Operação Serenata de Amor”, inspirado no “caso Toblerone”, um escândalo da década de 1990, na Suécia, que provocou a renúncia da então vice-primeira-ministra Mona Sahlin por uso do cartão corporativo para gastos pessoais.
O grupo organiza tarefas referentes às analises em etapas, e guardam as respostas para poderem divulgar depois. Primeiro o material passa pelo software e logo após cada caso é analisado por uma pessoa, só assim posterior essas duas etapas encaminham as denúncias.
“A gente acredita que a corrupção não começa em milhões. A gente corta desde o início, no momento em que o deputado pode pedir uma nota fiscal para um taxista de R$ 80 quando ele na verdade gastou R$ 40. Se ele souber que tem alguém olhando, talvez não chegue a roubar dinheiro de merenda”, diz o desenvolvedor Irio Musskops, 23, idealizador do projeto.
Num primeiro teste, em novembro, ela identificou 40 anomalias, das quais nove foram reconhecidas pela Câmara como mau uso da verba. Entre os casos, estão a compra de cinco garrafas de cerveja em Las Vegas, pelo deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) e de 13 almoços no mesmo dia reembolsados ao deputado Celso Maldaner (PMDB-SC). A cota é para uso exclusivo do parlamentar, e é proibido comprar bebidas alcoólicas.
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