Por Folhapress
Mesmo com a abertura de 19 shopping centers em 2016, o setor fechou o
ano com saldo negativo de 18.100 lojas, uma queda de 12,9% em relação a
2015, de acordo com dados da Alshop (associação de lojistas de
shoppings).
É a primeira vez desde 2004 que a entidade registra um saldo negativo
na abertura de lojas, de acordo com Luís Augusto Ildefonso, diretor de
relações institucionais da Alshop.
Além do fechamento de pontos, os novos empreendimentos abriram em média
com 50% da capacidade de ocupação, diz Nabil Sahyoun, presidente da
entidade.
Reflexo desse cenário, os empresários cortaram 36.659 vagas.
A queda nas vendas, resultado do endividamento do consumidor e da
restrição do crédito, foi uma das principais razões para o resultado
ruim.
Dados da Alshop indicam uma queda de 9,7% no valor total de vendas do
setor em relação ao ano passado. A estimativa é que este ano acumule R$
140,5 bilhões em vendas -uma queda de quase R$ 5 bilhões em relação a
2015.
Uma das causas para o recuo foi o desempenho fraco das vendas no Natal,
período de alta temporada do setor. Dados iniciais da Alshop indicam
uma redução de 9,5% nas vendas em comparação ao mesmo período do ano
passado.
O gasto médio do consumidor neste final de ano, por sua vez, caiu
11,5%. Os segmentos de móveis e artigos para o lar, de tecnologia e de
comunicação e de eletrodomésticos foram os mais afetados, com variação
nominal (sem descontar a inflação) de -9%, -6,5% e -4,5%,
respectivamente.
OTIMISMO
Apesar dos resultados ruins, a Alshop está otimista com o desempenho do
setor em 2017 e espera uma retomada das vendas a partir de março,
quando o segmento de vestuário recebe novas coleções.
As razões do ânimo dos empresários são as medidas anunciadas pelo
governo Michel Temer de liberação do saque de contas inativas do FGTS,
redução do juros no rotativo do cartão de crédito e a minirreforma
trabalhista cujo propósito é garantir a primazia do negociado sobre o
legislado.
O pacote deve estimular o consumo e aliviar os custos dos lojistas, afirma Sahyoun.
Ele não entrou em detalhes, porém, em relação a possibilidade de
redução do tempo de pagamento pelas operadoras de cartão aos lojistas,
hoje de 30 dias. A entidade diz que negocia em conjunto com governo e
representantes do setor financeiro um período "equilibrado" e que no
final de março, quando o pacote estiver melhor delineado, algo muito bom
deve acontecer".
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