Deputados da bancada federal de Minas ainda estão divididos sobre a
possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Embora
admitam que o assunto está na ordem do dia no Congresso Nacional, a
maioria ouvida pelo Hoje em Dia demonstrou cautela para tratar do
assunto.
Para esses parlamentares, o futuro de Dilma está atrelado ao julgamento
do Tribunal de Contas da União (TCU) e a eventuais revelações da
operação “Lava Jato”. Até o fim desse mês, os ministros do TCU devem
bater martelo sobre as chamadas “pedaladas fiscais” na prestação de
contas de 2014. O assunto é polêmico e não há previsão para o resultado
do julgamento.
Combinação explosiva
Para o deputado federal Marcus Pestana (PSDB), o início do processo de
afastamento depende da Corte de Contas. “Vivemos uma combinação
explosiva do maior escândalo da história com uma crise econômica aguda.
Cabe ao TCU definir”, avaliou.
Mauro Lopes (PMDB) e Júlio Delgado (PSB) também querem aguardar o
tribunal. “Eu sou contra, a não ser que tenha dados e provas materiais
que justifiquem. Até então, acho que não é o ideal”, diz o
peemedebista.
“Se houver um fundamento que não seja somente a disputa política, como,
por exemplo, uma reprovação das contas, eu votaria a favor do
impeachment. Mas o clamor precisa vir das ruas, senão vamos tomar
atitudes precipitadas”, analisou Delgado.
O deputado Marcos Montes (PSD) tem o mesmo entendimento. “Não tem
argumento jurídico, por enquanto”. Mesmo posicionamento tem o petista
Gabriel Guimarães. “Não há nenhum fundamento jurídico e político. O
momento é de responsabilidade e diálogo”.
O deputado Lincoln Portela, vice-presidente do PR, também espera pela
análise da Corte de Contas. “Se sair a rejeição e outras coisas contra a
presidente forem provadas, aí não resta outra saída”, disse.
Cautela
Com dez mandatos na Câmara Federal, o tucano Bonifácio Andrada adota um
discurso de cautela. “O pedido de impeachment deve passar pelo partido e
pelos respectivos deputados. No caso da presidente Dilma, há
possibilidade de afastamento devido aos problemas com a administração e
com o próprio parlamento. Eu vou seguir a orientação do partido”.
Novato na Casa, o deputado Laudívio Carvalho (PMDB) diz que não vê
clima legal para o impeachment neste momento. “Agora, se for colocado em
votação, é preciso que uma análise política seja feita. Digo que não
estou satisfeito, mas a manifestação do dia 16 pode ser um termômetro
para sentir a possibilidade de mudança na história”, ressaltou. Nesse
dia, os insatisfeitos com Dilma pretendem fazer um protesto nacional.
Opinião diferente
Também estreante na Casa, a deputada Brunny (PTC) tem opinião
diferente. “A presidente foi eleita por maioria e deve terminar o
mandato, já que as pessoas tiveram a oportunidade de mudar e não o
fizeram”, declarou.
Por entender ser uma medida extrema, que depende de motivação jurídica,
o deputado Fabinho Liderança (PV) é contra. “Seria um atentado à
democracia, um desrespeito à vontade do eleitor manifestada nas urnas”.
Além do julgamento do TCU, o futuro do governo Dilma depende dos desdobramentos da “Lava Jato”.
Para outros parlamentares, situação da presidente Dilma Rousseff já é insustentável
Na avaliação de outros deputados federais da bancada mineira, a
presidente Dilma Rousseff (PT) já perdeu todas as condições de se manter
no poder.
Para o presidente do PSDB de Minas, deputado federal Domingos Sávio, a
presidente deve ser afastada imediatamente. Ele cita vários motivos para
justificar o posicionamento.
“A pedalada fiscal, por exemplo, é um crime contra a Lei de
Responsabilidade Fiscal. Mas tem os outros crimes mais graves. A
campanha da presidente usou dinheiro roubado da Petrobras. O Tribunal
Superior Eleitoral tem o dever de dar uma resposta célere para o país”,
diz Sávio.
Sustentação
O deputado Odelmo Leão (PP), ex-prefeito de Uberlândia, também defende o
afastamento. “O governo perdeu a sustentação, não existe mais a
possibilidade de contornar a crise política e econômica. É preciso que
assuma um presidente com credibilidade, com pacto pela governabilidade”,
defendeu.
O tucano Rodrigo de Castro, tesoureiro nacional da legenda, tem opinião
similar à de Leão. “A Dilma perdeu condições de governabilidade, não
tem controle sobre corrupção no governo. No caso Petrobras, possui
responsabilidade, já que foi presidente do conselho da estatal e
ministra de Minas e Energia na época dos eventos”, explicou.
O deputado Bilac Pinto (PR) também opina a favor do afastamento.
Segundo ele, a presidente Dilma perdeu a capacidade de liderar o país.
“Acredito na modificação do quadro político atual com um governo de
coalizão convocando todos os partidos em prol da governabilidade e
criação de uma agenda positiva”.
Misael Varella (DEM) ainda não tem posicionamento sobre o tema.
INSTITUTO LULA – Ex-presidente no ato de desagravo, com direito a
rosas, contra a explosão de bomba caseira na instituição. (Foto: Ricardo
Stuckert/Instituto Lula)
Frente Mineira é lançada para combater forças conservadoras
Preocupados com o que chamaram de ameaças à democracia e aos direitos
sociais, representantes de movimentos sociais, sindicais e partidos
lançaram nesta sexta-feira (7) em BH a Frente Mineira pelo Brasil. A
iniciativa é classificada como uma reação à escalada das forças
conservadoras que atuam no Congresso Nacional, em outros setores no
Brasil, e em alguns governos na América Latina.
“Não vamos nos calar diante das tentativas de retroceder em direitos e
garantias duramente conquistados desde a Constituinte e hoje ameaçados
por um Congresso Nacional conservador, capitaneado pelo presidente da
Câmara, Eduardo Cunha”, afirmou o secretário de Movimentos Populares do
PT de Minas, André Xavier.
Outra bandeira do movimento é a luta contra a investida de grupos de
direita que defendem o impeachment de Dilma, o golpe de Estado em
desrespeito à vida democrática no país.
Durante o evento, que contou com a participação do filósofo Leonardo
Boff, foi lançado um manifesto conclamando os brasileiros a integrarem
as diversas frentes a serem criadas em outros estados. O movimento
mineiro é pioneiro no país.
Contra a intolerância
Petistas e militantes de movimentos sociais também se reuniram nesta
sexta-feira (7) em frente ao Instituo Lula (IL), em São Paulo, para
protestar contra a intolerância. Alvo de uma bomba caseira na semana
passada, o instituto é o local onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva despacha.
Lula chegou ao local pouco antes das 13h, acompanhado do presidente do
PT, Rui Falcão, da ex-primeira-dama Marisa Letícia, e do presidente do
IL, Paulo Okamotto. Ele foi recebido sob forte comoção, aos gritos de
“Lula, guerreiro, do povo brasileiro”. Foi pedido que os responsáveis
pela bomba sejam descobertos e punidos.
Com agências
FRENTE MINEIRA PELO BRASIL – Movimentos sociais, sindicatos e partidos
lançam reação à “escalada das forças conservadoras” (Foto: Luiz Costa)
E mais
“É hora de dizer a esses líderes políticos que nossa paciência esgotou”
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
(Fiemg), Olavo Machado Júnior, falou nesta sexta-feira (7) sobre a
conjuntura política e econômica do país durante um evento em Uberlândia,
no Triângulo Mineiro. “A indústria mineira não aceita este estado de
desgoverno em que os líderes se transformam em déspotas que só pensam em
si mesmos. É hora de dizer a estes líderes políticos, que insistem em
ignorar suas responsabilidades, que a nossa paciência se esgotou. Vamos,
sim, fazer manifestações e panelaços, mas principalmente vamos dar
nossa resposta definitiva nas urnas: No próximo ano, vamos eleger
prefeitos e vereadores que efetivamente cumpram o que prometerem nas
campanhas”.
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