(VEJA) Aécio Neves ainda não decidiu se vai se juntar ao povo nos protestos
contra o governo da presidente Dilma Rousseff marcados para o próximo
domingo, 16. Essa, no entanto, é uma das poucas dúvidas que o senador
tem hoje quando o assunto é o governo do PT. Aécio está certo de que
será quase impossível a Dilma Rousseff retomar as condições mínimas de
governabilidade.
O presidente nacional do PSDB diz que não há dúvida de
que Dilma e seu antecessor se beneficiaram do maior esquema de corrupção
já montado dentro do Estado brasileiro. "Falta apenas a Justiça
comprovar que ela recebeu dinheiro ilegal na campanha", diz Aécio, para
quem um eventual processo de impeachment da presidente, se correr dentro
dos limites constitucionais, não pode ser chamado de golpe.
Diz ele:
"Cumprir a legislação é respeitar a democracia". Derrotado nas eleições
de outubro, quando obteve 51 milhões de votos, o senador disse não saber
quando virá para o PSDB o "chamado para tirar o Brasil da crise
gravíssima que o PT criou", mas que, no momento em que isso ocorrer, o
partido estará pronto para atendê-lo.
O que é pior para o Brasil: três anos e meio de um governo
agônico de Dilma Rousseff ou uma solução traumática como o impeachment?
Não vejo como romper esse ciclo perverso de incompetência e de visão
ideológica arcaica no qual o PT nos mergulhou sem um governo que resgate
a confiança da população. Com o PT, o Brasil perdeu vinte anos de
conquistas. A situação do país é muito grave, para qualquer governo. Mas
só um governo que tenha capacidade de dizer a verdade à população - de
forma que as pessoas reconheçam a razão dos sacrifícios, mas consigam
enxergar lá adiante uma possibilidade real de melhoria - tem condições
de encerrar essa espiral e dar início a um novo processo. O governo que
está aí dá seguidas mostras de não ter condições de fazer isso.
Colocado de outra forma: o senhor acha que a presidente Dilma termina o mandato?
Não quero antecipar cenários. Mas o governo estabeleceu a mentira
como método. A presidente da República não vai conseguir resgatar as
condições de governabilidade, pelo menos enquanto não tiver a coragem de
vir a público reconhecer sua parcela de responsabilidade pelos
sofrimentos que esta crise está impondo aos brasileiros. Quanto mais
insistir em falsear a verdade, atribuindo os problemas à crise
internacional ou ao agravamento da seca, mais distante estará de
recuperar essas condições. Em política, o ativo mais precioso é o tempo.
E o PT perdeu esse tempo.
Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 63% dos brasileiros
apoiam a abertura do processo de impeachment contra a presidente. Em seu
partido, o PSDB, há divergências sobre a questão. Qual a sua posição
sobre o impeachment?
A minha posição é de respeito à Constituição, e o impeachment é uma
previsão constitucional. O impedimento não ocorrerá por desejo das
oposições, mas pela combinação de um conjunto de fatores, que inclui
obrigatoriamente a comprovação de culpa por crimes. Portanto, que fique
claro que um desfecho amparado pela Constituição não pode ser tratado
como tentativa de golpe. Golpeiam aqueles que tentam impedir o desfecho
no âmbito da Constituição. Não sei se há hoje os elementos de culpa, mas
nada impede que eles surjam mais adiante. O relatório do ministro
Augusto Nardes, do TCU, é bem firme quando afirma que houve pedaladas
fiscais, e as evidências de que a campanha de Dilma recebeu dinheiro
ilegal se acumulam. Se isso for comprovado, a lei está aí para ser
cumprida. Cumprir a lei é respeitar a democracia.
Uma das saídas cogitadas para a crise seria a adoção do parlamentarismo. Como o senhor vê essa alternativa?
Sou parlamentarista, sempre defendi esse sistema e acho que no futuro
é por onde devemos trafegar. Mas penso que essa discussão tem de
ocorrer fora do contexto de uma crise aguda. O parlamentarismo, a meu
ver, não é a solução neste instante, quando o Congresso vive um momento
de fragilização.
O governo do PT tenta agora fazer o ajuste que negou que
faria durante toda a campanha. O ajuste do PSDB, caso tivesse saído
vitorioso, seria diferente?
O ajuste do PSDB teria uma dosagem bem mais fraca, mas produziria
resultado mais rapidamente e com impacto muito maior. A retomada dos
investimentos seria imediata. O ajuste do PSDB restauraria a
credibilidade. Com a volta da confiança, tudo entra nos eixos. Um
governo confiável poderia promover, em curtíssimo prazo, a redução da
taxa de juros. Em boa medida, a disparada atual dos juros se deve à
tentativa estabanada do Banco Central de restaurar a confiança. Enxergo o
ministro da Fazenda cada vez mais isolado. O mais grave é ele não poder
dizer em alto e bom som que as medidas do ajuste aprovadas até agora
não funcionam por causa da herança maldita de sua própria chefe. Temos
um ministro da Fazenda manietadoBLOG DO CORONEL

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