Marina trabalhou como doméstica na casa de Terezinha Lopes, no Acre.
'Venceu os próprios medos', diz fonoaudióloga que teve Marina como babá.
"Ela forrava um pedacinho de madeira, cobria com folhas brancas de caderno, arrumava os santinhos e usava pires para acender as velas. Toda noite, ela e minha filha passavam horas rezando. Marina sonhava em ser freira e também induziu a minha filha, que dividia o mesmo sonho, mas nenhuma das duas se tornou. Ela pediu ajuda a Deus com tanta força e devoção que está aí e vai virar nossa presidente", acredita Terezinha.
Marina chegou à família por meio de uma filha já falecida de dona Terezinha, que ficou sabendo de sua história. "Minha filha conheceu Marina e ao saber de sua história, trouxe ela para casa. Eu já tinha oito filhos, mas onde comem oito, comem mais", conta animada.
Marina era tímida e não falava muito. Entre uma tarefa e outra, a ex-ministra também cuidava da fonoaudióloga Giselle Moraes, de 42 anos, que tinha poucos meses de vida. "Minha mãe morava no interior e ela ficava comigo. Não me lembro porque eu tinha meses de vida, mas sempre que ela nos encontra faz questão de falar com todos", diz a fonoaudióloga.
A candidata dividia o quarto com a filha de Terezinha. A dona de casa conta que as duas eram muito amigas e que ela era a única pessoa com quem Marina conseguia conversar abertamente, por conta da timidez. A filha de dona Terezinha morreu há cinco anos. "Minha filha ensinava caligrafia e meu marido as operações matemáticas. Ela passava o dia em casa e à noite estudava no Mobral [Movimento Brasileiro de Alfabetização]", relembra.
A fonoaudióloga acredita que Marina teve que lutar contra ela mesma para chegar até onde chegou. "Ela venceu os próprios medos, hoje é uma comunicadora, e pensar que anos atrás ela nem conseguia se expressar direito", pontua.
Quanto às eleições, a torcida da família é clara. "Eu e meu marido, que também já faleceu, sempre votamos nela. Mesmo como senadora, ela nunca esqueceu a gente. Nas eleições de 2010, ela veio aqui e pediu um tempo para ficar conosco. Meu marido, que ainda era vivo, ficou muito feliz. Ele sempre teve orgulho da nossa casa ter sido a primeira da Marina", destaca.
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