O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, seria a ligação entre a compra da refinaria americana e o esquema sujo desfeito pela Operação Lava Jato na refinaria Abreu e Lima.
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A Polícia Federal iniciou uma investigação que liga a compra da refinaria de Pasadena ao esquema de lavagem de dinheiro na refinaria Abreu e Lima,
em Pernambuco, que teria movimentado até R$ 10 bilhões e foi desfeito
pela Operação Lava Jato. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras,
Paulo Roberto Costa, que ocupou o cargo de 2004 a 2012, está envolvido
nos dois casos.
A compra de Pasadena, iniciada em 2006 com a aquisição de 50% da refinaria de uma empresa belga, a Astra Oil, é cercada de polêmica em razão do preço pago pela Petrobras. Após o negócio ser fechado, a estatal brasileira indicou um integrante para representá-la no conselho de proprietários. Esse representante era Paulo Roberto Costa.
Segundo matéria do Valor Econômico,
a Petrobras, por três anos, deu carta branca para que Costa negociasse a
contratação de novos fornecedores e a celebração de aditivos para as
obras da refinaria Abreu e Lima sem precisar passar pelo conselho de
administração ou pela diretoria colegiada da estatal. Durante esse
período, o ex-diretor aprovou mais de R$ 6,5 bilhões em contratos e
aditivos.
O distanciamento que a alta cúpula da Petrobras mantinha das decisões tomadas pelo conselho da refinaria ficou claro ontem após as declarações dadas pelo ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras do Senado. Gabrielli minimizou o fato de o conselho de Abreu e Lima ter assinado mais de 150 termos aditivos. “Não é tanto aditivo. Sabe quantos contratos tem a refinaria Abreu e Lima? 260 contratos. Não sei quando aditivos têm por contrato”, disse Gabrielli.
Costa, que já foi preso e solto, seria a
ligação entre o doleiro Alberto Youssef e a Petrobras. Youssef está
preso na PF do Paraná e é investigado por lavagem de dinheiro,
corrupção, evasão de divisas e outros crimes. Ambos são acusados de
desviar verbas em contratos fraudulentos da estatal. Recentemente, o
delegado Caio Costa Duarte, da Divisão de Repressão a Crimes, enviou um
ofício ao juiz federal Sérgio Fernando Moro, do Paraná, citando a
existência de “uma organização criminosa no seio” da estatal, e pediu o
compartilhamento de provas da Operação para a condução do inquérito
sobre Pasadena.
“A citada refinaria teria sido comprada por valores vultosos, em dissonância com o mercado internacional, o que reforça a possibilidade de desvio de parte dos recursos para pagamento de propinas e abastecimento de grupos criminosos envolvidos no ramo petroleiro”, descreve o delegado. “Acrescentando-se a isto, apura-se possível existência de uma organização criminosa no seio da empresa Petrobrás que atuaria desviando recursos com consequente remessa de valores ao exterior e retorno do numerário via empresas offshore”, completa o policial.
Diante das suspeitas, Gilberto Carvalho minimizou a acusação,
afirmando que “é uma opinião subjetiva de um delegado e não do conjunto
da PF”. Carvalho é o mesmo ministro-chefe da Secretaria-Geral da
Presidência da República que recentemente minimizou o
Mensalão reduzindo-o a um “caixa dois“. Um ano e meio e 69 sessões depois, o Supremo Tribunal Federal concluiu que ele estava errado.
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