Mesmo nos
bons momentos em que, com exagero, o país era visto do exterior como se
estivesse na porta de entrada do bloco das economias desenvolvidas,
algumas fragilidades persistiam em campos estratégicos. Educação, um
deles, bem como na infraestrutura e em vários itens que compõem o que se
chama de “ambiente de negócios” — burocracia, tributos, entre outros
itens.
O governo
Dilma tentou aplicar um modelo, batizado de “nova matriz econômica”,
pelo qual a produção seria puxada pelo consumo, sem se abrir espaço ao
setor privado nos investimentos, e ainda fazendo-se pouco caso do
equilíbrio fiscal, logo, da inflação. Não deu certo. O governo tentar
refazer o caminho nos investimentos, mas a inflação se firma como
destaque na lista de problemas graves, enquanto o crescimento do PIB se
mantém anêmico. Os velhos problemas persistem e eles estão expostos no
último ranking de competitividade, referente a 2014, montado pelo
International Institute for Management Development (IMD), com apoio no
Brasil da Fundação Dom Cabral.
Neste
levantamento, o país perdeu mais três posições e está em 54ª lugar numa
relação de 60 economias. Ou seja, o Brasil é um dos dez piores em poder
de competição no mundo.
Tudo
muito coerente com os resultados obtidos, por exemplo, na balança
comercial, em que a queda das cotações mundiais de commodities e
elevação das importações de combustíveis nem de longe são compensadas
pelas vendas de manufaturados. Nestas, os problemas da baixa
competitividade do país são visíveis.
É
sugestivo que nos últimos quatro anos — período no qual foi testada a
“nova matriz” —, o Brasil haja perdido 16 posições no ranking do IMD, e
hoje esteja à frente apenas de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina,
Croácia e Venezuela. Portanto, em más companhias, principalmente
Argentina e Venezuela, aliados ideológicos de Brasília, em diversos
estágios de uma crise econômica grave.
Afetada
pela má colocação do país em termos de gestão governamental (58º lugar),
qualidade da infraestrutura (52º) e inflação (54º), a eficiência
empresarial caiu de 37ª para 46ª posição.
Todo este
cenário empurra o próximo governo para fazer reformas que destravem a
economia — tributária, trabalhista, entre outras. Se não for estancada a
tendência de os gastos em custeio cresceram sempre mais que a
arrecadação e o PIB, em meio a um persistente intervencionismo
governamental, os horizontes continuarão turvos e os investimentos,
travados.
A
vantagem é que, segundo o IMD, o Brasil continua bem avaliado em tamanho
da economia e poder de atração de investimentos diretos externos.
Deve-se aproveitar enquanto é assim.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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