Alegorias criadas por parintinenses são usadas em escolas do Rio e SP.
80% dos artistas dos bois de Parintins trabalham no carnaval, diz um deles.
Rossy, atualmente é vice-presidente do Boi-bumbá Caprichoso. Mesmo assumindo um cargo de gestão no bumbá, ele consegue tempo para administrar sua equipe, composta por 30 artistas, distribuídos entre as escolas de samba Beija-flor, Mangueira, Portela, Grande Rio e São Clemente. "Não é apenas o artista. Parintins hoje conta com verdadeiros profissionais polivalentes. São projetistas em 3D, desenhistas, escultores, aderecistas. Eu já fiz 12 carnavais consecutivos, sempre fazendo as mesmas escolas", revela.
Parintins' nos galpões das escolas de samba
(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
"Seriam diferentes, mais não os mesmos. Acho que o Carnaval sem a arte parintinense já é fantástico. Com Parintins, então, é um espetáculo. Assim como o Festival de Parintins ganhou muito com o talento dos cariocas nos efeitos de iluminação, a tecnologia cabocla dos parintinenses, quase sempre, traz um destaque especial para as escolas de samba. Ver um carro alegórico estático, sem movimento não é a mesma coisa que visualizar uma alegoria articulada, com um bom revestimento, simulando quase um ser vivo. Além disso, conseguimos deixar as alegorias mais leves e reduzir o custo nos materiais cerca de 30% menos, o que faz uma grande diferença. Quando conseguimos realizar um bom trabalho, fazendo o público ser capaz de aplaudir a alegoria passando, é uma gratificação sem tamanho. Por isso agradeço sempre o espaço que as Escolas de Samba nos dão para mostramos nosso trabalho, para aprendermos e contribuirmos com a história do carnaval", disse ao G1.
Carlinhos conta que começou a trabalhar para escolas de samba em 1998. Em São Paulo, ele realizou trabalhos na Nenê de Vila Matilde, Império de Casa Verde e Acadêmicos do Tucuruvi. Já no Rio de Janeiro, começou a trabalhar em 2007 e já fez alegorias da Grande Rio, Império Serrano, Mangueira e Rocinha. Atualmente trabalha no Salgueiro.
"Se pensarmos no aprendizado, ganhamos muito. Mas em termos econômicos, nem tanto. (...)Quando chega mais próximo ao carnaval é quando é liberado as verbas de incentivo para as escolas de grupos e blocos, a demanda por mão de obra especializada fica muito concorrida. O contrato de cada profissional varia, dependendo da sua especialidade, da experiência e de suas referências em outros trabalhos. Na nossa equipe por exemplo, um ajudante ainda em formação técnica ganha em torno de R$ 2 mil ao mês, mínimo. Dependendo do trabalho, e do tempo de execução, os valores aumentam bastante. Nos últimos anos passamos a formar nossos profissionais, trabalhando em parcerias contínuas com alguns cariocas, além de apostar em novos talentos vindos de Parintins. Jovens aos quais repassamos os conhecimentos técnicos e nossas experiências e que já começam a formar suas próprias equipes", conta Carlos.
Vai de São Paulo (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
Mesmo cientes da interferência positiva no carnaval, os profissionais de Parintins acreditam que as duas festas saem ganhando com o intercâmbio entre as cidades. "O aprendizado que o carnaval me trouxe, tanto como ser humano quanto como profissional, me deu uma estrutura de como conduzir melhor as coisas. Estou como vice- presidente do Caprichoso. Esse aprendizado está sendo empregado diretamente em Parintins. Não é um retorno só financeiro ", disse Rossy.
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