Cemitério Cadelinha Sasha em Teresina (Foto: Yara Pinho/G1)
O Dia de Finados também é um dia para as pessoas prestarem homenagem aos seus bichinhos de estimação já falecidos. Em
Teresina,
o Cemitério Cadelinha Sasha localizado no campus Petrônio Portela da
Universidade Federal do Piauí (UFPI), na Zona Leste, é um espaço que
retrata bem essa relação de amor mesmo após a morte. De acordo com o
jardineiro do único cemitério público destinado a animais do estado,
Reginaldo Sousa, é grande o fluxo de visitas no local, sempre
acompanhada de muita comoção e fortes demonstrações de saudade.
Jardineiro do cemitério de animais, Reginaldo Sousa
(Foto: Yara Pinho/G1)
“Os donos vem durante todo o dia. Eles já costumam visitar os túmulos
durante os sábados, mas é no Dia de Finados que o sentimento de saudade é
intensificado. Neste dia, eles vêm rezar, ascender velas, trazer coroa
de flores. Eles ficam muito emocionados diante dos jazigos de seus
bichinhos já falecidos, é um momento como em qualquer outro do
cemitério, onde uma pessoa vem ao túmulo de um ser querido”, diz.
No cemitério, a emoção vista no Dia de Finados é semelhante ao do
sepultamento de humanos onde a despedida dos animais é feita com velório
e orações. Mesmo com 377 jazigos, o local possui um número bem maior de
bichos já que em uma mesma gaveta ficam enterrados mais de um da mesma
família.
“A maioria dos túmulos tem mais de um animal. Existe um caso em que a
dona enterrou oito gatos na mesma gaveta. Desta forma, nem sei bem ao
certo quantos bichos temos enterrados aqui. Sei apenas que o sentimento
desses donos com seus animais é muito interessante e deve ser respeitado
por todos”, declara.
A servidora pública, Socorro Boa Vista, perdeu sua cachorrinha poodle
de nome Paloma em março deste ano. Ela visita o túmulo da pet uma vez
por mês e diz que sofre porque a cadelinha era considerada um membro da
família. “Tenho três filhos e a Paloma era a minha quarta filha. Ela
tinha 13 anos de idade e era muito muito dócil, sentia tudo. Se alguém
de casa estava mal ou doente, ela também ficava triste”, falou.
Socorro Boa Vista perdeu sua cachorrinha poodle de nome Paloma em março (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
Socorro revelou que desde a morte de Paloma nunca deixou de ir ao
cemitério e no Dia de Finados faz questão de homenagear a cadelinha.
“Quando ela morreu eu vinha toda semana, agora tento visitar somente uma
vez por mês. Eu acredito que os animais possuem espírito e por isso no
dia de finados faço questão de ir ao túmulo do cemitério para acender
velas e colocar flores para ela”, contou.
A poodle ‘Odim’ também está enterrada no cemitério. Sua dona, Sara
Câmara, mantém o túmulo da cadela sempre limpo e conservado. Segundo
ela, quando a pet morreu todos da família que estavam viajando para
Jericoacoara (CE) cancelaram o passeio.
“Quando peguei a Odim para criar ela tinha apenas 15 dias de vida e
conviveu com a gente por seis anos. Ela tinha câncer e as complicações
afetaram os rins dela. Foi um dia muito triste para todos nós, por isso
voltamos imediatamente da nossa viagem quando soubemos o que tinha
acontecido”, falou.
'Odim’ também está no cemitério. Sua dona mantém o túmulo sempre limpo (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
O engenheiro Francisco Melo também guarda boas lembranças da sua cadela
Bolota que morreu em outubro de 2012. Ele disse que a pet era mais
inteligente que muitos humanos e que a ausência dela o deixa triste.
“Ele me faz falta quando chego em casa e não a encontro. Era um cachorro
mais inteligente que muita gente que conheço”, ressaltou.
Bolota morreu aos 12 anos de idade e pesando 12 quilos. “Ele tinha um
câncer e o coração cresceu depois que doença se espalhou pelo corpo. Foi
muito difícil perder ele dessa forma”, lamentou.
Donos visitam seus pets enterrados em cemitério no Dia de Finados no Piauí (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
O jardineiro Reginaldo Sousa conta ainda que a visitação neste dia é
tão grande que o coreto existente no meio do cemitério, para acomodar o
visitantes, já não é suficiente.
O local inaugurado em 2009 é o único no país segundo o diretor do
Hospital Veterinário Universitário (HVU), João Macedo. De acordo com
ele, o Cemitério Cadelinha Sasha é o único destinado a animais sem fins
lucrativos no Brasil. “Os donos que quiserem enterrar seus bichos de
estimação pagam apenas uma taxa no valor de R$ 60 para cobrir os custos
com o jazigo e o sepultamento, ao contrário de outros cemitérios que
existem no Brasil”, relata.
O Cadelinha Sasha fica aberto de segunda a sábado no horário de 8h às
12h e das 14h às 17h. Já neste sábado (2), devido o Dia de Finados, o
local abrirá um hora antes.
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