Cerimônia religiosa foi realizada na manhã desta segunda, no Pelourinho.
Profissionais reclamam da proibição da prefeitura em atuar nas praias.
Missa é celebrada em comemoração ao dia da Baiana de Acarajé (Foto: Maiana Belo/G1)
Tradição e protesto marcam a data em que é celebrada o dia da Baiana de
Acarajé. Nesta segunda-feira (25), cerca de 300 baianas participaram de
uma missa realizada na igreja do Rosário dos Pretos, no centro
histórico de
Salvador.
Com um símbolo preto semelhante ao utilizado na luta contra a AIDS, as
baianas de acarajé fizeram um protesto silencioso durante a missa
realizada no Pelourinho. Elas declararam que estão de luto por causa da
proibição da prefeitura em atuar nas praias de Salvador.
“A prefeitura ofuscou uma vitória que nós tivemos com a Fifa e agora
apenas 120 baianas vão trabalhar nas calçadas, sendo que somos 500. Hoje
é o dia das baianas, mas não temos o que comemorar. Estamos esperando
que alguém do poder público se manifeste”, disse Rita Santos, presidente
da Associação das Baiana de Acarajé e Mingau da
Bahia (ABAM).
A atividade das baianas de acarajé é considerada patrimônio cultural
imaterial do Brasil. Em outubro deste ano, as baianas que trabalham nas
praias terão que substituir a areia por outros pontos nos calçadões da
orla de Salvador por determinação da Justiça Federal. A justificativa é
de que o óleo de dendê em contato com o solo polui o meio ambiente.
Para a soteropolitana Lúcia Maria Cerqueira, que há 18 anos mora em
Brasília e vende acarajé em Taguatinga do Norte, a presença nas
comemorações pelo dia das baianas é sinônimo de apoio à proibição da
prefeitura.
Baianas utilizaram uma fitinha preta no peito em
protesto (Foto: Maiana Belo/G1)
“Estou aqui para prestigiar minhas colegas e também para ajudá-las a
reivindicar por não poder trabalhar nas praias. Nós somos patrimônio,
nosso trabalho mata a fome, nos sustenta. Eu pago a faculdade de turismo
da minha filha com o que eu ganho”, relata Lúcia, conhecida como Iaiá
do acarajé.
Ao ser perguntada sobre uma possível volta para atuar na capital
baiana, Lúcia é precisa. "Lógico! Meu axé está plantado aqui, só estou
lá passando uma chuva”, conclui.
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