quinta-feira, 3 de outubro de 2013

'Não vai faltar médico em Cuba', diz profissional cubano ao chegar em BH


225 estrangeiros do Mais Médicos desembarcam em Belo Horizonte.
2 mil profissionais cubanos foram selecionados na 2ª etapa do programa.

Luiza Andrade Do G1 MG

Médicos cubanos chegam a Belo Horizonte (Foto: Luiza Andrade / G1)Médicos cubanos chegam a Belo Horizonte (Foto: Luiza Andrade / G1)
Em meio à polêmica sobre o grande número de profissionais cubanos selecionados a partir da parceria entre o Governo Federal e a Organização Panamericana de Saúde (Opas), desembarcaram no aeroporto de Confins, na manhã desta quinta-feira (3), 225 médicos cubanos. O grupo faz parte dos 2 mil profissionais de Cuba que chegam ao Brasil em outubro para participar da segunda etapa do programa do governo federal Mais Médicos. Questionado sobre a polêmica, Higinio Rodriguez Hernandes, um dos médicos selecionados para representar o grupo, disse que "não vai faltar médico em Cuba".
Higinio Rodriguez Hernandez, médico especialista em medicina geral integrada, chega a Belo Horizonte pelo programa Mais Médicos. (Foto: Luiza Andrade / G1)Higinio Rodriguez Hernandez, médico especialista
em medicina geral integrada, chegou a BH pelo
programa Mais Médicos. (Foto: Luiza Andrade / G1)
Especialista em medicina geral integrada e médico há 21 anos, Higinio Rodriguez Hernandes afirmou que, apesar do grande número de profissionais encaminhados ao Brasil, a população cubana não vai sofrer com o êxodo desses profissionais. “Já colocaram duas novas médicas na clínica onde eu trabalhava, em Cuba. Elas vão suprir a minha ausência com muita qualidade”, disse. Sobre a polêmica do salário dos cubanos, Higinio explicou que vai ganhar no Brasil o mesmo salário que ganhava no país de origem. “A única diferença é uma pequena ajuda de custo para morar no Brasil”, afirmou o médico recém-chegado. “Estudei de graça em Cuba, me especializei sem pagar nada, e agora posso retribuir à saúde da população fazendo esse trabalho. Vim ao Brasil porque quero ajudar a quem precisa.”, completou.
Na capital mineira, os cubanos foram recebidos com festa por um grupo de cerca de 40 pessoas, entre representantes de sindicatos e organizações que foram ao aeroporto manifestar o apoio à vinda dos profissionais ao Brasil. Os estrangeiros foram presenteados com pães de queijo e livros de autores brasileiros pelo grupo, que carregava bandeiras e gritava “Viva Cuba!” durante a recepção. Em Belo Horizonte, os profissionais vão fazer um curso de três semanas do Ministério da Saúde para, depois, iniciarem seus trabalhos no atendimento de saúde pública no país. O mesmo curso será ministrado em três outras cidades brasileiras: Vitória, Fortaleza e Brasília.
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Ivette Garcia Oro, à esquerda, e Mayran Velasquez, à direita. Médicas cubanas vieram ao Brasil pelo programa Mais Médicos. (Foto: Luiza Andrade / G1)Ivette Garcia Oro, à esquerda, e Mayran Velasquez, à
direita. Médicas cubanas vieram ao Brasil pelo Mais
Médicos. (Foto: Luiza Andrade / G1)
Apesar da expressão de cansaço por conta das longas horas de voo, Ivette Garcia Oro e Mayran Velasquez, ambas especialistas em medicina geral integrada, se disseram contentes de terem chegado ao Brasil. "Viemos ajudar o povo brasileiro. Vamos para áreas pobres, atender pessoas carentes que não têm acesso à saúde.", disse Mayran, explicando que a intenção da vinda ao Brasil é melhorar as condições de vida de quem mora em regiões mais carentes de saúde pública.
No aeoporto, os médicos também foram recepcionados pelo Secretario Nacional de Atenção à Saúde Básica, Helvécio Magalhães. Durante uma entrevista coletiva, o secretário frizou a intenção do governo em transformar a Medida Provisória (MP) que instituiu o programa Mais Médicos em lei até o final de novembro deste ano. Segundo ele, a MP está passando por um processo de revisão e adaptação para ser debatida no Congresso e, então, sancionada pela presidente Dilma Rousseff.
O grupo de estrangeiros deixou aeroporto Internacional Tancredo Neves em cinco ônibus fretados pelo Ministério da saúde. Os veículos encaminharam os profissionais à sede do SESC no bairro Venda Nova, onde ficarão hospedados e terão as aulas do curso de acolhimento.
Preparação
No próximo domingo, deve chegar a Belo Horizonte outro grupo de 225 médicos cubanos da segunda fase do programa. Juntos, os 450 médicos passarão pelo curso de acolhimento, que deve durar três semanas, do dia 7 ao dia 25 de outubro. Criado pelo Ministério da Saúde especificamente para receber médicos estrangeiros pelo programa, o curso consiste em aulas de portugues e saúde básica. Segundo o ministério, a partir do dia 28 de outubro, segunda-feira, os médicos já estarão aptos ao atendimento, desde que os registros médicos sejam emitidos.
A lista de cidades de destino dos cubanos no Brasil após o término do curso ainda não foi divulgada. Segundo o ministério, o encaminhamento dos médicos será definido nas próximas semanas. Os dois mil profissionais estão sendo divididos e encaminhados a quatro cidades brasileiras para fazer o curso de acolhimento. Recebem os profissionais a capital mineira, Fortaleza, Vitória e Brasília. Além dos cubanos, participam da segunda fazer mais 149 médicos com diplomas emitidos em 11 países diferentes. Dentre estes, há 44 brasileiros que cursaram a graduação fora do país.

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