O artesão César Farias aprendeu a arte da ourivesaria com o pai.
Casal escolheu simbolizar a união com a aliança de semente e ouro.
O anel, confeccionado por um artesão de Rio Branco, é feito de ouro e uma semente comum na Amazônia, a jarina, conhecida popularmente como marfim da Amazônia. "Quando ele me entregou, disse que escolheu exatamente pela questão regional. A semente, era algo bruto, da natureza. Já o ouro, era algo sofisticado. Segundo ele, esses dois elementos representavam a nossa união", lembra.
Emanuelly, admite que sempre sonhou com um casamento, e após anos juntos, o casal começou a pensar sobre o futuro. "Depois de seis anos, você questiona se o relacionamento vai avançar ou ficar aquilo mesmo, ele sabia que eu sonhava com um casamento, então, me pediu. Por enquanto ainda somos namorados, não moramos juntos. Ainda estamos tentando colocar nossos caminhos no mesmo rumo para construirmos nossa família", diz.
da universidade (Foto: Veriana Ribeiro/G1)
César Farias é um conhecido artista de Rio Branco, famoso por seu trabalho como cantor, repentista e artesão. A criação de biojóia começou em 1984, na época em que servia ao exército. "Eu era da infantaria de selva e passava muito tempo na mata, então, colhia as sementes para fazer artesanato e me distrair. Comecei a desenvolver esse trabalho, em uma época em que ainda não existia esse conceito de biojóias. Quem fazia anéis, colares e pulseis com sementes eram apenas os índios", diz.
O artesão começou a unir o conhecimento adquirido no meio da floresta com a arte da ourivesaria, que havia aprendido com o pai. "Ele conheceu minha mãe em Tarauacá e resolveu fazer um par de alianças. Um ferreiro que ele conhecia tinha os materiais e ele decidiu fazer a aliança. Minha mãe, é claro, se apaixonou e dos oito filhos, eu sou o que deu continuidade nesse trabalho de fazer jóias, inclusive os anéis", conta.
Para divulgar o trabalho de artesanato, César Farias decidiu criar um personagem chamado Zé Jarina. "Achava muito estranho falar sobre mim. Então, criei o Zé Jarina. Só que ele acabou ficando mais famoso do que o próprio César", ri.
Através do Zé Jarina, um repentista que adora contar histórias, o artesão começou a divulgar as peças, realizando exposições em diversos lugares, desde seringais no interior do Acre até cidades como Barcelona, Madri e Lisboa. Com o tempo, a profissão de cantor também ganhou espaço. "Tenho vários trabalhos, um vai segurando o outro. Mas ultimamente eu vivo mesmo dos shows e da minha venda de CDs e jóias", diz.
(Foto: Veriana Ribeiro/G1)
O preço das peças varia de acordo com os metais utilizados e do tempo de trabalho. Um par de aliança varia entre R$ 250 a R$ 300. O artesão também cria colares, brincos e pulseiras, aplicando as técnicas de ourivesaria em sementes.
"Eu fazia todo o trabalho. A colheita e seleção das sementes, depois lapidava e fazia o trabalho de ourives. Agora fiz uma parceria com os índios Apurinãs, de Boca do Acre (AM). Pego os anéis de semente prontos e trabalho em cima da peça. É uma forma de ajudar a comunidade, e como eles fazem um trabalho exclusivo para mim, o preço é um pouco maior do que no mercado", explica César.
Mas o artesão salienta que uma aliança de semente tem cuidados especiais. "Quando você bate em algum lugar com uma aliança normal, o ouro amassa. Já a semente quebra. Tem que ter muito cuidado, porque quando a semente quebra tem que fazer a peça toda de novo", adverte.
Para César, a originalidade é a palavra chave de seu trabalho. "Eu não consigo me repetir. Uma peça nunca sai completamente igual a outra. Ainda existe a opção de construir junto comigo, o que acho até bom. É diferente de algo que você compra na vitrine, dessa forma a alma da pessoa vai junto", diz.
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