Exame abandou interdisciplinariedade nas questões, segundo especialista.
Provas tinham muito conteúdo e exigiram fórmulas e cálculo.
De acordo com eles, a edição deste ano exigiu conhecimentos específicos dos candidatos em quase todas as áreas avaliadas, aproximando-se do que é pedido nos vestibulares tradicionais pelo país.
As notas de cada candidato serão divulgadas no início de janeiro de 2014.
'Não basta ser inteligente'
"A prova tinha bastante conteúdo. Algumas questões de física exigiam que o aluno soubesse fórmulas. Só foi bem quem estava bem preparado para o vestibular, não bastava ser inteligente, tinha que ter conteúdo", afirma o professor Eduardo Figueiredo, do cursinho Objetivo.
Figueiredo ressaltou ainda o abandono da interdisciplinaridade entre as matérias. "Isso já desapareceu no Enem faz tempo. Na prova de ciências naturais, por exemplo, havia 15 questões de química, 15 de biologia, e 15 de física. Não havia interseção entre elas", afirmou.
O professor Marcello Menezes, do Projeto Educação, também observou uma mudança em relação aos anos anteriores com a prova assumindo um caráter conteudista mais acentuado. "O Enem está mais focado ao conteúdo. Começaram com uma linha muito longa de texto nos anos anteriores. Agora, a prova é adequada ao cotidiano. O aluno que se preparou pode fazer uma boa prova."
As alterações tornaram o exame mais semelhante aos demais vestibulares do país, acredita Luís Ricardo Arruda, coordenador geral do Anglo. "O Enem de hoje é um vestibular. O candidato precisa dominar os diferentes assuntos de cada matéria. Se olharmos a prova de matemática, teremos logaritmo, proporção, escala, figuras geométricas", diz.
Para Edmilson Motta, coordenador geral Etapa, os enunciados da prova também mudaram bastante. “Antes, a prova era travada com enunciados maiores e às vezes truncados. Agora, estão mais curtos e exigem mais conhecimento específico, aumentando a complexidade", relembra.
A exceção, segundo Edimilson, foi a prova de linguagens que continuou exigindo uma boa interpretação de texto dos candidatos. “É a matéria que realmente vai avaliar os candidatos na sua capacidade de transitar entre os diversos gêneros e maneiras de avaliar a informação”.
Contemporaneidade
A edição de 2013 foi elogiada pelos professores pela atualidade das questões, com questões críticas sobre a internet e seus usos, além de temas como obesidade, bullying e protestos, este último abordado na questão que trazia um trecho da canção “Até quando?”, de Gabriel o Pensador.
A própria redação trouxe à luz um tema atual: a Lei Seca, diz o professor Luís Ricardo Arruda, do Anglo. “É um tema de interesse de todos, independente da classe social. Um tema de relevância para a sociedade como um todo”, afirma.
Para Eduardo Figueiredo, do cursinho Objetivo, a escolha mostra que o exame está atento ao que acontece no país. “É atual. Acho perfeitamente pertinente procurar contextualizar a prova com as coisas cotidianas, é algo muito positivo”, conclui.
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