Setor da fábrica de S. José que iria fechar será mantido até dezembro.
Cerca de 1.500 trabalhadores estavam ameaçados de demissão.
Uma das decisões tomadas neste sábado é de retomar a produção do sedã Classic até dezembro, o que garante trabalho para parte dos funcionários na linha de automóveis por esse período e a manutenção do setor. Mesmo com o acordo, o emprego de outras cerca de 650 pessoas continua ameaçado.
Os trabalhadores que ainda correm o risco de serem demitidos são do grupo de 800 que está em layoff -- suspensão temporária dos contratos de trabalho -- desde setembro do ano passado. O prazo de layoff terminou neste sábado (26) mas, pelo acordo, será estendido por mais dois meses.
retomada até dezembro (Foto: Divulgação)
Nem a GM nem o sindicato determinaram o número exato de demissões e quando elas devem ocorrer. Os ameaçados são estimados em 650 porque há em torno de 150 funcionários com contratos suspensos que, segundo o sindicato, têm estabilidade em virtude de "restrição de atividade" e deverão voltar a trabalhar após os dois meses de layoff, "mesmo que em outra função", completou Moan.
As decisões ainda precisam ser aprovadas pelos funcionários da montadora, em assembleia na próxima segunda-feira (28).
Como é a fabrica
O complexo de São José dos Campos possui, ao todo, cerca de 7 mil funcionários. O setor que estava para fechar era o de Montagem de Veículos Automotores (MVA), onde o único remanescente na linha era o Classic, cuja produção seria encerrada no fim do mês. Em outros setores, a unidade produz a picape S10 e o utilitário Trailblazer.
anuncia acordo firmado após negociação.
(Foto: Carlos Santos/G1).
Como a montadora já havia planejado parar de fabricar o sedã em São José no próximo dia 26, a produção do modelo não poderá ser retomada imediatamente.
"Não há autopeças", explicou Moan, da GM. A linha terá férias coletivas até o próximo dia 14 e "voltará após o carnaval", disse ele.
Além de São José, o Classic, um dos modelos campeões de venda da GM, é produzido em São Caetano do Sul (SP), onde fica a sede da empresa.
Investimento e salário menor
O acordo foi firmado após 9 horas de reunião a portas fechadas entre representantes da GM, do sindicato, da prefeitura e do governo federal. Ele contém, ao todo, 16 itens (veja todos ao fim da reportagem).
Entre esses itens estão o investimento de R$ 500 milhões na unidade até 2017 e a redução para R$ 1.800 do piso salarial dos novos funcionários, ponto cobrado pela GM durante toda a negociação. Atualmente, o piso na unidade de São José é de R$ 3.100, considerado alto demais pela montadora.
“Até este acordo, não estava previsto um centavo de investimento para planta de São José
Luiz Moan, diretor de relações institucionais da GM
Com a crise em São José, a GM estava levando lançamentos para serem fabricados em outras unidades. como foi o caso do hatch Onix, produzido em Gravataí (RS). Neste sábado, Moan também aproveitou para anunciar contratações para a planta gaúcha e para a fábrica de motores de Joinville (SC).
“Esse acordo não é o nosso sonho", comentou o presidente do sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antônio Ferreira de Barros Macapá. "Não é o que o sindicato gostaria, mas é o que foi possível e agora cabe aos meus companheiros deliberarem para saber se aprovam ou rejeitam.”
Presente na reunião, o secretário nacional de Relações do Trabalho, Manoel Messias Melo, disse que o acordo agrada o governo federal porque garante a geração de empregos na planta da GM em São José e a manutenção do complexo.
O prefeito Carlinhos Almeida (PT) também comentou a decisão: "Quero ressaltar aqui a maturidade de ambas as partes nesse processo. Sindicato e GM fizeram um grande esforço para chegar nesse acordo. Isso é muito positivo porque abre perspectiva para uma nova relação entre eles."
Entenda o caso
A GM anunciou em julho passado a intenção de fechar o MVA, dois anos depois de não chegar a um acordo com o sindicato para a atração de novos investimentos para a planta.
No ano passado deixaram de ser produzidos em São José dos Campos 3 dos 4 modelos daquela linha: Meriva, Zafira e Corsa hatch, que foram "aposentados". Com a redução na produção, a montadora avaliou que a mão de obra do MVA, que empregava em agosto 1.840 funcionários, era excedente. Além disso, a direção considerava a planta de São José pouco competitiva por conta do elevado custo da mão de obra em comparação com a concorrência.
Em um ano, mais de 1.100 trabalhadores foram desligados por meio de Programas de Demissão Voluntária (PDV), segundo o sindicato.
Veja abaixo os principais pontos do acordo deste sábado:
1) Investimento de R$ 500 milhões no setor de motores e transmissões da planta de São José dos Campos entre 2013 e 2017;
2) Piso salarial reduzido para novos funcionários reduzido a R$ 1.800;
3) Negociar com a planta de São José dos Campos a produção de futuros veículos;
4) Jornada de trabalhado extraordinária de até 2 horas por dia e compensação da jornada –a compensação permite que a carga horária seja reduzida, caso o mercado esteja em baixa, em um montante total de 12 dias por ano. Com o mercado em alta, será permitido compensar a jornada que foi reduzida no momento de baixa do mercado;
5) Renovação das clausulas sociais, como a PLR deste ano;
6) Redução do nível de garantia na base de manuseio de material que terá até 900 empregados;
7) Produção do Classicx até dezembro impedimento o fechamento do MVA;
8) Extensão em mais dois meses do prazo de layoff que atinge 780 funcionários e três meses de multa aos operários que forem demitidos;
9) Multa de três meses de salário para os funcionários demitidos;
10) Antecipação da aposentadoria.
(Foto: Carlos Santos/G1)
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