segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Alzheimer: remédio desacelerou declínio cognitivo em fase inicial 

 


 Especialistas em Alzheimer disseram que as novas informações dão motivos para otimismo e cautela.


Tribuna da Bahia, Salvador
05/12/2022 06:00 | Atualizado há 14 horas e 12 minutos

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Foto: Reprodução

Por Pam Belluck 

Altamente esperado, o resultado de um ensaio clínico de um remédio experimental contra o Alzheimer sugere que o tratamento desacelerou um pouco o declínio cognitivo das pessoas nos estágios iniciais da doença. No entanto, também fez com que alguns pacientes apresentassem inchaço cerebral ou sangramento cerebral. 

Os dados, divulgados na noite de terça-feira, 29, ofereceram a primeira visão detalhada dos efeitos da droga Lecanemab e vêm dois meses após os fabricantes, Eisai e Biogen, entusiasmaram-se ao anunciar que a droga havia mostrado resultados positivos. 

 Especialistas em Alzheimer disseram que as novas informações dão motivos para otimismo e cautela. “O benefício é real; assim como os riscos “, disse Jason Karlawish, codiretor do do Penn Memory Center, da University of Pennsylvania, que não está envolvido na pesquisa. 

Um relatório das descobertas publicado no New England Journal of Medicine diz que, ao longo de 18 meses, o Lecanemab “resultou em um declínio moderadamente menor nas medições de cognição e função”, comparado aos pacientes que receberam placebo. Ainda assim, o estudo com quase 1,8 mil pessoas com sintomas leves, financiado pelas empresas e co-escrito por cientistas da Eisai, concluiu que “testes mais longos são necessários para determinar a eficácia e segurança do Lecanemab no início da Doença de Alzheimer”. 

Em setembro, o anúncio inicial das empresas fez o preço de suas ações disparar, porque o campo de desenvolvimento de medicamentos contra Alzheimer foi marcado por anos de fracasso. 

Também foi seguido de controvérsias sobre a decisão da Food and Drug Administration (órgão semelhante à Anvisa) no ano passado, que aprovou outro medicamento contra a doença, o Aduhelm, também fabricado pela Biogen, apesar de estudos não provaram que o tratamento funcionava e mostraram riscos significativos de segurança. Depois que o Medicare (programa federal de seguro de saúde dos EUA) decidiu limitar drasticamente a cobertura do Aduhelm, citando riscos e benefícios pouco claros, o medicamento caro foi afastado do mercado. 

Como o Aduhelm, o Lecanemab – administrado por infusão intravenosa a cada duas semanas – é um anticorpo monoclonal que tem como alvo uma proteína, a amiloide, que se aglomera em placas no cérebro de pessoas com Alzheimer. Anos de testes de vários compostos anti-amiloides não mostraram conclusivamente que limpar ou reduzir os níveis da proteína podem ajudar nos problemas de memória dos pacientes. No início deste mês, outro anticorpo monoclonal anti-amiloide, gantenerumab, fabricado pela Roche e Genentech, não apresentou nenhum benefício cognitivo. 

Essa história dá ao estudo do Lecanemab um significado adicional, pois foi a primeira vez que o ataque à amilóide está correlacionado claramente com uma taxa mais lenta de declínio cognitivo, dizem os especialistas. Mas, como a taxa não foi drasticamente mais lenta, vários médicos que tratam de Alzheimer questionaram se o efeito seria perceptível para os pacientes ou as suas famílias. 

Preocupações sobre a segurança do Lecanemab – pelo menos para algumas pessoas, especialmente aquelas que tomam anticoagulantes – foram alimentadas recentemente por notícias sobre a morte de dois pacientes que apresentaram inchaço cerebral e hemorragia cerebral. Inchaço e sangramento são efeitos colaterais conhecidos de vários medicamentos anti-amiloides. Se o Lecanemab acabar sendo considerado inseguro para pessoas que tomam anticoagulantes, milhares de pacientes podem ser excluídos. 

Fonte: Agência Estado

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