O “freak show” apura-se. E não conhece obstáculos. A América, que é a América, endoideceu a partir de cima. Coitados dos americanos abaixo. E coitados de nós no chão. A crônica semanal de Alberto Gonçalves para o Observador:
“Joe
Biden, que muitos dizem ser o nosso pior presidente, adoeceu com um
caso do vírus chinês, apesar de estar vacinado. Espero que o Joe
‘Sonecas’ consiga recuperar depressa, tal como eu. Os médicos
descreveram a minha luta contra o vírus chinês como hercúlea, e não se
referiam ao Hércules “woke” da Disney, mas ao de Kevin Sorbo. E também
ao de Lou Ferrigno.
Joe, desejo-te rápidas melhoras, ainda que leves a América no rumo errado. Ninguém quer a Kamala!”
Não
é o Discurso de Gettysburg, mas esta mensagem atribuída a Donald Trump é
um mimo de síntese, graça e razão. Por momentos, pensei em rever
severamente a minha opinião acerca dos limites “comunicacionais” do sr.
Trump. Não foi necessário: a mensagem não é do sr. Trump, e sim de algum
brincalhão que a enfiou nas “redes sociais”. O brincalhão merecia ser
descoberto, revelado e promovido a redactor das intervenções
presidenciais. Isto quando, e se, os EUA voltarem a ter um presidente
capaz de os ler sem incluir na leitura os avisos do “teleponto”
(“Pausa”, “Repetir a frase”, etc.).
Este
é o problema, ou um dos inúmeros sintomas do problema. Somados todos os
sintomas, o sr. Biden não parece estar em condições para liderar o
famoso “mundo livre”, embora esteja nas condições ideais para permitir
que o mundo se torne bastante menos livre. Além de não perceber o
conceito de “teleponto”, o homem tropeça em cada degrau, estende a mão a
criaturas que não existem, transforma frases em murmúrios insondáveis,
esquece o nome dos seus interlocutores, perde-se no pequeno jardim da
Casa Branca, é ignorado pelos pares em encontros internacionais, etc. De
brinde, após quatro doses e umas dezoito máscaras simultâneas, que
apenas remove para tossir ou proferir incongruências, o homem anuncia
que apanhou Covid exactamente um ano depois de garantir ao povo que a
vacina evitava a infecção.
O
homem, em suma, não anda bem – nos sentidos literal e figurado. E se
alguns vídeos disponíveis na internet sugerem que ele já não andava bem
há 30 ou 40 anos, a verdade é que então o sr. Biden não passava de um
simples senador. Hoje, é um presidente simples, na acepção pejorativa do
termo. Para cúmulo, é o presidente simples de uma nação complexa, e
decisiva para os nossos destinos. Claro que, nos tempos que correm, até
há estadistas empenhados em aparecer de cuecas, a chapinhar no mar.
Sucede que são personagens de lugares periféricos e condenados à
desgraça. A América ainda não é periférica, e convinha ao Ocidente que
não se desgraçasse.
O
cenário não é animador. Escreveu-se e insinuou-se imenso sobre a
possibilidade, aliás falsa, de Ronald Reagan ter terminado o segundo
mandato com sinais de Alzheimer. O sr. Biden iniciou o primeiro com
sinais sabe-se lá do quê. O que se sabe é que a Covid é o menor dos seus
males. E dos nossos. Em Novembro de 2020, multidões eufóricas
anunciaram o regresso da “decência” a Washington. A palavra que
procuravam é “demência”.
Por
acaso, não falo do pobre sr. Biden. O facto é que, com o beneplácito do
sr. Biden, ou aproveitando o desnorte do sr. Biden nos labirintos da
própria cabeça, a América prosseguiu e acentuou uma espiral de loucura
que seria cómica no Luxemburgo ou na Birmânia. Sendo na América, com a
capacidade da América em determinar o que ocorre no resto da
civilização, a espiral é trágica. Em poucos anos, a sociedade mais
próspera dos últimos cem anos viu as alegadas “elites” (?) reduzidas a
um caldo medonho de folclore, crendice, fanatismo, segregacionismo,
denúncia e prepotência que, fora as fatiotas e os adereços circenses,
não envergonharia um zelota do Alabama em 1922.
Da
sinistra e ruinosa história da Covid, imitação global dos preceitos do
sinistro e ruinoso dr. Fauci, saltou-se num ápice para a radicalização
absoluta dos delírios “identitários” e do que calha, que oscilam entre o
ridículo e o criminoso. Há ódio às mulheres que são mães. Há mães com
receio de que o seu recém-nascido seja um “supremacista branco”. Há
brancos que se ajoelham perante negros. Há negros que recusam
proximidade com brancos (que fiquem de pé, suponho). Há adultos que
escolhem os pronomes pelos quais querem ser designados. Há gente que
exige ser considerada gato ou osga. Há matulões que concorrem em
desportos femininos. Há obesas mórbidas promovidas enquanto modelos de
beleza e saúde. Há anúncios de recrutamento militar exclusivamente
destinados a filhas de lésbicas. Há a ideia de que a tropa serve para
“desfazer estereótipos” e não artilharia inimiga. Há académicos a servir
esta papa aos alunos, a título de “progresso”. E há os “media”, cinema
incluído, que vendem a papa a título de desígnio. E há o poder político,
que confere à papa legalidade.
Ai
de quem não devore a papa, que mistura sentimento com raciocínio e
indignação com pertinência. Sob o cínico logro da “diversidade”, o que
acontece é afinal uma padronização, a redução superficial dos seres
humanos a características que ou são irrelevantes ou são imaginárias. O
processo pode ser alimentado por sede de destruição, idiotia ou
oportunismo. O desenlace, salvo milagre, não será bonito.
A
esperança, a haver alguma, é que a maioria não ceda às ameaças e aos
“cancelamentos” e à censura e às listas negras da minoria barulhenta.
Acredito que milhões de americanos contemplem com crescente horror
semelhante pagode, um pagode indissociável das consequências na
economia, na segurança, na educação e nas gerais minudências que,
antigamente, as pessoas associavam a uma vida razoável. Não sei se serão
os milhões suficientes, ou se serão suficientemente resistentes. E
falta demasiado para as eleições.
Entretanto,
o “freak show” apura-se. E não conhece obstáculos. O sr. Biden não
conta (porque se esqueceria que o “five” precede o “six”). A seguir ao
sr. Biden, perfila-se a dona Kamala, que parece sempre dirigir-se a
retardados. A seguir à dona Kamala, nem Deus sabe o que para ali vai,
incluindo o velhote vestido de senhora que agora é “ministro” da Saúde.
Dado o respectivo estado, o sr. Biden é o elefante na sala oval (ou o
burro, se atendermos ao partido e não só). Infelizmente, na sala cabem
muitos bichos. A América, que é a América, endoideceu a partir de cima.
Coitados dos americanos abaixo. E coitados de nós no chão.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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