Foto: Gabriela Biló/Estadão
Ministro Sérgio Moro ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL)
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse neste sábado (27) no
Rio de Janeiro que não cabe ao ministro Sergio Moro (Justiça) a decisão
sobre destruir ou não as mensagens capturadas pelos supostos hackers
presos nesta semana. “A decisão de possível destruição não é dele. Cada
um de nós pode pensar e até torcer por alguma coisa. O Moro não fala
nada que a lei não permita fazer”, disse Bolsonaro. O presidente, porém,
disse que a situação de Moro segue a mesma no governo federal. “Zero
[estremecido no cargo]. Tenho total confiança nele. Parabéns ao Sergio
Moro, mostrou as estranhas da corrupção no Brasil. Aquele cara que está
preso em Brasília alguém acha que não sabia o que estava acontecendo?
Delatores já devolveram mais de R$ 1 bilhão. A Petrobras foi à lona,
fundo de pensão também.” Reportagem da Folha deste sábado (27) mostrou
que o envolvimento do ministro da Justiça nos desdobramentos da Operação
Spoofing, que prendeu quatro supostos hackers nesta semana, reacendeu a
pressão de alas do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso para
que os dois Poderes deem resposta à atuação do ex-juiz da Lava Jato. A
avaliação de ministros da corte e de parlamentares da cúpula da Câmara e
do Senado é a de que Moro extrapolou os limites de sua competência como
ministro de Estado ao indicar que teve acesso a dados de uma
investigação sigilosa da Polícia Federal. A suposta quebra do sigilo do
inquérito e o possível abuso de autoridade de Moro tornaram-se eixos de
um processo de desestabilização. Em conversas reservadas, políticos e
magistrados dizem que a permanência do ministro no governo de Jair
Bolsonaro (PSL) ficou insustentável e defendem que ele se afaste do
cargo até a conclusão das investigações. Políticos e magistrados ouvidos
pela Folha na condição de anonimato disseram que, ao entrar em contato
com autoridades para informá-las que estavam na lista de alvo dos
ataques, o ministro invocou para si superpoderes e, de acordo com um
parlamentar, criou uma relação de chantagem implícita com o mundo
político e jurídico. Na quinta (25), depois de Moro avisar autoridades
vítimas de hackers que as mensagens capturadas pelo grupo preso pela
Polícia Federal seriam destruídas, os presidentes do Supremo, ministro
Dias Toffoli, e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), demonstraram incômodo
com a abordagem do ministro. Os dois relataram a aliados que, diante da
gravidade do caso, Moro deveria ter usado a via institucional para
comunicar formal e oficialmente. A maneira como Toffoli e Maia foram
contatados e o imediato vazamento das conversas causaram incômodo
generalizado no Supremo e no Congresso. Nesta sexta (26), em petição
endereçada ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do
Distrito Federal, a OAB solicita que ele não autorize a destruição das
provas. Moro telefonou para o presidente do STJ (Superior Tribunal de
Justiça), João Otávio Noronha, para comunicar que ele estava na lista
dos alvos do grupo preso na última terça (23) e que as mensagens
capturadas seriam destruídas. Noronha afirmou à Folha que a informação
foi dada pelo próprio ministro por telefone. A comunicação foi
confirmada à reportagem pela assessoria de Moro. O descarte de qualquer
material apreendido em operações policiais é uma decisão que cabe à
Justiça e só pode ocorrer com decisão do juiz. O gesto de Moro provocou
reação imediata. A Polícia Federal afirmou, por meio de nota, que caberá
à Justiça, “em momento oportuno, definir o destino do material”
apreendido na operação. Também nesta sexta, o PT e o PDT ingressaram com
ações no STF contra Moro. O documento dos petistas é assinado pela
presidente do partido, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), e pelos
líderes da sigla na Câmara e no Senado, Paulo Pimenta (RS) e Humberto
Costa (PE).
Folha de S. Paulo
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