A falta de
vagas e de estrutura para pacientes de risco em maternidades do interior
da Bahia levou uma jovem de 17 anos, grávida de gêmeos e em trabalho de
parto, a passar por três hospitais até ser atendida em Feira de
Santana.
Milena Silva
mora no município de Santa Bárbara, a 147 km da capital baiana, e entrou
em trabalho de parto às 6h da manhã de domingo (3). Em uma ambulância,
ela foi levada para o Hospital Mater Dei, em Feira de Santana, mas não
conseguiu atendimento. Segundo Cerina Silva, mãe da jovem, elas também
foram até o Hospital Geral Clériston Andrade e ao Hospital da Mulher, e
também não encontraram vaga.
"Minha filha
chegou aqui para ter neném, rompeu a bolsa, e eles não querem atender.
Querem que eu pegue a menina e vá para Salvador sem ter o acompanhamento
de um médico, sem nada", relatou a mãe. Milena só foi atendida às 12h
de domingo, quando voltou para o Hospital da Mulher e, dessa vez,
conseguiu atendimento.
No Hospital
Mater Dei, todos os berçários estão ocupados. Segundo Gilberto Ferreira,
diretor do centro, além da superlotação, o parto não poderia ter sido
realizado no local por ser de risco, uma vez que a unidade só atende
casos de baixa e média complexidade. "Uma dessas crianças pode ter
necessidade de ter uma assistência maior de berçário. Nós não temos UTI.
Digo com sinceridade, eu nunca imaginei, na minha vida, assistir isso.
Frustra", lamentou emocionado Ferreira.
Já o Hospital
Clériston Andrade informou que dois obstetras e um médico ficam de
plantão no fim de semana e que o atendimento está normal na unidade.
Após não
conseguir atendimento, a grávida voltou para o Hospital da Mulher e
conseguiu ser atendida. De acordo com a direção médica, todos os leitos
estão ocupados e mais seis bebês recém-nascidos aguardam uma vaga para
ser internados na Unidade deTratamento Intensivo (UTI). Mas, como o
estado de Milena era greve, ela conseguiu vaga para passar por
cesariana.
O Hospital da
Mulher informou que Milena teve duas meninas. Mãe e filhas passam bem e
devem receber alta médica na quarta-feira (6), informou o centro.
"A gente
assiste na televisão e pensa que isso só vai acontecer com a pessoa que
está do lado de lá. Mas hoje eu estou passando, sentindo o que está
acontecendo", conta Vinícius Ribeiro, companheiro da jovem.
VERDINHO DE ITABUNA

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