Artigo de Pedro Sette Câmara, publicado no blog português O Insurgente,
sobre a violência do lulopetismo (apenas observo que o ataque ao
empresário ocorreu em frente ao Instituto Lula, e não no Sindicato de S.
Bernardo)
Na primeira vez que
estive em Buenos Aires, em 2008, saí andando a esmo por Palermo e me
deparei com uma bela casinha em estilo francês cujo letreiro dizia:
“Museo Evita Perón”. Mesmo sem simpatias prévias pelo peronismo, entrei,
e fiquei muito impressionado com o jornal do dia seguinte ao da morte
de Evita, cuja manchete dizia: “Murió la Jefa Espiritual de la Nación”.
“Chefa Espiritual da
Nação” não era simplesmente um epíteto que as massas deram a Eva Perón,
mas um título que lhe foi concedido pelo congresso argentino. Naquele
dia, lembro bem, fiquei contente ao pensar: nem o brasileiro mais
insanamente pró-Lula pensaria em chamá-lo de “chefe espiritual da
nação”.
Dez anos depois, me
parece que a prisão de Lula começa a fazer as vezes de martírio, e, por
tabela, operar sua canonização aos olhos de muitos brasileiros,
incluindo muitos que admiro — são pessoas cujo trabalho editorial ou
acadêmico é de primeira linha.
Recentemente, voltei
ao Rio de uma temporada de seis meses na mesma Buenos Aires, e, tendo
guardado certa distância da imprensa brasileira, fui descobrir o passo
anterior dessa canonização. A esquerda brasileira já fala abertamente
numa escalada do fascismo no Brasil, e todos os clichês — o ovo da
serpente, etc. — são repetidos diariamente a respeito de todos aqueles
que não estão carpindo a prisão de Lula.
Há cerca de vinte
anos acompanho esses debates, e o ponto atingido agora é diferente de
tudo o que já vi antes (não uso o clichê de Lula, “nunca antes na
história deste país...” porque essa pretensão de originalidade parece
ingênua).
As promessas de
violência são explícitas, e, em ao menos um caso, foram cumpridas: uma
pessoa que pediu a prisão de Lula na frente do Sindicato dos
Metalúrgicos (onde Lula se resguardava da Polícia Federal) e devidamente
empurrado contra um caminhão em movimento por um ex-vereador pró-Lula.
No momento, o empresário está no hospital, com traumatismo craniano.
Assim, hoje, no
Brasil, imaginar que um político que tenha sido condenado por um
tribunal de primeira instância e por um tribunal de apelações no
primeiro de seus nove processos de corrupção não está sofrendo
perseguição política tornou-se “fascismo” na opinião de quem
aparentemente não se importa com o fato de que seus correligionários
jogam adversários políticos contra caminhões em movimento.
Dirão: ele é
perseguido porque é o primeiro colocado nas pesquisas para a próxima
eleição presidencial. Mas o que fazer? Isto agora é um salvo conduto
para a justiça? Está-se concedendo foro privilegiado com base em
pesquisas de opinião?
Os tempos no Brasil
estão muito interessantes, argentinamente interessantes. Considerando as
crenças que os partidários de Lula esperam que tenhamos, parece fácil
imaginar que, além do título de doutor honoris causa que lhe foi dado
por Coimbra e lhe será dado pós-prisão pela Universidad de Rosario, na
Argentina, também queiram outorgar-lhe de uma vez o de “chefe espiritual
da nação”.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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