sábado, 5 de agosto de 2017

Delator da Odebrecht diz que propina a ser paga a Aécio foi registrada em ata


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Charge do Kacio (kacio.art.br)
Deu em O Tempo
Em depoimento à Polícia Federal, o ex-superintendente da Odebrecht em Minas Gerais Sérgio Luiz Neves afirmou que em reunião do consórcio responsável pela construção da Cidade Administrativa, os executivos registraram em ata de forma cifrada o valor que seria destinado ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) a título de propina. A reunião foi realizada em 16 de abril de 2008, data em que o tucano ainda era o governador de Minas. As informações são do site “Poder 360”.
“Explicando a informação, “29” se refere ao valor aproximado total que seria pago como propina a Aécio via Oswaldo, equivalente a 3% sobre o valor total dos três lotes somados do empreendimento. Neste item também é definido que a operacionalização do compromisso de pagamento mensal fosse revezado entre as consorciadas, ficando então um compromisso trimestral de cada consorciada (já tendo a Odebrecht realizado o primeiro pagamento)”, disse Sérgio Luiz Neves em documento obtido pelo site.
AÉCIO NEGA – O atual senador nega irregularidades. Aécio diz que a construção da Cidade Administrativa se deu dentro da mais “absoluta legalidade, tendo sido acompanhada pelo Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado”. O tucano também prestou depoimento sobre o caso à Polícia Federal em junho deste ano, mas optou por ficar em silêncio por orientação da defesa.
O ‘Oswaldo’ a qual o ex-superintendente se refere é o ex-presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) Oswaldo Borges, apontado pelos delatores como intermediário nos pagamentos de propina. Em depoimento, ele negou participação no caso.
INVESTIGAÇÃO – O termo do depoimento de Sérgio Luiz Neves foi anexado ao inquérito que investiga o tucano por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude a licitação e cartel..
Aécio é investigado por supostamente organizar esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de 1 cartel de empreiteiras na construção da Cidade Administrativa. Ele teria recebido propina de 3% sobre o valor total da obra, de acordo com os delatores.
DEFESA DO SENADOR – Em nota enviada ao site “Poder 360”, a defesa do senador Aécio Neves afirmou que a construção da Cidade Administrativa se deu dentro da mais absoluta legalidade, tendo sido acompanhada pelo Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.
“Eventual cartelização entre as empresas que participaram das obras, se ocorreu, foi sem a participação e o conhecimento do Governo de Estado. Prova cristalina disso é justamente a citada ata de reunião das empreiteiras, da qual não consta nem menção e nem participação de qualquer membro do Governo. Além das inúmeras contradições nos depoimentos do delator Sérgio Neves, que serão cabalmente demonstrados à Justiça, vale ressaltar também que este depoimento e o de outro delator, o senhor Benedito Júnior, são contraditórios entre si. Por fim, todas as doações feitas por essas e outras empresas para as campanhas do PSDB encontram-se devidamente registradas no TRE e TSE”, afirmou o advogado do congressista, Alberto Zacharias Toron.
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