quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Caminhoneiros conseguem reunião com representantes do governo, mas mantem bloqueios


BLOG DO CAMINHONEIRO

Representantes de caminhoneiros de vários estados reunidos em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesta quarta-feira (9), pediram a revogação imediata do decreto 9.101/2017, que aumentou impostos incidentes sobre o preço dos combustíveis.
O líder dos cegonheiros do Paraná, Wanderlei Alves, informou que, desde o aumento, já são 32 pontos de bloqueio dos caminhoneiros autônomos nas rodovias brasileiras. Eles dizem que estão parados por falta de dinheiro para o abastecimento e manutenção dos veículos.
— A cada 1,5 km, um caminhão gasta um litro de óleo diesel e lá se vão R$ 4. Tem o desgaste do caminhão e do pneu, tem a alimentação na estrada, que não é barata. E aí o governo vem com aumento de combustível e atinge bem na raiz a nossa categoria. A conta não fecha, não bate, não tem como trabalhar, não tem como transportar — reclamou.
Rogério Alberto Reame, líder dos caminhoneiros do estado de São Paulo, alertou para a possibilidade de faltarem artigos de primeira necessidade no mercado, como alimentos, remédios e o próprio combustível transportado nos caminhões.
— O aumento dos combustíveis inviabilizou o trabalho dos caminhoneiros. Não queremos ficar parados, mas é menos prejuízo agora do que rodar. Eu quero dignidade, porque levanto cedo e trabalho o dia inteiro e tenho o direito de pagar minhas contas. Nós estamos pedindo socorro aqui — disse.
Para Odilon Pereira da Fonseca, líder dos caminhoneiros do Mato Grosso do Sul, os impostos cobrados não são revertidos em benefícios para a população. Como exemplo, ele relatou que precisou de um médico recentemente, depois de se acidentar com o caminhão, mas não conseguiu atendimento pelo SUS.
— Se o brasileiro não tivesse se acomodado, a situação seria outra. Eu não vou pagar a conta de corrupção. O governo que corte na própria carne para cobrir o rombo, mas não venham tirar dos caminhoneiros — afirmou.
Apoio
Mesmo ameaçada de multas no valor de R$ 5 mil por hora parada, a categoria em greve há nove dias promete seguir com os bloqueios e a participação cada vez maior de caminhoneiros. Eles já angariaram o apoio de diversas outras entidades de trabalhadores, como a da Federação Nacional dos Policias Federais, representada pelo vice-presidente Flávio Werneck.
— A população se sente inerte e impotente e é o que está dando força a situações como o aumento do PIS e da Cofins. Na matemática, estão aumentando o preço do arroz e do feijão, o custo de vida da população brasileira. Então, vamos louvar o movimento dos caminhoneiros, que estão saindo da inércia. Espremem a categoria deles, mas se reflete em todos nós, com a desculpa que o governo precisa aumentar a arrecadação — avaliou.
A União em Defesa da Cidadania e Combate à Corrupção (UDCCC) também está ao lado dos caminhoneiros. A coordenadora nacional da entidade, Giselle Sousa, convocou a população a apoiar a paralisação.
— Esse é o imposto da morte. A gasolina para levar o filho na escola fica mais cara, tudo o que você come fica mais caro. Não é mais só uma causa dos caminhoneiros, é uma pauta de todo mundo agora — afirmou.
Na audiência, o senador Alvaro Dias (Pode-PR) declarou apoio à mobilização dos caminhoneiros e disse que o governo deveria tornar a categoria prioritária para promover desenvolvimento do país no setor de transporte.
— Aumentar impostos em uma hora como essa? No momento em que a crise se aprofundou, a recessão e o desemprego são crescentes e atingem várias famílias brasileiras? – questionou.
Carta
Ao final da reunião, o vice-presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS) redigiu uma carta em conjunto com os representantes dos caminhoneiros para ser encaminhada ao presidente da República, Michel Temer. No documento, a principal demanda é a revogação imediata do aumento do preço do combustível. A categoria ainda pede melhoria das estradas, mais segurança e aposentadoria especial.
Fonte: Agência Senado

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