domingo, 6 de agosto de 2017

A absurda perseguição da União Europeia à Polônia, que rejeita imigrantes muçulmanos.


A Europa nunca foi flor que se cheirasse, mesmo antes de implantar a tal de União Europeia, cultivadora da ideologia globalista, confundida com globalização, que é, na verdade, um processo objetivo, ocorrendo há séculos, independentemente de partidos e nações. A propósito, escreve Vilma Grysinski: "a alta burocracia europeia recorre a intimações e ultimatos ao país que mais apoia a unificação, mas não cede na questão de aceitar imigrantes muçulmanos". Do jeito que a coisa anda, a submissão da Europa ao islamismo não levará mais de meio século:


Os dois políticos mais poderosos da Polônia não ocupam nenhum cargo público. A briga entre eles é brava e tem um alcance muito além das eternamente complicadas fronteiras polonesas.

Um deles é Donald Tusk, o alto, alinhado e elegante presidente do Conselho Europeu. Ele foi primeiro-ministro da Polônia e só pensa em voltar a ser. Seu partido, a Plataforma Cívica, é da estirpe vagamente de centro-esquerda, alinhado com o ideário supra-nacional das elites urbanas e globalizadas.

Tusk, que é de uma minoria étnica, a dos pomerânios, deu o mais agressivo dos muito recados violentos da União Europeia a seu país: existe um “ponto de interrogação” sobre a permanência da Polônia na União Europeia.

O responsável por esta dúvida, ele não precisa nem pode dizer, é o político que realmente tem o poder na Polônia: o baixinho, irascível, nacionalista e conservador Jaroslaw Kaszcinski.

Ele é o líder do Partido da Lei e da Justiça. O mesmo da primeira-ministra Beata Szydlo, discretíssima em suas funções executivas, e do presidente Andrzej Duda.

Também muito discreto em seu cargo quase que cerimonial, Duda chacoalhou as águas da política ao vetar dois de três projetos de lei aprovados pelo Parlamento relacionados a uma reforma no Judiciário.

Com um dos raros sobrenomes poloneses pronunciáveis por não-eslavófilos, Duda foi uma supresa na eleição presidencial de 2015. Quando assumiu, deixou o Partido da Lei e da Justiça, mas é quase impossível imaginar um futuro político em que sobreviva a um confronto com Kaszcinski.

VIOLÊNCIA DESPROPORCIONAL

É a reforma parcialmente vetada pelo presidente que tem dado pretextos para a burocracia europeia ameaçar a Polônia até de expulsão. Não tem nada de autoritária, intrinsecamente, ao tornar postos nas altas cortes sujeitos a indicações do executivo. É um sistema parecido com o vigente nos Estados Unidos e também no Brasil.

Mas é claro que qualquer mexida no Judiciário sempre provoca críticas de partidos de oposição e suspeitas generalizadas de ânimos intervencionistas.

Mesmo com a aprovação perfeitamente democrática das reformas, o comando da União Europeia deu no começo do mês um prazo de trinta dias para a Polônia voltar atrás, um ultimato de violência desproporcional e sem precedentes.

Ainda por cima, a ameaça foi feita pelo nada diplomático Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia abominado pelos eurocéticos. “Se o governo polonês continuar a ameaçar a independência do Judiciário e o estado de direito, só nos restará a alternativa de invocar o artigo 7”, disse Juncker, com a crueza habitual.

CONTOS DE FADA

As ameaças contra o governo polonês envolvem até uma questão em princípio obscura de manejo florestal.

Está certo que a floresta é a de Bialoweza, um tesouro natural onde sobrevivem carvalhos milenares e outras árvores que formam um ambiente escuro e cerrado, exatamente como nos contos de fada, com ursos e lobos.

Bialoweza é um dos último remanescentes da floresta ancestral que recobria toda a região da Europa do Norte e do Leste há mais de dez mil anos. Como a Polônia, seu destino foi de resistência em meio a imensas tragédias.

Russos czaristas ou soviéticos e alemães imperiais ou nazistas a ocuparam. Durante a I Guerra Mundial, tropas alemãs caçaram o último dos bisontes. A população dos magníficos animais depois foi recomposta a partir de exemplares mantidos em zoológicos, chegando aos 800 bisontes atuais.

Segundo o governo polonês, um inimigo minúsculo hoje a ameaça, um tipo de besouro vermelho que vive sob a casca das árvores. Muitas estão sendo derrubadas para combater a praga ou por questão de manejo, para apressar a recuperação florestal.

A questão da floresta de Bialoweza, que seria um ponto de confronto entre o governo e os relativamente poucos militantes ambientalistas, também serviu de pretexto para a União Europeia fazer outra ameaça das bravas.

Por que a União Europeia, numa fase de enfraquecimento depois do Brexit, ataca tanto um país como a Polônia?

Extremamente favorecida depois da miraculosa recuperação da independência e do fim do comunismo, a Polônia sempre retribuiu o apoio, as verbas e a política de livre circulação da União Europeia com os maiores índices de opinião positiva sobre a entidade supranacional.

ESQUECER, JAMAIS

Os problemas começaram, justamente, pelo mais supranacional dos aspectos das regras comuns: a exigência de que a Polônia aceitasse imigrantes da Síria e de outros países muçulmanos.

A proposta é tão impopular que até o partido de Donald Tusk, quando estava no poder, fez corpo mole – e continua a não defendê-la abertamente. A única circunstância que faz uma pequena maioria de poloneses – 51% – ser a favor de sair da União Europeia seria na hipótese de sanções pela rejeição às cotas.

Outros países que foram satélites da União Soviética e se beneficiaram do acesso à União Europeia também se opõem às cotas. Polônia, Hungria, República Checa e Eslováquia formaram o Grupo de Visegrad para fazer uma espécie de frente unida contra a imposição.

Viktor Orban, o primeiro-ministro da Hungria, é o mais eloquente ideólogo do grupo. Mas nenhum outro país tem um político como Jaroslaw Kaszcinski. Nada preocupado em dar uma embalagem intelectualmente sofisticada à rejeição à política de cotas de imigrantes, ele é da escola de jamais esquecer e muito menos perdoar.

Compra brigas com teimosia e ferocidade. Depois de anos de aproximação e recomposição de relações com a Alemanha, ele simplesmente tocou fogo nas pontes. Agora, o governo polonês passou a exigir indenizações de guerra, um assunto que parecia pertencer ao passado.

GÊNIO DO MAL

Kaszcinski tem outra briga, muito maior, com outro inimigo permanente da Polônia, a Rússia. Baseada numa tragédia pessoal e nacional, a inimizade declarada decorre da morte de seu irmão gêmeo, o presidente Lech Kaszcinski, num acidente de avião.

Lech Kaszcinski estava indo para uma visita oficial à Rússia, com uma delegação do mais alto nível, justamente para um encontro que marcaria a aproximação com a Rússia. O Vladimir Putin da época era bem diferente do atual e havia feito uma série de críticas aos horrores cometidos contra a Polônia na época do regime soviético.

O gêmeo sobrevivente jamais aceitou o resultado das investigações russas sobre o acidente que matou 96 pessoas em 2010, sobre uma combinação de mau tempo e piloto ruim como causas. Muitos poloneses concordam com ele.

Jaroslaw e Lech, que chegaram a fazer um filme infantil quando crianças, eram unidos com o elo irreproduzível dos gêmeos no catolicismo fervoroso, na oposição ao comunismo e no nacionalismo político. Jaroslaw não se casou e é satirizado num programa humorístico der televisão como uma espécie de gênio do mal, com um gato como única companhia.

Sua coleção de inimigos até agora é formidável: Alemanha, Rússia e União Europeia. Sem contar Donald Tusk, cuja reeleição para o Conselho Europe tentou sabotar de todas as maneiras. Só outro Donald, Trump, mostrou uma formidável simpatia e solidariedade com a Polônia. Com os Estados Unidos de Barack Obama, a relação era estremecida.

Ao contrário da sátira, Jaroslaw Kaszcinski não tem nada de gênio do mal, mas a solidão é uma característica inegável. Tudo o que não pode fazer é, na sua paixão pela pátria, transformar o que acredita ser a defesa dos interesses – e do orgulho – nacionais em isolacionismo.

A Polônia com seus gatos pingados, embora tão valorosos, não pode ficar sozinha de novo.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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