sábado, 8 de julho de 2017

Wagner afirma que eleição indireta é trocar seis por meia dúzia



Por Luiz FernandoLima | Fotos: Gilberto Júnior / Bocão News
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, afirmou que uma eventual troca de Michel Temer (PMDB) por outro nome qualquer escolhido indiretamente pelo Congresso Nacional é trocar “seis por meia dúzia”. Articulador político do governo Dilma Rousseff, o ex-governador da Bahia criticou duramente o movimento de determinados atores políticos dentro de uma estrutura definida por ele como “o golpe do golpe”.
“Já está sendo construído o golpe dentro do golpe. Tirar o Temer e colocar alguém eleito indiretamente para mim é trocar seis por meia dúzia. Porque aqui não se trata de avaliar o currículo individual de quem quer que seja. Vão procurar alguém acima do bem ou do mau? Não existe isso. A democracia exige legitimidade. Gostando ou não se respeita porque tem legitimidade. Tirar ele para colocar outro através do mesmo colégio eleitoral não vai dar legitimidade nenhuma”.
Questionado sobre a forma constitucional de se fazer esta eleição direta, Wagner avalia que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) é um caminho. “Eles reconhecem que o que fizeram não funcionou e vão repetir ou querem inovar? Deveriam inovar. Aí bota uma PEC e fala pela antecipação das eleições. Não estou falando neste caso apenas, mas em qualquer caso na impossibilidade de presidente e vice não terem condições de assumir. Acredito que chamar o povo a decidir é o melhor caminho na democracia”.
 Ainda no que se refere a uma eleição indireta, o ex-governador diz que “isso (golpe dentro do golpe) tem sido construído por núcleos, por pedaços. Daqui a pouco vai ser o Fora Fulano. O país não vive disso. Ele (Temer) já não tem condições de governar, mas não adianta tirá-lo para entrar outro na mesma condição que ele entrou”.
O petista analisa que a eleição indireta aprofundará a crise. “Seja que nome for. Agora, eles já brincaram de democracia. Inventaram o impeachment. Olha situação que a gente está ficando. As pessoas não têm noção de como é que o mundo exterior olha para a gente. Isso aqui é a oitava economia do mundo. Não dá para ficar fazendo brincadeirinha ou então tenha coragem cívica, cidadã, de propor um novo plebiscito de parlamentarismo”.
Embora sugira o plebiscito, o ex-governador da Bahia não acredita que esta é uma possibilidade viável. Isso porque, de acordo com ele, os congressistas sabem que a classe política está desprestigiada e, portanto, uma tese desta não passaria.
G20 — Wagner ironizou a declaração de Temer no G20 sobre o fim da crise econômica. “Como ele está fora do país, acho que ele está também fora da realidade. É um jogo de palavras. Pior que a crise econômica é a crise que foi imposta às empresas nacionais. Nós temos uma crise política de quase insolvência”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário