terça-feira, 4 de julho de 2017

Temer consegue fechar questão no PR e encaminha decisão do PP



Por Luiz Fernando Lima | Fotos: FramePhoto // Folhapress
Dois partidos do “centrão” com cinco deputados federais como membros titulares da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara devem orientar seus representantes a votar, no colegiado e plenário, contra o pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o presidente Michel Temer.
O PR recebeu afago do peemedebista nos últimos dias. Temer se reuniu na última segunda-feira (3) com o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto para discutir o apoio dos integrantes da sigla. Costa Neto foi condenado no escândalo do ‘mensalão’, mas continua exercendo grande influência na bancada do partido no Congresso Nacional.
Já o PP tem encontro de lideres e dirigentes agendado para às 19h30 desta terça-feira (4). A decisão do partido deve ser anunciada tão logo seja encerrado o encontro. Os cinco membros dos progressistas na CCJ estão divididos entre aprovar o pedido do STF ou rejeitar. No entanto, a direção partidária deve “pesar a mão” e orientar pela suspensão do processo.
Os partidos fazem parte da base do governo Temer e seus deputados receberam, de forma prioritária, emendas impositivas para distribuir em suas bases eleitorais. O método de garantia de apoio é antigo e vem sendo utilizado por presidentes desde os temer de José Sarney, também do PMDB.
A avaliação de deputados ouvidos pela reportagem do BNews é que Temer conseguirá, ao menos, nesta primeira denúncia do Ministério Público Federal segurar-se cargo. As fragilidades apontadas por juristas no caso deste processo permitem que haja interpretação divergente à defendida pela procuradoria-geral da República. Temer é acusado de corrupção passiva.
Outro fato que serve aos defensores de Temer é aquele de que ainda não há “plano b” para o caso de deposição. Existe ainda a interpretação de que o país não suportaria outro impeachment em menos de um ano. Todos estes argumentos são apresentados com a condição de que a denúncia não é forte suficiente.
Isso quer dizer que a investigação do STF só será autorizada caso o processo tenha força suficiente para fazer com que a opinião pública seja convencida a ir às ruas e ameaçar os futuros mandatos de quem vota com o atual presidente, algo que não aconteceu até o momento.
Na avaliação de um deputado federal ouvido pelo BNews durante o cortejo do Dois de Julho, a população assiste aos escândalos da “era Temer” resolutos. “Há a indignação, mas parece que a população está dizendo: resolvam vocês estes pepinos”. Neste caso, a decisão é menos difícil que se houvesse pressão de fato popular. A saída é manutenção a preço determinado pela capacidade individual de negociação de cada parlamentar.
Por isso, nestes dias não surpreende que o governo ainda não tenha segurança para afirmar que conseguiu número suficiente de deputados para barrar o processo. O jogo é aquele de flerte. Não antecipa o voto para barganhar.
O senador Otto Alencar, que defende publicamente o fim da gestão de Temer, afirma que a população deveria ganhar as ruas em revolta ao que está sendo feito. De acordo com ele, o peemedebista está quebrando o país para se salvar. 
A oferta de recursos via ministérios chega a ser ultrajante e para quem acredita que este é o momento oportuno para tirar o máximo possível sob o argumento de estar num governo acuado, defende outro deputado, a história provará o contrário e a população vai reagir em 2018 nas urnas.
É esperar para ver.

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