quinta-feira, 6 de julho de 2017

Supostos “donos” do sítio de Atibaia simplesmente abandonaram a propriedade


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Depois que a polícia esteve lá, o sítio está abandonado
José Maria Tomazela, Gilberto Amendola e Rafael Cicconi
Estadão
Embora sejam separados por mais de 150 quilômetros, o sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá estão unidos por um destino. As duas propriedades atribuídas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Ministério Público Federal (MPF) estão vazias, sem uso. No caso do sítio, foi-se o glamour das visitas presidenciais e o cheiro de churrasco. Já no Condomínio Solaris, o apartamento 164-A está trancado, sem perspectiva de ocupação – e o edifício inteiro parece ter se “desvalorizado”.
Vizinhos do sítio comentam que o local já não tem o brilho de quando era frequentado pela família de Lula. “Não tem vindo mais ninguém aí, a não ser vocês da imprensa. O último acontecimento foi quando a Polícia Federal entrou e revistou tudo”, disse a vizinha Ana Lúcia Farias da Silva. Naquele dia – em 4 de março do ano passado –, os agentes pediram à sobrinha dela, Marina, que fosse testemunha das buscas.
ABANDONO – “Foi a única vez que alguém da família entrou lá. Depois, até os churrascos pararam. Antes, a gente via fumaça e sentia o cheiro de carne assada”, disse. Pernambucana, Ana Lúcia conta que gostaria de ter visto Lula ali para agradecer pela aposentadoria, como agricultora, que conseguiu em seu Estado. “Vinha sempre um carro com vidros ‘filmados’, diziam que era ele.” Hoje, o acesso ao sítio, por estrada exclusiva, está às moscas, disse outra vizinha, a auxiliar administrativa Roberta Kubota.
Gerente de uma padaria próxima, Gesuldo Gomes disse que a ex-primeira-dama Marisa Letícia, já falecida, parava o carro na porta, mas não entrava. “Era sempre outra pessoa, uma empregada, que comprava pão, cerveja e refrigerante. Ela ficava no carro, com o vidro abaixado, fumando.”
Hoje, quem passa em frente ao sítio já pode observar sinais de abandono na entrada. Algumas pranchas da ponte de madeira que dá acesso ao portão apodreceram.
DONO É O JACÓ – O interfone ainda funciona, mas apenas na quarta tentativa o caseiro Élcio Pereira Vieira atendeu à chamada. Ao ser informado de que se tratava de reportagem, afirmou que não há ninguém na propriedade a não ser ele. “Não posso permitir a entrada sem autorização do proprietário”, disse.
Questionado se o proprietário é Lula, como diz o MPF, respondeu: “Que eu saiba o dono aqui é Jacó Bittar (ex-prefeito de Campinas e amigo de Lula).”
A reportagem entrou em contato com o escritório Toron Advogados, que atua em nome de Bittar, e foi informada de que o advogado Alberto Zacharias Toron é o único que fala sobre o assunto, mas ele está em férias. O advogado Ary Bergher, que defende Jonas Suassuna, disse que seu cliente não é dono do Sítio Santa Bárbara, mas do Sítio Santa Denise, uma propriedade contígua, com outra matrícula.
MATO ALTO – Em um sítio vizinho – local de onde o Estado fez as fotos –, foi possível observar que os jardins estão com mato alto. Os dois pedalinhos em forma de cisne ainda estão em um dos lagos. Mas não se veem animais, como os pavões ou as galinhas que eram presas de gambás, conforme relatado pelo caseiro em e-mail enviado ao Instituto Lula que consta da denúncia.
O MPF acusa Lula de ser dono do imóvel, supostamente adquirido com dinheiro desviado da Petrobrás. Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato, o petista negou ser dono da propriedade.
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