domingo, 9 de julho de 2017

Subsolo do Jaburu é sala antigrampo e Joesley teve de usar gravador especial


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Charge do Alexandre (Portal Gazzeta)
Gabriel Palma e Lucas Salomão
TV Globo e G1
Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Joesley Batista afirmou que foi avisado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima de que o presidente Michel Temer utilizava uma sala “antigrampo” para tratar de assuntos “mais sensíveis”. No depoimento, de 16 de junho deste ano, Joesley detalhou aos policiais a escolha do aparelho utilizado para gravar o encontro com Temer, que ocorreu em 7 de março.
À Polícia Federal, o empresário disse que optou por usar um gravador “emborrachado” por acreditar que o aparelho funcionaria em um ambiente com bloqueador de sinal eletromagnético e que “passaria desapercebido” por detectores de metal.
PLANALTO SILENCIA – Procurado pela reportagem, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República afirmou que não irá se manifestar sobre o assunto.
A defesa de Geddel Vieira Lima divulgou nota na qual assinala que o ex-ministro “não alertou a quem quer que fosse a existência de pretensa sala” e, se Geddel tivesse a intenção de esconder algo, “não se colocaria à plena disposição das autoridades.”
SALA NO SUBSOLO – No depoimento, Joesley afirmou que o encontro de 7 de março ocorreu em uma sala no subsolo do Palácio do Jaburu, “situada depois da área de serviço e ao lado da garagem”.
Segundo o empresário, que relatou ter tido pelos menos outros cinco encontros com o presidente no Jaburu, foi a primeira vez que os dois conversaram nesta sala. Nas outras ocasiões, disse, as conversas que tiveram foram na sala de estar do térreo.
Segundo a Procuradoria Geral da República, a conversa mostra que Temer deu “anuência” para que o empresário pagasse propina ao peemedebista para mantê-lo em silêncio e não o delatasse.
“ZEROU PENDÊNCIAS” – No diálogo, o empresário diz que “zerou pendências” com o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e que está “de bem” com o peemedebista, que está preso em Curitiba. Neste momento, Temer diz a Joesley: “Tem que manter isso”.
O empresário disse ao Ministério Público que Temer deu aval para que ele comprasse o silêncio de Cunha e evitasse que o ex-deputado fizesse delação premiada. Também narrou, além da obstrução de justiça, uma sequência de crimes, como suborno de procuradores e compra de informações privilegiadas.
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