terça-feira, 11 de julho de 2017

Só falta pôr uma placa no Planalto: “Compra-se deputado para rejeitar parecer”


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Deputado diz que o Planalto tentou comprá-lo11
Carlos Newton
É uma corrida contra o tempo. Toda a cúpula do Planalto está empenhada em substituir os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que se mostram dispostos a aprovar o parecer do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), favorável à abertura de processo criminal contra o presidente Michel Temer. Os contatos por telefone estão sendo feitos pelos três ministros da casa – Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo). Para rejeitar o parecer, está valendo tudo, só falta afixar uma placa diante do Palácio, para anunciar: “Compra-se deputado para rejeitar parecer”.
Com a concessão do pedido de vista, o relatório de Zveiter, no qual ele recomendou o prosseguimento da denúncia, só poderá ser discutido após duas sessões da Comissão, possivelmente a partir desta quinta-feira (dia 12).
DISCURSEIRA – O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-RJ) abriu espaço para que se manifestem todos os 132 membros da Comissão (66 titulares e 66 suplentes), por ordem de inscrição. Além deles, também podem discursar os 40 deputados não-membros, indicados pelos partidos (20 a favor do parecer e 20 contra), além das lideranças que quiserem se manifestar.
Cada um dos membros da CCJ tem 15 minutos para se pronunciar. Os demais, ganham 10 minutos. Ou seja, a coisa vai longe…
CORRUPÇÃO PASSIVA – Com base nas delações de executivos do grupo J&F, que controla a JBS, e das filmagens do ex-assessor presidencial Rocha Loures recebendo a mala de dinheiro, Temer foi acusado pelo Ministério Público Federal de ter cometido crime de corrupção passiva. Por se tratar do presidente da República, o Supremo só pode analisar a denúncia se a Câmara autorizar.
Uma circunstância agravante, não mencionada na denúncia do procurador-geral, é o fato de o presidente Temer ter conduzido Joesley Batista a uma sala no subsolo do Palácio do Jaburu, onde havia equipamento antigrampo.  Alertado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima sobre a existência dessa sala especial, Joesley então mandou comprar um gravador emborrachado, de última geração, que conseguiu captar a conversa entre os dois, conforme ficou comprovado pelos peritos da Polícia Federal.
Na Comissão, o parecer será aprovado se tiver o apoio mínimo de 34 deputados. Mesmo se for rejeitado, o relatório seguirá para votação em plenário. Para autorizar a abertura do processo no Supremo Tribunal Federal, a denúncia contra o presidente precisa ser apoiado por 342 deputados (dois terços da Câmara).
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