domingo, 9 de julho de 2017

Rombo da dívida pública já consome 60% da poupança financeira total


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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)
Flavia Lima
As dificuldades financeiras do governo podem ser medidas pelo total de recursos aplicados em títulos públicos. Interrompendo um padrão observado nos seis anos anteriores, a dívida pública cresceu mais de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) desde 2013. Ela saltou de 50,8% no fim daquele ano para 71,4% do PIB em março deste ano, e a parcela da poupança financeira destinada a financiá-la acompanhou o movimento.
Levantamento do Cemec (Centro de Estudos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) indica que, desde 2014, 60% do fluxo da poupança financeira total, que engloba famílias, empresas, segmentos do setor público e investidores externos, foi para financiar a dívida pública.
TÍTULOS PÚBLICOS – Na carteira total de grandes investidores, como fundos de pensão e de investimento, a participação de títulos públicos passou de 38% em 2013 para quase 50% em 2016.
Dos recursos totais captados pelo sistema bancário, nada menos do que 72% são destinados exclusivamente ao financiamento do setor público, por meio de títulos públicos, captações bancárias, títulos adquiridos em operações compromissadas ou empréstimos dos bancos para o setor público.
Carlos Antonio Rocca, diretor do Cemec e autor do estudo, diz que, enquanto o governo não equacionar as suas contas, é improvável que os recursos da poupança doméstica deixem de ser direcionados para financiá-lo.
AJUSTE FISCAL – A saída para o imbróglio seria levar adiante um processo gradual de ajuste fiscal, com reformas e controle dos gastos, assim como de recuperação de receitas, diz ele.
A crise aguda no campo político, no entanto, torna tudo ainda mais incerto. Do lado do governo, a percepção de que terá dificuldades para tocar a reforma da Previdência afasta a possibilidade de organizar suas contas e elevar sua poupança. Enquanto isso, as empresas temem arriscar a investir.
Ainda que o horizonte clareie e os problemas comecem a ser enfrentados, diz Rocca, é bastante improvável que a retomada do investimento ocorra pela via da ampliação da capacidade produtiva, dado o alto grau de ociosidade da economia.
INFRAESTRUTURA – Os investimentos em infraestrutura, no entanto, poderiam liderar esse movimento, dada a carência do país em estradas, portos, linhas de transmissão e ferrovias.
Para isso, no entanto, é preciso que o governo reequilibre as suas contas e, com menor necessidade de recursos, abra espaço para a poupança privada chegar lá.
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