segunda-feira, 10 de julho de 2017

Renan diz que Temer se deixou dominar pelo “mercado” e seu governo já era…


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Charge do Son Salvador (Charge Online)
Deu em O Globo
Ex-líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) considera que “ninguém aguenta mais o governo” e cogita o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como alternativa constitucional à “inevitável travessia” de governo. Em entrevista à repórter Talita Fernandes, da “Folha de S. Paulo”, publicada nesta segunda-feira, o senador frisou que Temer é o “piloto de um avião sem plano de voo”, cujo “maior equívoco” foi defender “uma agenda unicamente do mercado”.
O sentimento, na visão de Renan, é de que “o governo já foi”. Ele vê Rodrigo Maia — alguém que lhe parece “um bom político” — como o “primeiro e decisivo passo que nós deveremos fazer”. Opositor do correligionário presidente, o senador afirma que, independentemente de partidos, “quase todos apoiam uma saída porque a turbulência está insuportável”.
APENAS ALÍVIO – “Num primeiro momento, foi alívio e alguma esperança. Aí acontece um desastre: o avião entra numa tempestade e um raio fora do radar atinge as duas asas. O avião fica sem asas e sem turbina, o comandante passa a navegar por instrumentos e quem tenta alertá-lo passa a ser considerado inconveniente. Ele continua com a mão no manche, pisa cada vez mais fundo, e os passageiros começam a perceber que o comandante não tem noção do que acontece fora da cabine e o que querem fazer é tirar de qualquer forma o piloto porque a turbulência está cada vez mais insuportável. Ninguém aguenta mais”, metaforizou o peemedebista.
Na entrevista, Renan ressaltou que a administração Temer nasceu “questionável” do ponto de vista político. Para ele, a posse do vice não cumpriu o prometido de estabilizar a política e a economia depois da gestão petista. Em novas metáforas, Renan considerou que o presidente “sempre foi a ponta mais vistosa de um iceberg” e que as investigações implodiram a estrutura de gelo que ficava abaixo da linha d’água.
FILME DE TERROR – “O governo parece um filme de terror. As pessoas foram ver um entretenimento e estão saindo desesperadas com um filme pavoroso. Foram ver o Batman e o Charada dominou a cena”, reforçou o senador.
Questionado se o parlamentar cassado Eduardo Cunha faria parte deste icerberg implodido, Renan destacou que o papel do ex-presidente da Câmara na política “foi deletério” — um político, segundo ele, que tinha uma visão “completamente distorcida” e que desembocou em abuso de poder e chantagem com atores econômicos. “Michel, que era o líder dessa facção, foi alertado em vários momentos”, disparou o senador, que diz não temer a delação premiada de Cunha.
LÍDER DE ALUGUEL – Renan Calheiros foi líder do partido na Câmara até 28 de junho. Ele afirmou que renunciou ao cargo porque “jamais seria um líder de aluguel”. Na avaliação do alagoano, o PMDB se fragiliza com o estilo de Temer, que “às vezes lida com a legenda como se fosse uma imobiliária, como se pudesse ter dono”. O senador ressalta que resolveu sair porque “nunca teve nem nunca terá senhorio”.
Alvo de mais de dez investigações e uma denúncia na Operação Lava-Jato, Renan frisou na entrevista que não tem medo de ser preso e confirmou que planeja uma nova candidatura ao Senado.
“Eu fui citado por delatores presos que sequer me conheciam. Não há uma prova contra mim. Em função do cargo que eu representava, a chefia de um Poder [Legislativo, no Senado], circunstancialmente passei a ser multi-investigado. Eu não temo nada. Medo só atrapalha nessas horas”, relevou.
ALIANÇA COM LULA – Renan ainda negou que seja opositor ao governo por estar em uma situação eleitoral difícil em seu berço político. “Isso era o que o governo gostaria que acontecesse”, rebateu. O senador não descarta uma aliança com o presidente Lula (PT-SP) em 2018.
“Na política não se dá o direito de descartar ninguém que partilha do mesmo objetivo. Eu acompanho essas coisas pelo noticiário e já foi mais fácil condenar o Lula. Não vai ser tão fácil como alguns esperavam. Para que se possa olhar o cenário futuro com mais nitidez, precisamos saber quem será candidato, quem estará na presidência da República e, falando do quadro atual, por mais pavoroso que seja, quem estará solto”, explicou Renan.
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