quarta-feira, 5 de julho de 2017

Planalto ainda não tem maioria na Comissão para barrar denúncia contra Temer


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Charge do Nani (nanihumor.com)
Bruno Boghossian, Gustavo Uribe e Daniel Carvalho
Folha
Contas preliminares feitas pelos articuladores de Michel Temer na Câmara apontam que o governo ainda não tem os votos necessários para derrotar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) a denúncia de corrupção feita contra o presidente. Mapas de votação feitos por líderes governistas mostram que o governo tem assegurados apenas 30 votos a favor de Temer entre os 66 integrantes da comissão. Há 21 indecisos que têm demonstrado insatisfação com o Planalto e ameaçam se posicionar contra o presidente.
Temer precisa de 34 votos para garantir que a CCJ recomende o arquivamento da denúncia, que depois ainda precisará ser votada em plenário. A meta é ter pelo menos 40 votos, o que daria uma margem de segurança para obter um relatório favorável contra a denúncia.
PRISÃO DE GEDDEL – Partindo de um placar já desfavorável, auxiliares do presidente acreditam que a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que foi braço-direito de Temer no governo, pode dificultar o trabalho de convencimento dos deputados indecisos.
Aliados do presidente argumentam que a prisão não tem relação com os fatos narrados na denúncia, mas dizem acreditar que o episódio pode contaminar os debates na CCJ e no plenário da Câmara.
“A prisão logicamente traz mais uma instabilidade política, mais turbulência naquilo que a oposição deverá fazer durante toda a semana”, disse o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE). “Não podemos permitir que fatores externos possam ser utilizados na tentativa de trazer um tumulto ainda maior.”
NOVO VÍDEO – Em sua linha de defesa política, o governo vai tentar classificar a prisão de Geddel como parte da ação do Ministério Público para tentar derrubar o governo. Nesta terça-feira (4), o presidente deve gravar um novo vídeo para as redes sociais defendendo sua permanência no cargo.
Auxiliares de Temer dizem que seu advogado, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, apresentará a defesa técnica do presidente nesta quarta (5). A votação na CCJ deve ocorrer na semana que vem.
O mapa de votos dos líderes governistas revela que há risco significativo de traição a Temer nos partidos da base aliada, que detêm cargos no governo. Ao menos 5 dos 7 integrantes da CCJ indicados pelo PSDB, que comanda quatro ministérios, devem votar contra Temer.
OUTRAS DEFECÇÕES – Segundo aliados do presidente, também há um número expressivo de deputados considerados indecisos no PR, que tem cinco vagas na comissão, e no PRB, que tem direito a três votos.
Os articuladores políticos do Planalto atribuem esse cenário a uma insatisfação de parte da base de Temer com nomeações não atendidas e emendas parlamentares com pagamento atrasado. A ideia é que o presidente se reúna pessoalmente com aqueles deputados que o Planalto identifica com tendência de voto favorável.
Os ministros da área política também participarão da ofensiva. Na semana passada, o presidente prorrogou prazo de pagamento de emendas parlamentares impositivas referentes ao exercício financeiro de 2015.
NOME DO RELATOR – A incerteza do governo quanto aos desdobramentos das votações da denúncia contra Temer são amplificadas pela falta de alinhamento entre o Planalto e o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Ele será o responsável pela escolha do relator do caso, que deve ser anunciado nesta terça (4).
Aparecem como cotados a assumir a relatoria os deputados Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) e Evandro Gussi (PV-SP).
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