quarta-feira, 12 de julho de 2017

Otto fala em duelo Maia x Temer e diz que Neto é a favor de reforma


Após bancada aliada de Rui votar contra mudança trabalhista, agora senador diz que presidente da Câmara tenta mudar projeto para forçar governo de deputados

Evilasio Junior / BAHIA.BA
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O senador Otto Alencar (PSD) acusa o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), de usar a reforma trabalhista para fazer pressão sobre o mandatário nacional, Michel Temer (PMDB).
O peemedebista depende dos deputados para se livrar da denúncia de corrupção passiva formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que já recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
Nesta terça-feira (12), o Senado aprovou a matéria por 50 votos a 26, mas não foi permitido aos parlamentares mudar três pontos no texto relacionados ao intervalo de almoço, ao trabalho intermitente e às mulheres grávidas.
Menos de 24 horas depois, Maia anunciou que vai engavetar a medida provisória proposta por Temer para ajustar o projeto. “Está claro aqui que existe um confronto velado entre Maia e Temer, que revela uma ganância, uma fome de alcançar o poder. O Senado não pode alterar o texto, mas o presidente da Câmara pode barrar o presidente. Vai se repetindo o momento que antecedeu o impeachment de Dilma. Como tudo começa na Câmara, a pressão é para fazer um governo de deputados, excluindo os senadores. Dilma cometeu o mesmo erro, só que não se salvou lá [Câmara] e ainda perdeu aqui [Senado]”, comparou Otto, em contato com o bahia.ba.
Em relação ao impacto local do conflito político em Brasília, na avaliação do comandante estadual PSD, “se Temer não está bom para a Bahia, Maia vai ser pior”, apesar de o democrata ser aliado de primeira hora do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). “Neto é a favor da reforma trabalhista, do jeito que foi mandada. O partido dele votou fechado”, afirmou o senador.
Entre os congressistas baianos que votaram na sessão que aprovou a reforma, os mais próximos ao governador Rui Costa (PT), Otto e Lídice da Mata (PSB), foram contrários às mudanças nas regras da CLT, enquanto Roberto Muniz (PP) se posicionou favoravelmente.
De acordo com Otto, como contra-ataque de Temer à investida do chefe da Câmara, nesta quarta pepistas e peemedebistas foram requisitados para uma reunião no Palácio do Planalto para a base aliada “se vacinar contra Maia”.

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