domingo, 9 de julho de 2017

Na Finlândia, Estado é uma coisa, governo é outra, e a Educação reina soberana


A escola desenvolve também a habilidade dos alunos
Antonio Rocha 
Assisti recentemente à palestra de um professor que esteve na Finlândia, participando de um programa de capacitação de docentes para presenciarem o vitorioso método de um dos melhores países do mundo em matéria de Educação. E o professor iniciou nos dizendo: “Paulo Freire lá é adorado!”. Imediatamente surge a pergunta: Por que, lá do outro lado do mundo, onde o ensino estatal é exemplar, o método Paulo Freire deu certo e aqui, no seu país natal, ainda não funcionou de forma ampla?
Os motivos são vários, a questão é complexa, as respostas idem.  Começo pelo título. O palestrante informou que o Estado na Finlândia é uma estrutura firme, se rege pelo bem comum da população. O governo, os sucessivos governos são temporários e cabe a eles fazer cumprir as normas para a manutenção do bem estar dos que lá residem.
EXPERIMENTALISMOS – No Brasil misturamos governo e Estado, por isso os projetos educacionais são frutos de experimentalismos. Parece que ninguém tem certeza de nada, faz isso, vamos tentar aquilo para ver se melhora.
Parece que no Brasil os políticos não dão muita importância à Pedagogia. Andei pesquisando nos vários programas partidários: de esquerda, de direita, de centro, e quem fazia alusões a propostas pedagógicas, de fato, para a melhoria significativo de nossa nação nesse primordial aspecto que é a Educação? Ninguém, nenhum dos partidos. Nada vi ou li nesses conteúdos programáticos partidários.
Fala-se genericamente em Educação, fica-se mais no plano político eleitoral, a meu ver, pensando em quatro anos para a próxima reeleição. Ora, um país que só se programa para um período de quatro anos, sem dúvida, seu futuro será pífio. E é o que tem acontecido.
NÃO HÁ PROJETO – As esquerdas não investiram na pedagogia transformadora, as direitas e elites não olham com bons olhos o socialista Paulo Freire e o centro não tem projeto de Estado a longo prazo.
Me faz lembrar aquela escola de samba de antigamente, ou bloco carnavalesco carioca “Em Cima da Hora”, em que tudo é feito à toque de caixa como se dizia lá no meu antigo Pernambuco. Ou para usar a gíria antiga: “feito nas coxas”.
Quem vai propor a edificação do Estado brasileiro solidamente embasado na educação? E os naturais bons reflexos no âmbito da qualidade de vida?
ESCOLA LAICA – Qual Estado queremos? Democrático, sem dúvida. Laico, essa é uma questão importantíssima. De um tempo para cá começou-se a falar na “Escola sem Partidos”, mas o que muitos esquecem, que também é fundamental a “Escola sem Igreja, Escola Laica”. Não se trata de ateísmo, como muitos confundem, Escola Laica é aquela que atende e aceita a todos os ramos, sem preconceitos de qualquer natureza.
Outra coisa que o professor nos falou é que na Finlândia, desde os primeiros anos escolares, há uma disciplina que lembra a nossa antiga “Moral e Cívica”, ensinando ao aluno a importância da Ética, da Moral, da Cidadania, do Respeito às instituições, ao Ecossistema, aos seres humanos em geral, aos mais velhos, e a Responsabilidade que cada um deve ter ao longo da vida.
Infelizmente, aqui no Brasil, quando passou a ditadura civil-militar, aboliram esta disciplina que também já se chamou OSPB – Organização Social e Política Brasileira, e EPB – Estudos dos Problemas Brasileiros.
BRASILIDADE – Quando eu era criança, no antigo curso primário, antes da tal ditadura, de segunda a sexta pela manhã, nós cantávamos o Hino Nacional, hasteávamos as bandeiras: do Brasil, do então Estado da Guanabara e da Escola. E foi algo muito bom, em meu conceito. Cantávamos outros hinos: da Bandeira, da República, da Independência, Cidade Maravilhosa…
Entretanto, quando eu falo isso hoje em algum lugar, os chamados progressistas dizem que é coisa de ditadura. Ou seja, perdeu-se, completamente o sentido de brasilidade, de nação, de Estado.
Como resgatarmos essa bonita Brasilidade, que não é de direita, nem de esquerda, nem de centro, é do Brasil? Será que conseguimos pensar e realizar além dos rótulos?
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