sexta-feira, 7 de julho de 2017

"Eu estou igual mulher que apanha", diz Cármen Lúcia sobre críticas



Por Folhapress | Fotos: Reprodução
A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, afirmou nesta sexta-feira (7) que as críticas recebidas pelo Judiciário a deixam receosa como "uma mulher que apanha".
Durante o 3º Encontro do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais, em Belo Horizonte, a ministra comentou que, nas últimas décadas, a população passou a acompanhar as decisões do Judiciário.
Cármen Lúcia defendeu a participação do povo e contou um caso para ilustrar seu nível de preocupação com a opinião pública. Ela, que é mineira, disse que estava, no último sábado, em um táxi em BH quando leu um painel num edifício no centro da cidade.
"Eu olhei de longe e falei: 'Nossa Senhora!'. Pra mim, tinha escrito assim: 'Fora, hoje é dia do Supremo'. E aí eu interpretei: hoje é dia de pegar o Supremo", disse.
"Depois eu vi era: 'Oba, hoje é dia do Supremo' e Supremo é uma marca de um produto que estava sendo anunciado", completou Cármen Lúcia.
O taxista, que tinha reconhecido a ministra, comentou que ela estava muito receosa. Cármen Lúcia emendou: "Eu estou igual mulher que apanha. Na hora que alguém pega o chicote pra bater no cachorro, ela já sai correndo".
"Isso de tanto que todo mundo me fala o tempo todo, e denuncia, e critica o Judiciário. Como tem que ser mesmo porque o povo não está satisfeito e nem eu", concluiu.
"Na democracia, nós temos o grande desafio de comunicar à sociedade as ações, e a sociedade aqui não é abstrata. [] É o conjunto de cidadãos de carne e osso, que pede sapato, remédio, educação para o seu filho."
"Nesta mudança de quadro democrático que nós temos no mundo, o cidadão hoje quer participar também das decisões do Poder Judiciário. Não ditando as decisões, mas tentando entender as decisões", afirmou Cármen Lúcia.
Segundo a ministra, os juízes, que são servidores públicos, têm o "dever de comunicar bem e ouvir a sociedade, apesar de termos que cumprir a lei mesmo que as decisões não sejam, num determinado momento, o que o povo mais gostaria". "Até porque, muitas vezes, a emoção domina, e o direito é razão", disse.

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