segunda-feira, 17 de julho de 2017

Era só o que faltava: Líder tucano diz que “Lula deveria disputar as eleições”


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PSDB devia entregar os ministérios, afirma Tripoli
Natália Lambert e Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense
Um dos principais defensores do desembarque do PSDB do governo, o líder tucano na Câmara, Ricardo Tripoli (SP) afirma que, diante dos fatos que envolvem a denúncia contra o presidente Michel Temer, e na expectativa de outras acusações que possam surgir, o sentimento toma conta da maioria da bancada. “Entregar os ministérios seria muito bom. Não estamos dizendo que vamos para o campo da oposição. Se estamos marchando, significa que vamos dar continuidade à agenda que é importante para o Congresso e que o governo, sendo esse ou outro, esperamos que a mantenha.”
Para o deputado paulista, é importante que a Câmara resolva logo, assim que voltar do recesso, a votação sobre a admissibilidade de denúncia contra Temer. E afirma que votará contra o arquivamento.
Se pudesse escolher, o parlamentar pediria que deixassem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer nas eleições. “O Fernando Henrique ganhou duas vezes do Lula em eleições. Não temos o menor problema com adversários”, garante.
Está marcada para 2 de agosto a votação em plenário da denúncia contra Temer. É possível resolver assim que voltar do recesso?
Espero que sim. É importante o país resolver isso de forma definitiva, embora tenham ainda mais dois casos que o procurador-geral da República deve encaminhar para o Supremo, e o Supremo, aqui à Casa.
O presidente corre o risco de perder votos por causa desse contato dos deputados com a base?
Já não substituíram 14 ou 15 deputados na CCJ? É uma demonstração de que, em tese, não tem votos suficientes para barrar a denúncia. Em plenário, não muda a situação. Você vai ter claramente quem vota a favor e quem vota contra. Acho muito provável que, na primeira semana de agosto, o resultado não seja satisfatório ao governo. Cada um fará uma reflexão agora. O Brasil precisa voltar a crescer. Temos de aprovar o restante das reformas, diminuir o desemprego. Isso aflige a todos. Por outro lado, não podemos jogar o país em uma aventura, tanto que o mercado financeiro tem reagido muito bem aos movimentos que estão sendo feitos, o que demonstra que as instituições estão funcionando. A reforma trabalhista foi aprovada. Está andando.
E o PSDB vai desembarcar?
Recentemente, fizemos uma reunião da bancada que levou cerca de quatro horas e, entre as análises, estava essa. Percebo, nitidamente, que aumentou muito o número de deputados que querem a admissibilidade da denúncia, até para poder ter transparência e apuração de todos os fatos. No início, quando fizemos uma reunião do diretório nacional, era o contrário, a maioria pela permanência. Hoje, é a minoria. Entregar os ministérios seria muito bom. Não estamos dizendo que vamos para o campo da oposição. Se estamos marchando, significa que vamos dar continuidade à agenda que é importante para o Congresso.
O PSDB estaria em um eventual governo Maia?
A minha proposta para a bancada é no sentido de que, havendo um próximo governo, a gente não indique ministério nenhum. Vamos apresentar uma proposta de governabilidade, onde o compromisso é com o país.
Com uma eventual mudança de governo, o PSDB pode chegar em 2018 sem protagonismo?
Não, o PSDB deve ter uma convenção no fim de agosto e vamos eleger um novo diretório nacional, uma executiva nacional e apresentaremos uma proposta visando 2018. O partido se prepara para um novo embate, não tem problema de adversário. Disseram que o Lula vai ser candidato, mas qual o problema? O Fernando Henrique ganhou duas vezes dele em eleições. Não temos problema com adversários.
Uma nova executiva inclui uma nova presidência? O senador Aécio Neves sairá?
Com certeza, nós teremos um novo diretório, que planeja uma nova executiva. Consequentemente, um novo presidente, também. O Aécio já está resolvido. Na convenção, quando houver convenção, ele vai anunciar.
Como está o tema Aécio no PSDB?
Ele continua sendo um presidente, que está licenciado. O Tasso assumiu e está conduzindo muito bem o partido. Ele interage com a bancada federal, com os senadores, governadores, presidentes de diretórios. Ele está cumprindo aquilo que é determinado a ele. Sobre o Aécio, espero que ele seja absolvido das denúncias que foram feitas. É o que o partido todo espera dele.
O Brasil corre o risco de sangrar até janeiro de 2019?
Não, o Brasil está caminhando bem. O primeiro momento foi o mais difícil. As primeiras duas semanas (da denúncia), até o pessoal entender o que estava acontecendo. Agora, a classe política está vendo, as coisas estão andando.
Mas um salto de verdade só em 2019, não?
Se o presidente sai, com certeza, quem entra vai querer fazer muito mais do que o que saiu. A tendência é você buscar caminhos novos, melhores que aqueles que foram deixados para trás. Não estou, com isso, diminuindo a importância do presidente Temer. Ele incorporou a agenda e fez muito bem. Errou em uma questão de ordem pessoal.
Ele não tem mais condição de tocar a agenda?
Não é que eu ache que não tem governabilidade. O problema é que ele tem que estar a todo momento respondendo a essas questões e isso trava o processo. Quando fizemos a avaliação lá atrás, dissemos que íamos fazer um monitoramento diário. Se houvesse instabilidade, estaríamos em outro campo, até porque não podemos deixar o Brasil ir para uma aventura. Acontece que você tem uma defesa frágil e tem outros casos ocorrendo a cada instante. As pessoas não estão nas ruas. Tivemos agora a condenação do Lula e, tanto de um lado, quanto de outro, houve manifestações pífias. A população está esperando o resultado do país. A sociedade hoje conversa muito mais do que antes. Nas redes sociais, há uma mobilização grande, mas você não vê rua.
Por quê?
Acho que estão aguardando o resultado positivo. Quando você vê a bolsa de valores subir e o dólar baixar, é um sintoma de que a economia está caminhando e duvido que alguém mexeria nesse nicho do país.
A condenação do Lula é boa para o PSDB?
Quem tem que avaliar é o PT. Não trabalhamos com essa hipótese de que o Lula não participe das eleições. Acho que ele deveria participar. Eu, se pudesse, diria ‘deixe que ele participe’. É um direito que assiste a ele. É muita bravata, muito discurso e pouco conteúdo. E o Lula faz isso com muita competência. Ele coloca essa de ‘cuidado comigo, tô chegando, sou candidato’. Essa política não existe mais faz muito tempo.
E o PSDB, vai de Doria ou Alckmin?
Quem a convenção determinar. O PSDB vai apresentar um candidato preparado, com programa novo, oxigenado, com uma visão moderna para o Brasil. Por que vocês tiraram o Tasso dessa possibilidade?
Mas isso vai depender de uma decisão da executiva ou das pesquisas, como o Dória defende?
O partido é quem define. Pode ser que tenha como orientação as pesquisas. Mas os governadores, os deputados federais, os senadores, esse colégio que vai dizer o melhor caminho. As pesquisas ajudam, mas não definem. Se fosse pesquisa, o (Fernando) Haddad em São Paulo, com 3%, não seria prefeito. E estou dando o nome que não é do PSDB.
Ter um ex-presidente condenado, um presidente denunciado e a possibilidade de ter um terceiro presidente em menos de um ano é sinal de que nossa democracia está passando por uma crise grave?
Estamos cumprindo um trajeto democraticamente. Não há nenhuma sinalização de que não estamos cumprindo o que determina a lei. Se dissemos que todos são iguais perante a lei, por que agora estaríamos pensando de forma diferente? Seria você trabalhar por um processo ditatorial, um processo que não é aquele que pretendemos para o Brasil. Podem falar o que quiserem do Brasil, menos que aqui não tem democracia.
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