sábado, 8 de julho de 2017

Doria recebe pastores na prefeitura e ouve: Deus tem outros voos para você



Por Folhapress
Não foi a primeira e provavelmente não será a última vez que um encontro entre João Doria e líderes evangélicos termina com clamores para que o prefeito de São Paulo seja o candidato do PSDB à Presidência em 2018. 
 
Mas a reunião de Doria com mais de 150 pastores na noite desta sexta-feira (7) teve um componente inédito: os gritos de "glória a Deus" e "amém", reações sempre que alguém levantava a hipótese de uma candidatura presidencial, foram proferidos na sede do Executivo paulistano. 
 
Segundo presentes, a Prefeitura jamais havia abrigado um evento para evangélicos, ao menos não um com aquelas proporções. 
 
O evento foi orquestrado pelo presbítero Geraldo Malta e pelo pastor Luciano Luna, assessores religiosos informais do prefeito. A mesma que organizou cerimônia similar para o governador Geraldo Alckmin um mês atrás, no Palácio dos Bandeirantes. 
 
A reunião na Prefeitura foi maior (mais do que o dobro de presentes) e, segundo pastores que conversaram com a reportagem, mais genuína. No Bandeirantes, Alckmin foi saudado como bom nome para disputar as eleições presidenciais, mas o coração do segmento estaria com Doria. 
 
O encontro no sétimo andar do prédio onde o prefeito despacha durou uma hora e meia, ensanduichado por uma oração de abertura e outra de encerramento. 
 
Os pastores se alternavam em discursos polvilhados com tom de campanha nacional enquanto Doria sorria numa mesa com seu vice-prefeito, Bruno Covas, e três de seus secretários —Julio Semeghini (Secretaria de Governo), Eloísa Arruda (Direitos Humanos) e Filipe Sabará (Desenvolvimento Social). 
 
"Mais de 80% do segmento evangélico do país" estava ali representado, disse Malta ao microfone. 
 
"Hoje o senhor está aqui, mas quero te ver lá", disse a vereadora Rute Costa (PSD), filha de José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil. 
 
Dizendo falar em nome do pai, Rute continuou: "Sei que o propósito do senhor é este. Sei que Deus tem outros voos para você. Vejo nisso tudo um grande plano de Deus para esta nação. Nosso povo, João, tem estado de joelhos orando por socorro". 
 
A vereadora comparou o prefeito a David, que trava uma batalha bíblica contra o gigante Golias. "Ele não era alto, era baixo. E era valente. Como Doria também é. O que o senhor fez na cracolândia foi valente." 
 
Ligado à Assembleia de Deus, o vereador João Jorge (PSDB) tinha puxado o coro presidencial minutos antes. "Ninguém falou aqui ainda, mas se ano que vem [o sr. concorrer]..." O público reagiu num coro de "amém". 
 
Jorge prometeu entregar dois projetos de lei na Câmara Municipal: um para facilitar a obtenção de alvarás para igrejas e outros com uma versão "mais realista" da lei do Psiu, que costuma punir instituições evangélicas por cultos barulhentos. 
"É um constrangimento para nós [ser penalizado], João, acha que isso nos agrada? No dia seguinte a imprensa bate na gente, bate no senhor", disse. 
 
Jorge louvou Doria como "um homem de Deus que não fala palavrão, não bebe, não fuma". O próprio prefeito reforçou as credencias de bom moço. "Minha formação cristã, católica, me fez distante de bebida, tabaco."
 
O tucano contou que começou a se aproximar do segmento evangélico nas prévias partidárias que o ungiriam candidato de seu partido em 2016. "Fui gradualmente me entusiasmando. Me senti completamente dominado, feliz." 
 
Os líderes religiosos também celebraram a sanção sem vetos do PPI (Plano de Parcelamento Incentivado) aprovado na Câmara Municipal, que prevê anistia a dívidas de igrejas. 
 
Na saída do encontro, cada convidado recebeu uma caixa de vitaminas com rótulo "DoriaVit ("especialmente formulado para o trabalhador"), que continha o aviso: "Contém alta dosagem de trabalho".

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