quarta-feira, 5 de julho de 2017

Diretor da Polícia Federal já decidiu sair, mas quer indicar seu sucessor


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Daiello está articulando sua “saída negociada”
Eliane Cantanhêde
Estadão
A troca do diretor-geral da Polícia Federal nunca é simples, mas se tornou particularmente delicada com o avanço da Lava Jato sobre o Executivo e o Legislativo e a gritaria, dia sim e outro também, sobre supostos golpes contra a maior operação de combate à corrupção da história. Foi assim que Leandro Daiello foi se tornando “imexível”, mas ele pode estar se cansando.
Daiello assumiu a direção-geral em janeiro de 2011, no início do governo Dilma Rousseff, foi mantido no de Michel Temer e já está no sexto ministro da Justiça. Desde a Olimpíada do Rio, em agosto de 2016, ele já pediu para sair pelo menos três vezes, mas um ministro atrás do outro recusa a demissão.
DUAS CONDIÇÕES – Agora, ele estaria sendo irredutível, mas acertando algumas condições. As duas principais delas seriam: escolher o sucessor junto com o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e ele próprio anunciar o escolhido à opinião pública. Isso seria importante para Daiello, como demonstração de prestígio e de liderança na “tropa”, e também para o governo, como forma de esvaziar ataques.
O mais temido deles seria a acusação, ou mesmo suspeita, de que a troca no comando da PF faria parte de uma grande manobra para esvaziar a Lava Jato e reduzir o papel da Federal nas investigações e operações especiais. O outro, uma consequência direta disso: a tentativa, equivocada, diga-se, de se juntar num mesmo saco a troca na PF e a nomeação de Raquel Dodge para a Procuradoria-Geral da República como parte dessa “manobra”.
MODERNIZAÇÃO – Enquanto não há decisão, nem previsão de data, Daiello e Jardim vão acertando medidas para a PF, inclusive um processo de modernização tecnológica e um novo software conjunto de órgãos da Justiça, abrangendo a Federal. Outra medida seria a realização de concursos e a oferta de treinamento internacional para novos quadros da PF.
Há conversas, também, para retirar da PF a atribuição de emitir passaportes em 192 postos espalhados pelo País inteiro, o que não passa de mera burocracia e ocupa agentes que poderiam ser muito mais úteis em operações de campo, ou na inteligência, ou em outras funções diretamente vinculadas a ações policiais. Só se fala na Lava Jato, mas, neste exato momento, a PF tem 473 operações especiais a pedido da Justiça Federal.
As relações entre Daiello e Jardim, ou entre PF e Justiça, parece caminhar, portanto, dentro da normalidade e dos limites institucionais. Aliás, como o diretor-geral manteve com os ministros anteriores, desde que nomeado na gestão de José Eduardo Cardozo, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Apesar disso, a Polícia Federal nunca deixou de fazer tudo o que tinha de fazer e de tocar as operações da Lava Jato com autonomia. “Doa a quem doer”, como se diz na corporação. Que assim continue…
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