domingo, 4 de junho de 2017

Temer tenta aterrorizar o país, mas sua cassação não afetará a reação da economia


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(amarildo.charge.wordpress.com)
Carlos Newton
Há dois meses registramos aqui na “Tribuna da Internet” que a economia brasileira havia chegado ao fundo do poço. A crise econômico-financeira ainda era devastadora, mas o país mostrava ter condições de resistir. Iria chegar um momento em que a país reagiria e voltaria a crescer, independentemente de existir turbulências políticas. Os livros acadêmicos não se aprofundam nessa realidade, mas na prática a economia das nações é um organismo vivo, tem reações e cria anticorpos, que há 250 anos Adam Smith identificava como a “mão invisível do mercado” e precisa se reestudada pela ótica contemporânea.
Como as estatísticas são frias e enganadoras, não se pode analisar a economia de um país como o Brasil (quinto maior em população/território e uma das dez maiores economias do mundo) como se fosse a contabilidade de uma grande empresa. Há outras variáveis a serem levadas em conta. É por isso que as crises não duram para sempre e os países estruturados jamais vão à falência.
A ECONOMIA REAGE – O IBGE divulgou nesta quinta-feira (dia 1º) que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2016, já retirados os efeitos sazonais. É o primeiro número positivo desde o quarto trimestre de 2014, ou seja, após oito quedas seguidas. Nada mal.
Na sexta-feira (dia 2), o IBGE anunciou que a produção industrial brasileira teve alta de 0,6% em abril. Foi o primeiro resultado positivo em 2017 e o melhor desempenho para o mês desde 2013. O mais importante é que o desempenho industrial foi puxado pela produção de bens de capital (1,5%), que inclui a fabricação de máquinas e equipamentos para investimentos, e bens intermediários (2,1%), que são manufaturados para a produção de outros bens. Ou seja, têm efeito multiplicador.
Além disso, o consumo de energia elétrica também está aumentando e o crescimento da importância das exportações para o PIB brasileiro é também um reflexo da melhora do cenário externo, porque a economia global ensaia ter neste ano uma bela retomada.
PESSIMISTAS DE SEMPRE – Apesar desses indicadores positivos, os pessimistas de sempre traçam previsões catastróficas, devido à crise política. A Fundação Getúlio Vargas saiu na frente, reduzindo a estimativa de crescimento do PIB, este ano, de 0,4% para 0,2%. E para 2018, ao invés de crescer 2,4%, o país avançaria apenas 1,4%.
Não é possível levar a sério essas previsões, que não indicam nada e apenas fortalecem as alegações de Temer, que se julga reencarnação do rei Luis XV e alega “depois de mim, o dilúvio”, como se a bela Marcela fosse reedição de Madame Pompadour.
É tudo conversa fiada, a economia saiu da crise sozinha. O governo Temer até agora não fez nada, absolutamente nada, apenas criou factóides alarmistas, tipo reformas da Previdência e da CLT, sem mover uma palha para solucionar o problema real – a dívida pública, causadora de praticamente todos os males.
ATERRORIZANTE – Ao apregoar que haverá um retrocesso caso seja cassado, Temer age como um aterrorizante vampiro de filme de terror. E o pior é que ainda há quem acredite e defenda que ele permaneça no poder, apesar de seu currículo, que mais parece uma folha corrida.
Na verdade, o Brasil é muito maior do que a crise. Quando Temer for cassado, não acontecerá absolutamente nada. Vai assumir o deputado Rodrigo Maia, que convocará eleições no prazo máximo de 30 dias. Alguém será eleito e fará como Temer – fingirá que está governando e os brasileiros fingirão que acreditam. No dia seguinte, as pessoas sairão às ruas para trabalhar, as lojas estarão abertas,  e vida que segue, como dizia João Saldanha, consciente de que la nave va, ainda que fellinianamente.
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