sábado, 17 de junho de 2017

Preocupado, Temer chamou Velloso para avaliar sua situação no Supremo


Velloso, ex-STF, foi ao Jaburu dar conselhos a Temer
Cristiane Jungblut
O Globo
O presidente Michel Temer se reuniu com o jurista Carlos Velloso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontrou ocorreu nesta quinta-feira, no Palácio do Jaburu, e teve a participação ainda do ministro da Justiça, Torquato Jardim. O ministro Velloso disse ao Globo que é amigo de Temer há décadas e que às vezes atua como conselheiro jurídico informal. O presidente ligou para o ex-ministro do STF na última quarta-feira, combinando o encontro desta quinta, que durou até o início da noite.
Velloso chegou ao Jaburu acompanhado por Torquato, que o pegou em casa. Ele caminhava com dificuldade, usando uma bengala devido à uma fratura no joelho. Velloso disse que não poderia comentar os detalhes da conversa, mas afirmou que Temer está muito tranquilo.
VELHOS AMIGOS — “Sou amigo do Temer desde quando ele era apenas um professor de Direito Constitucional na PUC de São Paulo. Eu era reitor da PUC de Minas Gerais e ia a São Paulo cerca de uma vez por mês. Isso faz uns 40 anos, e, de vez em quando, ele me chama para dialogar sobre problemas jurídicos. Quer consultar a experiência de um velho advogado. Ele está muito tranquilo” — disse Velloso.
O ex-presidente do STF, nas conversas com outros juristas, costuma reclamar do individualismo hoje no Supremo, com os ministros muitas vezes divergindo publicamente.
“O Supremo é uma instituição bicentenária, não se pode tirar essa grandeza” — disse Velloso.
BATALHA NO STF – O Palácio do Planalto se prepara juridicamente para a denúncia a ser apresentada pelo procurador-geral da República contra Temer, com base na delação do empresário Joesley Batista. A avaliação entre o corpo de advogados é que o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato na Corte, deveria levar suas decisões ao plenário.
Pela Constituição, a denúncia é apresentada pelo procurador ao STF, cujo presidente a encaminha à Câmara. Cabe à Câmara aceitar ou não a denúncia. Temer precisa de apenas 172 votos para barrar a denúncia, já que são necessários 342 votos de 513 para autorizar um processo contra o presidente da República.
Temer viaja para a Rússia na segunda-feira, e o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) vai na comitiva. Perondi é aliado de Temer e cotado para ser o relator da eventual denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
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