sábado, 17 de junho de 2017

PF aprofunda a investigação sobre compra de silêncio de Cunha e Funaro


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O silêncio de Cunha e Funaro custou caro à JBS
Letícia Casado, Rubens Valente e Reynaldo Turollo Jr.
Folha
A Polícia Federal está tomando depoimentos de delatores da JBS e de investigados no inquérito que envolve o presidente Michel Temer, com o objetivo de descobrir se eles sabiam dos pagamentos para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro. Nesta sexta-feira (dia 16), a PF ouviu um dos donos da JBS, Joesley Batista. A Folha apurou que os delegados já tinham ouvido os delatores Francisco de Assis, diretor jurídico do grupo, e Florisvaldo Caetano, ex-conselheiro fiscal da JBS que fez entregas de dinheiro, além dos investigados Roberta e Dante Funaro, irmãos do doleiro.
A PF cruza os depoimentos para encontrar eventuais brechas e confirmar informações sobre outros implicados, como o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Os investigadores suspeitam que Geddel repassava informações sobre a compra do silêncio de Funaro e Cunha ao presidente Temer.
GEDDEL E TEMER – A Polícia Federal quer saber, por exemplo, qual o papel de Geddel no esquema: se ele perguntava aos funcionários da JBS e aos familiares do doleiro sobre pagamentos; se ele foi apontado representante de Temer junto à JBS, conforme Joesley Batista disse à PGR (Procuradoria-Geral da República); e se o presidente indicou seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures para substituir Geddel no relacionamento com a empresa.
A PF apura a participação dos irmãos Funaro nos pagamento. Quer saber como eles foram colocados em contato com a JBS e as razões para Roberta Funaro ter substituído o irmão Dante no recolhimento do dinheiro. Ela foi filmada recebendo mala com R$ 400 mil dentro de um carro e está em prisão domiciliar. O próprio Lúcio Funaro já prestou depoimento no inquérito.
ALTAIR E LIMA – Os delegados também querem detalhes sobre pagamentos que Florisvaldo Caetano disse ter feito a Altair Alves Pinto, emissário de Cunha, e ao coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho durante a campanha de 2014 como parte de um acordo entre Temer e Joesley.
As informações vão ajudar a PF a identificar se há indícios de autoria e materialidade de crimes que podem ter sido cometidos pelo presidente e a preparar o relatório que será entregue à PGR e deve embasar a denúncia contra Temer no STF (Supremo Tribunal Federal).
A PF tem até segunda-feira (dia 19) para encerrar o inquérito, aberto em abril. Os delegados enviaram 82 perguntas ao presidente, que se recusou a responder. Temer e o Palácio do Planalto já negaram quaisquer irregularidades na relação com Joesley Batista.
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